domingo, 21 de junho de 2026

Balbúrdia PoÉtica Em São Fidélis

não vendemos

as vezes pedalando pelo litoral Gargau – Barra do Itabapoana, algumas imagens me despertam como choque elétrico, tamanha grandiosidade de suas características. Muitas vezes imagens encravadas dentro de um deserto de gente. Essa por exemplo, fica logo de  Buena, no banner da publicidade Bar do Ferreira, cerveja Itaipava. Parei entrei pedi uma cerveja – a resposta veio logo: “não vendemos”.

Inacreditável!

 

Artur Gomes

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Por Onde Andará Macanunaíma? https://arturkabrunco.blogspot.com/

manifesto anti-barbárie

poema para o livro Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim que pretendo lançar em 2027 - https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/

 

está na hora

vambora

baby magrelinha

nem pero vaz

nem caminha

vamos trampar

com esse brasil na marra

quem é índio goytacá

não se desgarra

ainda mais fulinaímico

ainda mais macunaímico

vamos pras maracangalhas

cuspir na cara dos canalhas

que tempestade

que atroCidade

que genocida

que golpista

que fascista

que nenhum filha da puta desses

             vai conseguir nos segurar

 

Artur Gomes

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por Onde Andará Macunaíma?

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ITAMAR ASSUMPÇÃO

 

chega de conversa mole

no me gustan abobrinhas

 

não suporto lero lero

não me sirvam rocambole

 

me chamam de nego dito

dizem      que sou bandido

 

mentira, injúria, calúnia

meu nome não é maldito

 

medito quando me deito

me meço, me viro, me esqueço

 

piso no calo e zum me despeço

por linhas tortas infinito

 

e ao mal entendido de tudo

      fica o dito pelo benedito

 

Ademir Assunção

Risca Faca – Selo Demônio Negro

2021

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Oficina Narrativas PoÉticas

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Alternativa

 

dispara por dentro

 

corrói

irrompe

converte

incute

 

depara-se rindo

ruindo às vezes

 

poderia ser verso

é rito

 

alaga gargantas

separa mobílias

 

as telhas

 

as moscas

sobre os farelos 


poderia ser verso

é vício


Lau Siqueira

Do livro O inventário do pêssego

CASA

VERDE – 2020

Por Onde Andará Macunaíma

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Pátria A(r)mada

 

as vísceras da Re(s)pública

 expostas em mesa posta

pelas lâminas de um punhal verde/amarelo

quem será o filha da puta

 que tentará o golpe final

nesse universo paralelo?

 

  Artur Gomes

Pátria A(r )mada – 2022

Prêmio Oswald de Andrade

UBE-Rio – 2020

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https://fulinaimargem.blogspot.com

o andarilho não sabe do tempo que corre, nem da queda da bolsa de valores. o andarilho desenha natureza nos olhos, encontra a palavra perdida nos arredores. o andarilho enxerga pássaros sem ninhos, se fixa no que virá. o andarilho gorjeia como sapo sem lagoa, esperneia poeira do corpo. o andarilho se desencontra nas ruas, sugere os pés entre aspas e igarapés. o andarilho inventa caminhos, sinaliza a brevidade da vida.


Dinovaldo Gillioli

Artur Gomes - Entre Vistas

tudo nasceu de um bate papo com meu ex parceiro de Kino 3 Tchllo d´Barros, que transformei em EntreVista, ideia que eu já havia  pinçado lá atrás em livro do meu mestre Uilcon Pereira. 

 Aí o Jiddu Saldanha gostou da idéia, e criou o portal Artur Gomes EntreVistas no seu site Sebo do Jidduks, como não posso tocar esse barco sozinho convoquei também Federico Baudelaire, que em alguns momentos é o entrevistador. 

Agora estando prevista para breve o lançamento do livro Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?

Estou te convidando, responda, e de acordo com suas respostas podem surgir outras perguntas e assim por diante.

Artur Gomes

Por Onde Andará Macunaíma?

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                           viagem

nesse meu primeiro voo

viajo do rio grande do sul

ao amazonas

basta pensar que posso

basta pensar que sou

Artur Gomes

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 – whatsapp

@fulinaima @artur.gumes

contato: fulinaima@gmail.com 


Uma Viagem Ao Pé Da Letra

para mim nunca apareceu a margarida, foi sempre chá de cogumelo nas pétalas do girassol, o voo só não tem acento na nova ortografia né? no meu tempo de menino tinha, e eu voava muito mais de São Conrado pra rocinha do Vidigal para Maré, agora até em Maricá, indo pro morro do Alemão antes do sol nascer quadrado, ligeiro feito busca pé, para encontrar o Marko Andrade voo até Santa Teresa, em busca daquela marina/aranha tesa, escondida na teia do engenho, nos altos da Glória do Estácio, com sua régua seu compasso Luis Melodia voa morro do Salgueiro e solta a voz com Gonzaguinha, nessa bela manhã de domingo, mesmo sendo segunda feira e o povo já está no mercado, antes do sol nascer feliz, e cantar e cantar e cantar na certeza de ser um eterno aprendiz, porque Copacabana não me engana Cosme Velho, o bruxo ainda não morreu, li ontem nas cartas de búzio emprestadas por Meg Lee, na cabeça de cavalo, águia da Portela já voou para Salvador na Bahia conhecer novo vapor, aqui não tem nada barato, mesmo malhada nada pura, e se eu encontrar o Wally Salomão, ninguém me prende ninguém me segura.


Artur Gomes

Uma viagem ao pé da letra

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Artur Gomes – FULINAIMAGENS

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santíssima trindade

 

elas passavam rente

enquanto eu

indiferente

filmava uma outra maravilha

na pedra do arpoador

isso lá pelos idos

não vividos

de dois mil e vinte e quatro

onde não tínhamos mais

gal a todo vapor

nas dunas do barato

de fato

qual foi o bicho que deu

na banca do Edir mais cedo

com certeza zebra

com a cara da universal

graças a deus

enquanto minha trindade

passeia sua graça beleza

sensualidade e elegância

que só mesmo quem tem

são as minhas 3 filhas de zeus


Pastor de Andrade

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A SELEÇÃO BRASILEIRA QUE SE FODA

Não estou torcendo para a Seleção Brasileira. Não estou conseguindo me empolgar. Não me identifico com nenhum dos jogadores que estão em campo. Por que deveria torcer para eles? Gosto de jogador maloqueiro, não de jogador garoto propaganda de Rexona. Quer dizer, gostava. Gostava de jogadores maloqueiros, mas esses não existem mais. Gostava de Sócrates, gostava de Serginho Chulapa, gostava de Dadá Maravilha. Gostava dos que jogavam como gente grande, não como garotos mimados pelo marketing e pelos patrocinadores. Gostava quando futebol era disputado em estádio e não em arena. Quando não se passava o ridículo de chamar um estádio de futebol de Morumbis – só se fosse uma tiração de sarro do Mussum. Gostava quando um craque comemorava um gol socando o ar e não fazendo dancinhas ridículas ou, pior, muito pior, elevando os braços aos céus em agradecimento a Deus, com aquela cara de quem está fazendo penitência sentado num sabugo de milho. Será que não passa pela cabeça desses garotos que Deus tem assuntos muito mais cabeludos para se preocupar? Por exemplo? Por exemplo livrar as crianças palestinas das bombas sionistas. Por exemplo desviar os mísseis americanos endereçados a escolas de meninas iranianas. Tenho boa capacidade de abstração, mas como posso abstrair que o principal país que está sediando a Copa do Mundo está em guerra com um dos países que está disputando a Copa do Mundo? Será que devo apostar no Tigrinho, ou em qualquer uma das bets que patrocina tanto a Globo quanto a TV Cazé, quem vai ganhar a partida Irã x EUA? Devo abstrair tudo isso porque há uma máquina trilionária repetindo a todo instante que devo entrar no embalo geral e vibrar com a Copa do Mundo, que devo torcer por jogadores que não me dizem porra nenhuma, que devo achar a transmissão da TV Cazé mais foda do que a da TV Globo? Pra mim é tudo parte de um monstro que agoniza e deve morrer. Um monstro estúpido e ganancioso, que só se alimenta de dinheiro. Muito dinheiro. Se estou vendo os jogos? Estou, claro. Porque eu gosto de futebol. Gosto de futebol bem jogado. Gosto dos golaços do Messi. Gosto da beleza do balé de Mbappé. O que eu não gosto é de jogadas trilionárias de patrocinadores. Isso não me diz respeito. Você vai me dizer: mas sempre houve cartolagem. Sim, mas piorou. Piorou muito. Nunca gostei de cartolagem. Gosto de futebol bem jogado e gosto de torcer para a várzea. Sei que não vão longe, mas torço para o Haiti, para a Tunísia, para a Costa do Marfim, para a dignidade dos maloqueiros e fodidos. Esse cassinão que mistura bets, bola rolando, comentaristas sofríveis e celebridades nos camarotes não me empolga. O que me empolga é o replay do gol de mão de Maradona contra a Inglaterra. O que me empolga é a lembrança de Sócrates deslocando o zagueiro com um toquinho de calcanhar. O que me empolga são os versos de Allen Ginsberg: “I saw the best minds of my generation destroyed by madness”. 



a aranha tece e a gente apanha

A gente apanha leva porrada o facebook não diz nada,  mas quando a gente bate mete o dedo na ferida esse mesmo facebook não permite que denunciamos, os fascistas golpistas genocidas neo nazistas, que dominam os algorítimos desse sistema podre dominado pelos USA e Cia.

 

EuGênio Mallarmè

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Rock Goytacá

Hoje numa manhã de domingo ouvindo Meu Nome é Gal, enquanto admirava Pitty, tomando banho de sol, no quintal da Estação 353, Evita Peron soltava cachorros e leões em frente do portão de entrada do cerrado contra o TariFlávio e mandava o genocida TrumPinicão chupar um prego nos quintos do Central Park, com sons dos chicotes pontiagudos de Peron de Saramargo.

Enquanto isso, O the Brazilian Jazz singer Pericles Emmanuel, era aplaudido freneticamente em seu concerto de vozes na Quarta Avenida de Vênus, cantando o Blues de Luiz Ribeiro, Alguma Coisa Vai Acontecer no 401. Enquanto Rock Goytacá não tem.

 

Federico Baudelaire

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 Entre Vistas – com Líria Porto

tudo nasceu de um bate papo com meu ex parceiro de Kino 3 Tchllo d´Barros, que transformei em EntreVista, ideia que eu já havia  pinçado lá atrás em livro do meu mestre Uilcon Pereira.  Ai o Jiddu Saldanha gostou da idéia, e criou o portal Artur Gomes EntreVistas no seu site Sebo do Jidduks, como não posso tocar esse barco sozinho convoquei também Federico Baudelaire, que em alguns momentos é o entrevistador. 

*

líria porto – de araguari, mg – é autora dos livros borboleta desfolhada e de lua, publicados em portugal em 2009; asa de passarinho e garimpo (este finalista do prêmio jabuti – poesia – 2015) pela editora lê; cadela prateada – editora penalux em 2016; olho nu – editora patuá, 2017 e do blogue tanto mar (o livro sem pecado não tem salvação será publicado brevemente pela editora crivo). participou de algumas antologias, entre elas dedo de moça – escritoras suicidas – e cartas embaralhadas. tem poemas publicados em vários jornais, revistas e sites.

*

Artur Gomes -  Como se processa o seu  estado de poesia?

Líria Porto- uma palavra, uma imagem, um cheiro, uma sombra, um desejo – qualquer coisa acende a chispa!

Artur Gomes - Seu poema preferido? Próprio. Ou de outro poeta de sua admiração.

Líria Porto - há inúmeros poemas que gosto... o preferido? pelo menos um deles, o que me lembrei de pronto, e que tinha de ser do drummond:

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Artur Gomes - Qual o seu poeta de cabeceira?

Líria Porto - carlos drummond de andrade

Artur Gomes - Em seu instante de criação existe alguma pedra de toque, algo que o impulsione para escrever?

Líria Porto - um lápis, um pedaço de papel e algum silêncio são suficientes...

Artur Gomes -  Livro que considera definitivo em sua obra?

Líria Porto - garimpo, gosto do livro! ficou finalista do jabuti com merecimento...

Artur Gomes - Além da poesia em verso  já exercitou ou exercita outra forma de linguagem com poesia¿

Líria Porto - a poesia é minha praia, embora eu adorasse escrever prosa, no entanto meu fôlego é curto, no máximo um pequeno conto...

Artur Gomes - Qual poema escreveu quando teve uma pedra no meio do caminho¿

Líria Porto - muitos! um deles?

 

bloqueio

 

nada é tão intransponível

quanto um muro imaginário

*

Artur Gomes - Revisitando Quintana: você acha que depois dessa crise virótica pandêmica, quem passará e quem passarinho?

Líria Porto - o individualismo passará, espero...

a poesia fica!

Artur Gomes - Escrevendo sobre o livro Pátria A(r)mada, o poeta e jornalista Ademir Assunção, afirma que cada poeta tem a sua tribo, de onde ele traz as suas referências. Você de onde vem, qual é a sua tribo?

Líria Porto - minha tribo é a gente simples do interior de minas gerais

 

Artur Gomes - Nos dias atuais o que é ser um poeta, militante de poesia¿

Líria Porto - uma pessoa como as outras, talvez mais solitária, mais tímida, mais introspectiva...

Artur Gomes - Que pergunta não fiz que você gostaria de responder?

Líria Porto - o que é a vida?

nem comédia nem tragédia

a vida é um drama – uma novela

mexicana

 

Artur Gomes

Fulinaíma MultiProjetos

com os dentes cravados na memória

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Balbúrdia PoÉtica

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           limpos

prafrentex moderninha
(minissaia batom rímel)
namorava deus e o mundo
porém fumante – impossível
a cabeça tonteava
tinha náusea/enjoo/engulho
muita inveja das amigas
das irmãs que conseguiam
baforadas de fumaça
competência de atrizes

(no vexame do passado
os pulmões sem nicotina)

* líria porto

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as flechas certeiras

de Líria Porto

 

abate

não sei não sabes
não sabemos
em que dia mês ano
manhã tarde ou noite
a morte com sua foice
fará a nossa colheita

enquanto seu lobo não vem
chapeuzinho na floresta
canta dança
floreia

- a vida é (f)esta -

* líria porto

 *

guilhotina

 

arredou o corpo

rareou os beijos

e pé ante pé

sem dizer paulada

foice

 

* líria porto

(para Rosa Ataide um poeminho antiiiigo)

 *

confiável

 

mesmo que me custem

caro

cumpro as promessas

que me faço

 

Líria Porto

na calada da noite

 adoro quando ele rouba

palavras da minha boca

 

Líria Porto

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  Evita Peron

Ela só quer querer ser dela, vive em outras aldeias entre outros povos e deixa meus desejos outros entre versos no papiro, suspiro em solidão distante, no instante, que ela vai cumprir compromissos outros, que não assumiu comigo, rio muito quando ela passa, passageira das viagens tantas,  e chega na lembrança,  a visão primeira, segunda ou quarta-feira, ela promete mas sempre foge quando a lua é nova, e ela vai pra boa vista festejar em rio branco e eu aqui cortando unhas e cortando os dedos que ainda tenho em cada pé, como se fossem os realejos de Sthefane Mallarmè  -

Federico Baudelaire

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fala de lá que eu canto de cá

 

Tutu Gomes

Segue afiando os gumes

Despertando mais histórias

E não há celular que apague

O que ficou em nossas memórias

Se hoje Macuco é teu pouso

Itacoatiara não te nega

Copacabana te aquece

Enquanto Piracicaba te espera

Itaipu enseada dos velhos índios

Venera os passos e versos do poeta

Nas matas e nos ares

Maritacas se alvoroçam

Gaviões se desesperam

Nesse mar de tartarugas

Até as baleias dançam

E tudo mais acontece

 

PCiranda 23.06.2026

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poema para o povo

em tempo de abertura

 

quando você descobrir

que no meu quarto moram

exilados e subversivos,

perceberá o perigo

de dormir comigo

numa cama fria de uma Frei Caneca

ou se mandar de vez

para a esquerda de Jesus!

 

quando das grades,

paredes e muros

descobrir amor,

o povo estará liberto

e poderá seguir: Fidel

Guevara Pabblo Neruda ou

Luther King

 

- sem precisar pedir esmola –

basta lembrar

que o aborto

da manhã perdida

é uma menina-nua

in-consciente e tesa

 

e para o que já foi deposto:

mais vale o céu

a estrela

o mar,

que o punhal ou sabre,

ou mesmo a bomba sábia

que de uma vez arrasa

mas não basta por si só

 

pois se os sinais dos templos

ainda não ruíram

é porque alguma coisa ainda existe

por detrás das crenças

ou mesmo desse Deus

em quem acreditamos

 

e para o que foi detido:

mais vale a terra

o trigo

o grão

que a navalha ou corda –

que amarra

prende

e corta

mas não basta

não reforça

e nem destrói

tudo de uma vez

 

- porque renasce e continua ...

 

e para a morte :

não é preciso golpes

nem estrelas

nem estradas

 

e para o povo

não é preciso o golpe

nem promessas

nem palavras

é preciso pão

 

Artur Gomes

na coletânea Ato 5

Coleção UNIVERSO

Campos dos Goytacazes-RJ – 1979

Obs.: este poema foi o vencedor do III Festival de Poesia Falada de Campos, na época realizado pelo Departamento Municipal de Cultura, que tinha em sua direção o saudoso poeta e jornalista Prata Tavares

Em 1980 fui levado por Osório Peixoto, para participar da Semana de Cultura no SESC da Tijuca, que era coordenado pelo professor Ivan Cavalcanti Proença. Quando no palco, terminei de falar este poema, fui conduzido para uma sala, por um soldado da PF para um interrogatório que durou mais ou menos umas 6 horas. Só fui liberado na madrugada quase ao raiar de um novo dia depois daquela noite escura. Tinha uma namorada na época, de nome Maria Helena, estudante do Colégio Benetti, onde Ivan Proença era o responsável pela cadeira de cultura popular, e a noite me levou para um bate papo com sua turma sobre O Boi-Pintadinho, livro que havia acabado de lançar.

*

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Balbúrdia PoÉtica 78
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 julho/2026 – 18:30h
4º Festival Gastronômico
São Fidélis-RJ
*
Participações especiais:
*
Adriana Porto +Aline Reis + Ana Rita Gonçalves + Cláudio Valente + Geraldo Chocolate + Gustavo Policarpo + Ronaldo Barcelos + Valdemy Braga

Jura secreta 13 

 

o tecido do amor já esgarçamos 

em quantos outubros nos gozamos 

agora que palavro Itaocaras 

e persigo outras ilhas 

na carne crua do teu corpo 

amanheço alfabeto grafitemas 

quantas marés endoidecemos 
e aramaico permaneço doido e lírico 
em tudo mais que me negasse 
flor de lótus flor de cactos flor de lírios 
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse 
Hilda Hilst quando então se me amasse 
ardendo em nós salgado mar e Olga risse 
pulsando em nós flechas de fogo se existisse 

por onde quer que eu te cantasse ou Amavisse 


Artur Gomes
Juras Secretas - Penalux – 2018
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Por Onde Andará Macunaíma
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Itinerário

Levava a alma a passear:

todas as manhãs

quarava a alma

esquentava os ossos

era preciso espantar

o pó dos dias

olhava as folhas

tapete que pisava

e repisava

quem sabe

seria seu último dia?

Nesses momentos

o banco, o parque,

as árvores,

o mundo,

tudo era quase seu.

De seu

no entanto

havia apenas

seu coração

batendo, batendo

e seu corpo

que, em breve,

seria pó e só.

 

Claudia Manzollilo

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Balbúrdia PoÉtica

Artur Gomes 53 Anos de Poesia

Dia 3 julho 2026 – 18:30h

4º Festival Gastronômio

São Fidélis-RJ

 

Roteiro

manifesto anti-barbárie

com os dentes cravados na memória 

1

Magnólia Faria e Ronaldo Barcelos apresentam Artur Gomes e anunciam os participantes: Geraldo Evangelista(Chocolate), Aline Reis.  Valdemy Braga, Ana Rita Gonçalves e Adriana Porto, que se posicionam na primeira fila.


1

Artur Gomes

*

o delírio

é a lira do poeta

se o poeta não delira

sua lira não concreta 

*

nesta cidade/poema

ganhei  prêmio com música

em mil novecentos e setenta e quatro

com meu parceiro Ciranda

        um fidelense arretado

em nossas Baladas Pros Mortais

um violeiro sagrado

em  rodas de Boi-Pintadinho

levei muita gente ao Torquato

em marcantes semanas culturais

com teatro poesia cinema

entre afetos amizades carinho

nesta cidade/poema

com o nosso Caminho de Paz

        abrimos novos caminhos 

 *

Falo sobre o projeto Balbúrdia PoÉtica, sobre a minha relação com São Fidélis, faço uma homenagem a memória de Mauri Simão, Fidélis Pereira e Antônio Roberto Fernandes e falo sobre minha parceria com Paulo Ciranda, responsável por essa travessia que tenho com a cidade iniciada em 1974. No 4º Festival de Música de São Fidélis.

*

Convido para o palco: Ronaldo Barcelos, Geraldo Evangelista(Chocolate), Aline Reis e Valdemy Braga. Ana Rita Gonçalves e Adriana Porto

2

ê fome negra incessante

febre voraz gigante

e terra de tanta cruz!

 

onde se deu primeira missa

índio rima com carniça

no pasto pros urubus

*

terceiro mundo

 

sonho rola no parque

sangue ralo no tanque

 

nada a ver com tipo dark

muito menos com punk

 

meu vício letal é baiafro

com ódio mortal de yanke

*

anti/lírica

 

eu não sou zen

muito menos zhô

nem tão pouco zapa

nem ando na contra capa

do teu disquinho digital

 

não alinho pela esquerda

nem à direita do fonema

vôo no centro/viagem

olho rasante/miragem

veia pulsante/poema

*

Jura Secreta 53

sagaraNAgens fulinaímicas

 

guima

meu mestre

guima

em mil perdões eu vos peço

por esta obra encarnada

na carne cabra da peste

da Hygia Ferreira bem casta

aqui nas bandas do leste

a fome de carne é madrasta

ave palavra profana

cabala que vos fazia

veredas em mais Sagaranas

a Morte em Vidas/Severinas

tal qual antropofagia

teu grande Sertão vou cumer

nem João Cabral Severino

nem Virgulino de matraca

nem meu padrinho de pia

me ensinou usar faca

ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino

roubei do mestre Drummundo

    que o diabo GiraMundo

    é o Narciso do meu Ser

*

Falo sobre as características do projeto, e em quais formatos podem ser executados

*

3

não sou iluminista nem pretender 
eu quero o cravo e a rosa 
cumer o verso e a prosa 
devorar a lírica a métrica 
a carne da musa 
seja branca negra amarela 
vermelha verde ou cafuza 

eu sou do mato 
curupira carrapato 
sou da febre sou dos ossos 
sou da Lira do Delírio 
São Virgílio é o meu sócio 

Pernambuco Amaralina 
vida breve ou sempre vida/severina 
sendo mulher ou só menina 
que sendo santa prostituta 
ou cafetina devorar é minha sina 
  e profanar é o meu negócio

*

Jura secreta 18

 

te beijo vestida de nua

somente a lua te espelha

nesta lagoa vermelha

porto alegre caís do porto

barcos navios no teu corpo

os peixes brincam no teu cio

nus teus seios minhas mãos

as rendas finas que vestias

sobre os teus pelos ficção

todos os laços dos tecidos

aquela cor do teu vestido

a pura pele agora é roupa

o sabor da tua língua

o batom da tua boca

tudo antes só promessa

agora hóstia entre os meus dentes

e para espanto dos decentes

te levo ao ato consagrado

se te despir for só pecado

é só pecar que me interessa

*

Convido ao palco Cláudio Valente

*

4

Alice

para Alice Melo Monteiro Gomes

 

A música está no bico dos pássaros

na pétala da lamparina

no caracol dos teus cabelos

no  movimento dos músculos

no m das tuas mãos

nada mais sagrado

do que teus olhos acesos

para me iluminar na escuridão

*

Pátria A(r)mada

 

Deus não joga dados

mas a gente lança

sem nem mesmo saber se alcança

 o número que se quer

 

 mas como me disse mallarmè :

- vida não é lance de dedos

 A vida é lança de dardos

 Deus não arde no fogo

                     mas eu ardo

*

Bolero Blue

 

beber desse conhac em tua boca

para matar a febre nas entranhas

entre dentes - indecente é a forma

que te como bebo ou calo

e se não falo quando quero

na balada ou no bolero

não é por falta de desejo

é que a fome desse beijo

furta qualquer palavra presa

como caça indefesa

dentro da carne que não sai

*

Falo sobre as próximas edições da Balbúrdia, e em que cidades elas irão acontecer

*

5

Itabapoana Pedra 

Pássaro Poema

 

eu nasci concreto

na horizontal - ereto

depois fui me abstraindo

me substantivando me substituindo

criando outros e outras criaturas

em minhas estruturas amorais do ser

eu nasci assim e fui me associando

a outras escritas as que foram ditas

a outras  não ditas

as benditas as malditas

as que disseram minhas

e a outras que raptei de outros

pela minha nova maneira

natural de ter resistência a toda

qualquer coisa que não

é

e as que são coloco como cartas

sobre a mesa para surpresa

de ver que todo santo dia é dia d

*

era uma vez um mangue

e por onde andará Macunaíma?

na tua carne

no teu sangue

na medusa no teu osso

será que ainda existe

algum vestígio de Macunaíma

na veia do teu pescoço?

*

Convido ao palco Gustavo Policarpo

*

6

Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?

cavalgo em tua poesia

                        Salgado

não sei se em ti me afago

 ou se me afago por ti

 *

fulinaimicamente

voz digo:

o meu ser macunaímico

antropofagicamente

não tem pudores no gesto

não presto porque te amo

te amo porque não presto

muito menos travas na língua

com faca foice navalha

decepei a íngua

para não morrer à míngua

*

era uma vez um mangue

e por onde andará Macunaíma?

na tua carne

no teu sangue

na medula no teu osso

será que ainda existe

algum vestígio de Macunaíma

na veia do teu pescoço?

*

jura secreta 26

 

eu sou Drummundo

e me cofundo na matéria amorosa

posso estar na fina flor da juventude

ou atitude de uma rima primorosa

e até na pele/pedra

quando me invoco

e me desbundo baratino

e então provoco

um barafundo Cabralino

e meto letra no meu verso

estando prosa

e vou pro fundo

do mais fundo

o mais profundo

mineral Guimarães Rosa

*

Convido ao palco Aline Reis, para homenagear Pedro Emilio e Antônio Roberto Fernandes

*

7

 

                              terra de santa cruz

 

ao batizarem-te

deram-te o nome:

posto que a tua profissão

é abrir-te em camas

dar-te em ferro

ouro prata rios

peixes minas mata

deixar que os abutres

devorem-te na carne

o derradeiro verme

salgado mar de fezes

batendo nas muralhas

do meu sangue confidente

quem botou o branco

na bandeira de alfenas

na certa se esqueceu

das orações dos penitentes

e da corda que estraçalha

com os culhões de Tiradentes

salve lindo pendão que balança

entre as pernas abertas da paz

tua nobre sifilítica herança

dos rendez-vous de impérios atrás

 

meu coração

é tão hipócrita que não janta

e mais imbecil que ainda canta:

ou

viram

no Ipiranga

às margens plácidas

uma bandeira arriada

num país que não levanta

 

só desfraldando

a bandeira tropicalha

é que a gente avacalha

com as chaves dos mistérios

dessa terra tão servil

tirania sacanagem safadeza

tudo rima uma beleza

com a pátria mãe que nos pariu

 

1º de Abril

 

telefonaram-me

avisando-me que vinhas

na noite uma estrela

ainda brigava contra a escuridão

na rua sob patas

tombavam homens indefesos

esperei-te 20 anos

ate hoje não vieste à minha porta

 

o poeta estraçalha a bandeira

raia o sol marginal quarta feira

na Geléia Geral brasileira

o céu de abril não é de anil

nem general é myBrazyl

minha verde/amarela esperança

Portugal já vendeu para França

e coração latino balança

entre o mar do dólar do norte

e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira

raia o sol marginal sexta feira

nesta porra estrangeira e azul

que há muito índio dizia:

meu coração marçal tupã

sangra tupy& rock androll

meu sangue tupiniquim

em corpo tupinambá

samba jongo maculelê

maracatu boi bumbá

a veia de curumim

é coca cola & guaraná

 

o sangue rola no parque

o sonho ralo no tanque

nada a ver com tipo dark

e muito menos com punk

meu vício letal é baiafro

com ódio mortal de yank

 

ó baby a coisa por aqui

não mudou nada

embora sejam outras

siglas no emblema

espada continua a ser espada

poema continua a ser poema

 

Artur Gomes

poemas dos livros Couro Cru & Carne Viva – 1987  e  Pátria A(r)mada

Editora Desconcertos – 2022

leia mais no blog

Por Onde Andará Macunaíma? 

https://arturkabrunco.blogspot.com/

   



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