não vendemos
as vezes pedalando pelo litoral Gargau – Barra do Itabapoana, algumas
imagens me despertam como choque elétrico, tamanha grandiosidade de suas
características. Muitas vezes imagens encravadas dentro de um deserto de gente.
Essa por exemplo, fica logo de Buena, no
banner da publicidade Bar do Ferreira, cerveja Itaipava. Parei entrei pedi uma
cerveja – a resposta veio logo: “não vendemos”.
Inacreditável!
Artur Gomes
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Por Onde Andará Macanunaíma? https://arturkabrunco.blogspot.com/
manifesto anti-barbárie
poema para o livro Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim que
pretendo lançar em 2027 - https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/
está na hora
vambora
baby magrelinha
nem pero vaz
nem caminha
vamos trampar
com esse brasil na marra
quem é índio goytacá
não se desgarra
ainda mais fulinaímico
ainda mais macunaímico
vamos pras maracangalhas
cuspir na cara dos canalhas
que tempestade
que atroCidade
que genocida
que golpista
que fascista
que nenhum filha da puta desses
vai
conseguir nos segurar
Artur Gomes
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por Onde Andará Macunaíma?
ITAMAR ASSUMPÇÃO
chega de conversa mole
no me gustan abobrinhas
não suporto lero lero
não me sirvam rocambole
me chamam de nego dito
dizem que sou
bandido
mentira, injúria, calúnia
meu nome não é maldito
medito quando me deito
me meço, me viro, me esqueço
piso no calo e zum me despeço
por linhas tortas infinito
e ao mal entendido de tudo
fica o dito pelo
benedito
Ademir Assunção
Risca Faca – Selo Demônio Negro
2021
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Oficina Narrativas PoÉticas
Alternativa
dispara por dentro
corrói
irrompe
converte
incute
depara-se rindo
ruindo às vezes
poderia ser verso
é rito
alaga gargantas
separa mobílias
as telhas
as moscas
sobre os farelos
poderia ser verso
é vício
Lau Siqueira
Do livro O inventário do pêssego
CASA
VERDE – 2020
Por Onde Andará Macunaíma
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Pátria A(r)mada
as vísceras da Re(s)pública
expostas em mesa posta
pelas lâminas de um punhal verde/amarelo
quem será o filha da puta
que tentará o golpe final
nesse universo paralelo?
Artur Gomes
Pátria A(r )mada – 2022
Prêmio Oswald de Andrade
UBE-Rio – 2020
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https://fulinaimargem.blogspot.com
o andarilho não sabe do tempo que corre, nem da queda da bolsa
de valores. o andarilho desenha natureza nos olhos, encontra a palavra perdida
nos arredores. o andarilho enxerga pássaros sem ninhos, se fixa no que virá. o
andarilho gorjeia como sapo sem lagoa, esperneia poeira do corpo. o andarilho
se desencontra nas ruas, sugere os pés entre aspas e igarapés. o andarilho
inventa caminhos, sinaliza a brevidade da vida.
Dinovaldo Gillioli
tudo nasceu de um bate papo com meu ex parceiro de Kino
3 Tchllo d´Barros, que transformei em EntreVista, ideia que eu já
havia pinçado lá atrás em livro do meu mestre Uilcon Pereira.
Aí o Jiddu
Saldanha gostou da idéia, e criou o portal Artur Gomes EntreVistas no
seu site Sebo do Jidduks, como não posso tocar esse barco sozinho
convoquei também Federico Baudelaire, que em alguns momentos é
o entrevistador.
Agora estando prevista para breve o lançamento do livro Drummundana
Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?
Estou te convidando, responda, e de acordo com suas respostas
podem surgir outras perguntas e assim por diante.
Artur Gomes
Por Onde Andará Macunaíma?
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viagem
nesse meu primeiro voo
viajo do rio grande do sul
ao amazonas
basta pensar que posso
basta pensar que sou
Artur Gomes
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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Fulinaíma MultiProjetos
22 99815-1268 – whatsapp
@fulinaima @artur.gumes
contato: fulinaima@gmail.com
Uma Viagem Ao Pé Da Letra
para mim nunca apareceu a margarida, foi sempre chá de
cogumelo nas pétalas do girassol, o voo só não tem acento na nova ortografia
né? no meu tempo de menino tinha, e eu voava muito mais de São Conrado pra
rocinha do Vidigal para Maré, agora até em Maricá, indo pro morro do Alemão
antes do sol nascer quadrado, ligeiro feito busca pé, para encontrar o Marko
Andrade voo até Santa Teresa, em busca daquela marina/aranha tesa, escondida na
teia do engenho, nos altos da Glória do Estácio, com sua régua seu compasso
Luis Melodia voa morro do Salgueiro e solta a voz com Gonzaguinha, nessa bela
manhã de domingo, mesmo sendo segunda feira e o povo já está no mercado, antes
do sol nascer feliz, e cantar e cantar e cantar na certeza de ser um eterno
aprendiz, porque Copacabana não me engana Cosme Velho, o bruxo ainda não
morreu, li ontem nas cartas de búzio emprestadas por Meg Lee, na cabeça de
cavalo, águia da Portela já voou para Salvador na Bahia conhecer novo vapor,
aqui não tem nada barato, mesmo malhada nada pura, e se eu encontrar o Wally
Salomão, ninguém me prende ninguém me segura.
Artur Gomes
Uma viagem ao pé da letra
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Artur Gomes – FULINAIMAGENS
https://fulinaimagens.blogspot.com/
santíssima trindade
elas passavam rente
enquanto eu
indiferente
filmava uma outra maravilha
na pedra do arpoador
isso lá pelos idos
não vividos
de dois mil e vinte e quatro
onde não tínhamos mais
gal a todo vapor
nas dunas do barato
de fato
qual foi o bicho que deu
na banca do Edir mais cedo
com certeza zebra
com a cara da universal
graças a deus
enquanto minha trindade
passeia sua graça beleza
sensualidade e elegância
que só mesmo quem tem
são as minhas 3 filhas de zeus
Pastor de Andrade
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Por Onde Andará Macunaíma
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A SELEÇÃO BRASILEIRA QUE SE FODA
Não estou torcendo para a Seleção Brasileira. Não estou
conseguindo me empolgar. Não me identifico com nenhum dos jogadores que estão
em campo. Por que deveria torcer para eles? Gosto de jogador maloqueiro, não de
jogador garoto propaganda de Rexona. Quer dizer, gostava. Gostava de jogadores
maloqueiros, mas esses não existem mais. Gostava de Sócrates, gostava de
Serginho Chulapa, gostava de Dadá Maravilha. Gostava dos que jogavam como gente
grande, não como garotos mimados pelo marketing e pelos patrocinadores. Gostava
quando futebol era disputado em estádio e não em arena. Quando não se passava o
ridículo de chamar um estádio de futebol de Morumbis – só se fosse uma tiração
de sarro do Mussum. Gostava quando um craque comemorava um gol socando o ar e
não fazendo dancinhas ridículas ou, pior, muito pior, elevando os braços aos
céus em agradecimento a Deus, com aquela cara de quem está fazendo penitência
sentado num sabugo de milho. Será que não passa pela cabeça desses garotos que
Deus tem assuntos muito mais cabeludos para se preocupar? Por exemplo? Por
exemplo livrar as crianças palestinas das bombas sionistas. Por exemplo desviar
os mísseis americanos endereçados a escolas de meninas iranianas. Tenho boa
capacidade de abstração, mas como posso abstrair que o principal país que está
sediando a Copa do Mundo está em guerra com um dos países que está disputando a
Copa do Mundo? Será que devo apostar no Tigrinho, ou em qualquer uma das bets
que patrocina tanto a Globo quanto a TV Cazé, quem vai ganhar a partida Irã x
EUA? Devo abstrair tudo isso porque há uma máquina trilionária repetindo a todo
instante que devo entrar no embalo geral e vibrar com a Copa do Mundo, que devo
torcer por jogadores que não me dizem porra nenhuma, que devo achar a
transmissão da TV Cazé mais foda do que a da TV Globo? Pra mim é tudo parte de
um monstro que agoniza e deve morrer. Um monstro estúpido e ganancioso, que só
se alimenta de dinheiro. Muito dinheiro. Se estou vendo os jogos? Estou, claro.
Porque eu gosto de futebol. Gosto de futebol bem jogado. Gosto dos golaços do
Messi. Gosto da beleza do balé de Mbappé. O que eu não gosto é de jogadas
trilionárias de patrocinadores. Isso não me diz respeito. Você vai me dizer:
mas sempre houve cartolagem. Sim, mas piorou. Piorou muito. Nunca gostei de
cartolagem. Gosto de futebol bem jogado e gosto de torcer para a várzea. Sei
que não vão longe, mas torço para o Haiti, para a Tunísia, para a Costa do
Marfim, para a dignidade dos maloqueiros e fodidos. Esse cassinão que mistura
bets, bola rolando, comentaristas sofríveis e celebridades nos camarotes não me
empolga. O que me empolga é o replay do gol de mão de Maradona contra a
Inglaterra. O que me empolga é a lembrança de Sócrates deslocando o zagueiro
com um toquinho de calcanhar. O que me empolga são os versos de Allen Ginsberg:
“I saw the best minds of my generation destroyed by madness”.
a aranha tece e a gente apanha
A gente apanha leva porrada o facebook não diz nada, mas quando a gente bate mete o dedo na ferida
esse mesmo facebook não permite que denunciamos, os fascistas golpistas
genocidas neo nazistas, que dominam os algorítimos desse sistema podre dominado
pelos USA e Cia.
EuGênio Mallarmè
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Por Onde Andará Macunaíma
Rock Goytacá
Hoje numa manhã de domingo ouvindo Meu Nome é Gal, enquanto
admirava Pitty, tomando banho de sol, no quintal da Estação 353, Evita Peron
soltava cachorros e leões em frente do portão de entrada do cerrado contra o
TariFlávio e mandava o genocida TrumPinicão chupar um prego nos quintos do
Central Park, com sons dos chicotes pontiagudos de Peron de Saramargo.
Enquanto isso, O the Brazilian Jazz singer Pericles Emmanuel,
era aplaudido freneticamente em seu concerto de vozes na Quarta Avenida de
Vênus, cantando o Blues de Luiz Ribeiro, Alguma Coisa Vai Acontecer no 401.
Enquanto Rock Goytacá não tem.
Federico Baudelaire
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por Onde Andará Macunaíma?
Entre Vistas – com Líria Porto
tudo nasceu de um bate papo com meu ex parceiro de Kino 3 Tchllo d´Barros, que transformei em EntreVista, ideia que eu já havia pinçado lá atrás em livro do meu mestre Uilcon Pereira. Ai o Jiddu Saldanha gostou da idéia, e criou o portal Artur Gomes EntreVistas no seu site Sebo do Jidduks, como não posso tocar esse barco sozinho convoquei também Federico Baudelaire, que em alguns momentos é o entrevistador.
*
líria
porto – de araguari, mg – é autora dos livros borboleta desfolhada e de
lua, publicados em portugal em 2009; asa
de passarinho e garimpo (este finalista
do prêmio jabuti – poesia – 2015) pela editora lê; cadela prateada – editora penalux em 2016; olho nu – editora patuá, 2017 e do blogue tanto mar (o livro sem
pecado não tem salvação será publicado brevemente pela editora crivo). participou de algumas antologias,
entre elas dedo de moça – escritoras
suicidas – e cartas embaralhadas.
tem poemas publicados em vários jornais, revistas e sites.
*
Artur
Gomes - Como se processa o
seu estado de poesia?
Líria Porto- uma palavra, uma imagem, um
cheiro, uma sombra, um desejo – qualquer coisa acende a chispa!
Artur
Gomes - Seu poema preferido? Próprio. Ou de outro poeta de sua
admiração.
Líria Porto - há inúmeros poemas que
gosto... o preferido? pelo menos um deles, o que me lembrei de pronto, e que
tinha de ser do drummond:
Congresso
Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Artur
Gomes - Qual o seu poeta de cabeceira?
Líria Porto - carlos drummond de andrade
Artur
Gomes - Em seu instante de criação existe alguma pedra de toque,
algo que o impulsione para escrever?
Líria Porto - um lápis, um pedaço de papel e
algum silêncio são suficientes...
Artur
Gomes - Livro que considera
definitivo em sua obra?
Líria Porto - garimpo, gosto do livro! ficou
finalista do jabuti com merecimento...
Artur
Gomes - Além da poesia em verso já exercitou ou exercita outra forma de
linguagem com poesia¿
Líria Porto - a poesia é minha praia, embora
eu adorasse escrever prosa, no entanto meu fôlego é curto, no máximo um pequeno
conto...
Artur
Gomes - Qual poema escreveu quando teve uma pedra no meio do
caminho¿
Líria Porto - muitos! um deles?
bloqueio
nada é tão
intransponível
quanto um
muro imaginário
*
Artur
Gomes - Revisitando Quintana: você acha que depois dessa crise
virótica pandêmica, quem passará e quem passarinho?
Líria Porto - o individualismo passará,
espero...
a poesia fica!
Artur
Gomes - Escrevendo sobre o livro Pátria A(r)mada, o poeta e
jornalista Ademir Assunção, afirma que cada poeta tem a sua tribo, de
onde ele traz as suas referências. Você de onde vem, qual é a sua tribo?
Líria Porto - minha tribo é a gente simples
do interior de minas gerais
Artur
Gomes - Nos dias atuais o que é ser um poeta, militante de poesia¿
Líria Porto - uma pessoa como as outras,
talvez mais solitária, mais tímida, mais introspectiva...
Artur
Gomes - Que pergunta não fiz que você gostaria de responder?
Líria Porto - o que é a vida?
nem
comédia nem tragédia
a vida é
um drama – uma novela
mexicana
Artur Gomes
Fulinaíma
MultiProjetos
com
os dentes cravados na memória
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Balbúrdia
PoÉtica
limpos
prafrentex moderninha
(minissaia batom rímel)
namorava deus e o mundo
porém fumante – impossível
a cabeça tonteava
tinha náusea/enjoo/engulho
muita inveja das amigas
das irmãs que conseguiam
baforadas de fumaça
competência de atrizes
(no vexame do passado
os pulmões sem nicotina)
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Por Onde Andará Macunaíma?
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as flechas certeiras
de Líria Porto
abate
não
sei não sabes
não sabemos
em que dia mês ano
manhã tarde ou noite
a morte com sua foice
fará a nossa colheita
enquanto seu lobo não vem
chapeuzinho na floresta
canta dança
floreia
- a vida é (f)esta -
* líria porto
*
guilhotina
arredou o corpo
rareou os beijos
e pé ante pé
sem dizer paulada
foice
* líria porto
(para Rosa
Ataide um poeminho antiiiigo)
*
confiável
mesmo que me custem
caro
cumpro as promessas
que me faço
Líria Porto
*
na calada da noite
adoro quando ele rouba
palavras da minha boca
Líria Porto
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Por Onde Andará Macunaíma?
Evita Peron
Ela só quer querer ser dela, vive em outras aldeias entre
outros povos e deixa meus desejos outros entre versos no papiro, suspiro em
solidão distante, no instante, que ela vai cumprir compromissos outros, que não
assumiu comigo, rio muito quando ela passa, passageira das viagens tantas, e chega na lembrança, a visão primeira, segunda ou quarta-feira, ela
promete mas sempre foge quando a lua é nova, e ela vai pra boa vista festejar
em rio branco e eu aqui cortando unhas e cortando os dedos que ainda tenho em
cada pé, como se fossem os realejos de Sthefane Mallarmè -
Federico Baudelaire
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fala de lá que eu canto de cá
Tutu Gomes
Segue afiando os gumes
Despertando mais histórias
E não há celular que apague
O que ficou em nossas memórias
Se hoje Macuco é teu pouso
Itacoatiara não te nega
Copacabana te aquece
Enquanto Piracicaba te espera
Itaipu enseada dos velhos índios
Venera os passos e versos do poeta
Nas matas e nos ares
Maritacas se alvoroçam
Gaviões se desesperam
Nesse mar de tartarugas
Até as baleias dançam
E tudo mais acontece
PCiranda 23.06.2026
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poema para o povo
em tempo de abertura
quando você descobrir
que no meu quarto moram
exilados e subversivos,
perceberá o perigo
de dormir comigo
numa cama fria de uma Frei Caneca
ou se mandar de vez
para a esquerda de Jesus!
quando das grades,
paredes e muros
descobrir amor,
o povo estará liberto
e poderá seguir: Fidel
Guevara Pabblo Neruda ou
Luther King
- sem precisar pedir esmola –
basta lembrar
que o aborto
da manhã perdida
é uma menina-nua
in-consciente e tesa
e para o que já foi deposto:
mais vale o céu
a estrela
o mar,
que o punhal ou sabre,
ou mesmo a bomba sábia
que de uma vez arrasa
mas não basta por si só
pois se os sinais dos templos
ainda não ruíram
é porque alguma coisa ainda existe
por detrás das crenças
ou mesmo desse Deus
em quem acreditamos
e para o que foi detido:
mais vale a terra
o trigo
o grão
que a navalha ou corda –
que amarra
prende
e corta
mas não basta
não reforça
e nem destrói
tudo de uma vez
- porque renasce e continua ...
e para a morte :
não é preciso golpes
nem estrelas
nem estradas
e para o povo
não é preciso o golpe
nem promessas
nem palavras
é preciso pão
Artur Gomes
na coletânea Ato 5
Coleção UNIVERSO
Campos dos Goytacazes-RJ – 1979
Obs.: este poema foi o vencedor do III Festival de Poesia
Falada de Campos, na época realizado pelo Departamento Municipal de Cultura,
que tinha em sua direção o saudoso poeta e jornalista Prata Tavares
Em 1980 fui levado por Osório Peixoto, para participar da
Semana de Cultura no SESC da Tijuca, que era coordenado pelo professor Ivan
Cavalcanti Proença. Quando no palco, terminei de falar este poema, fui
conduzido para uma sala, por um soldado da PF para um interrogatório que durou
mais ou menos umas 6 horas. Só fui liberado na madrugada quase ao raiar de um
novo dia depois daquela noite escura. Tinha uma namorada na época, de nome
Maria Helena, estudante do Colégio Benetti, onde Ivan Proença era o responsável
pela cadeira de cultura popular, e a noite me levou para um bate papo com sua
turma sobre O Boi-Pintadinho, livro que havia acabado de lançar.
*
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Balbúrdia PoÉtica 78
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 julho/2026 – 18:30h
4º Festival Gastronômico
São Fidélis-RJ
*
Participações especiais:
*
Adriana Porto +Aline Reis + Ana Rita Gonçalves + Cláudio Valente + Geraldo
Chocolate + Gustavo Policarpo + Ronaldo Barcelos + Valdemy Braga
*
o tecido do amor já esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro Itaocaras
e persigo outras ilhas
na carne crua do teu corpo
amanheço alfabeto grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de lótus flor de cactos flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
Hilda Hilst quando então se me amasse
ardendo em nós salgado mar e Olga risse
pulsando em nós flechas de fogo se existisse
por onde quer que eu te cantasse ou Amavisse
Artur Gomes
Juras Secretas - Penalux – 2018
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Itinerário
Levava a alma a passear:
todas as manhãs
quarava a alma
esquentava os ossos
era preciso espantar
o pó dos dias
olhava as folhas
tapete que pisava
e repisava
quem sabe
seria seu último dia?
Nesses momentos
o banco, o parque,
as árvores,
o mundo,
tudo era quase seu.
De seu
no entanto
havia apenas
seu coração
batendo, batendo
e seu corpo
que, em breve,
seria pó e só.
Claudia Manzollilo
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Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 julho 2026 – 18:30h
4º Festival Gastronômio
São Fidélis-RJ
Roteiro
manifesto anti-barbárie
com os dentes cravados na memória
1
Magnólia Faria e Ronaldo Barcelos
apresentam Artur Gomes e anunciam os participantes: Geraldo Evangelista(Chocolate),
Aline Reis. Valdemy Braga, Ana Rita Gonçalves e Adriana Porto, que
se posicionam na primeira fila.
1
Artur
Gomes
*
o delírio
é a lira
do poeta
se o
poeta não delira
sua lira
não concreta
*
nesta
cidade/poema
ganhei
prêmio com música
em mil
novecentos e setenta e quatro
com meu
parceiro Ciranda
um fidelense arretado
em nossas
Baladas Pros Mortais
um
violeiro sagrado
em
rodas de Boi-Pintadinho
levei
muita gente ao Torquato
em
marcantes semanas culturais
com
teatro poesia cinema
entre
afetos amizades carinho
nesta
cidade/poema
com o
nosso Caminho de Paz
abrimos novos caminhos
*
Falo
sobre o projeto Balbúrdia PoÉtica, sobre a minha relação com São Fidélis, faço
uma homenagem a memória de Mauri Simão, Fidélis Pereira e Antônio Roberto
Fernandes e falo sobre minha parceria com Paulo Ciranda, responsável por essa
travessia que tenho com a cidade iniciada em 1974. No 4º Festival de Música de
São Fidélis.
*
Convido
para o palco: Ronaldo Barcelos, Geraldo Evangelista(Chocolate), Aline Reis e
Valdemy Braga. Ana Rita Gonçalves e Adriana Porto
ê fome
negra incessante
febre
voraz gigante
e terra
de tanta cruz!
onde se
deu primeira missa
índio
rima com carniça
no pasto
pros urubus
*
terceiro
mundo
sonho
rola no parque
sangue
ralo no tanque
nada a
ver com tipo dark
muito
menos com punk
meu vício
letal é baiafro
com ódio
mortal de yanke
*
anti/lírica
eu não
sou zen
muito
menos zhô
nem tão
pouco zapa
nem ando
na contra capa
do teu
disquinho digital
não
alinho pela esquerda
nem à
direita do fonema
vôo no
centro/viagem
olho
rasante/miragem
veia
pulsante/poema
*
Jura
Secreta 53
sagaraNAgens
fulinaímicas
guima
meu
mestre
guima
em mil
perdões eu vos peço
por esta
obra encarnada
na carne
cabra da peste
da Hygia
Ferreira bem casta
aqui nas
bandas do leste
a fome de
carne é madrasta
ave
palavra profana
cabala
que vos fazia
veredas
em mais Sagaranas
a Morte
em Vidas/Severinas
tal qual
antropofagia
teu
grande Sertão vou cumer
nem João
Cabral Severino
nem
Virgulino de matraca
nem meu
padrinho de pia
me
ensinou usar faca
ou da
palavra o fazer
a
ferramenta que afino
roubei do
mestre Drummundo
que o diabo GiraMundo
é o Narciso do meu Ser
*
Falo
sobre as características do projeto, e em quais formatos podem ser executados
*
3
não sou
iluminista nem pretender
eu quero o cravo e a rosa
cumer o verso e a prosa
devorar a lírica a métrica
a carne da musa
seja branca negra amarela
vermelha verde ou cafuza
eu sou do mato
curupira carrapato
sou da febre sou dos ossos
sou da Lira do Delírio
São Virgílio é o meu sócio
Pernambuco Amaralina
vida breve ou sempre vida/severina
sendo mulher ou só menina
que sendo santa prostituta
ou cafetina devorar é minha sina
e profanar é o meu negócio
*
Jura
secreta 18
te beijo
vestida de nua
somente a
lua te espelha
nesta
lagoa vermelha
porto
alegre caís do porto
barcos
navios no teu corpo
os peixes
brincam no teu cio
nus teus
seios minhas mãos
as rendas
finas que vestias
sobre os
teus pelos ficção
todos os
laços dos tecidos
aquela
cor do teu vestido
a pura
pele agora é roupa
o sabor
da tua língua
o batom
da tua boca
tudo
antes só promessa
agora
hóstia entre os meus dentes
e para
espanto dos decentes
te levo
ao ato consagrado
se te
despir for só pecado
é só
pecar que me interessa
*
*
4
Alice
para
Alice Melo Monteiro Gomes
A música
está no bico dos pássaros
na pétala
da lamparina
no
caracol dos teus cabelos
no
movimento dos músculos
no m das
tuas mãos
nada mais
sagrado
do que
teus olhos acesos
para me
iluminar na escuridão
*
Pátria
A(r)mada
Deus não
joga dados
mas a
gente lança
sem nem
mesmo saber se alcança
o
número que se quer
mas
como me disse mallarmè :
- vida
não é lance de dedos
A
vida é lança de dardos
Deus
não arde no fogo
mas eu
ardo
*
Bolero
Blue
beber
desse conhac em tua boca
para
matar a febre nas entranhas
entre
dentes - indecente é a forma
que te
como bebo ou calo
e se não
falo quando quero
na balada
ou no bolero
não é por
falta de desejo
é que a
fome desse beijo
furta
qualquer palavra presa
como caça
indefesa
dentro da
carne que não sai
*
Falo
sobre as próximas edições da Balbúrdia, e em que cidades elas irão acontecer
*
5
Itabapoana
Pedra
Pássaro
Poema
eu nasci
concreto
na
horizontal - ereto
depois
fui me abstraindo
me
substantivando me substituindo
criando
outros e outras criaturas
em minhas
estruturas amorais do ser
eu nasci
assim e fui me associando
a outras
escritas as que foram ditas
a
outras não ditas
as
benditas as malditas
as que
disseram minhas
e a
outras que raptei de outros
pela
minha nova maneira
natural
de ter resistência a toda
qualquer
coisa que não
é
e as que
são coloco como cartas
sobre a
mesa para surpresa
de ver
que todo santo dia é dia d
*
era uma
vez um mangue
e por
onde andará Macunaíma?
na tua
carne
no teu
sangue
na medusa
no teu osso
será que
ainda existe
algum
vestígio de Macunaíma
na veia
do teu pescoço?
*
*
6
Drummundana
Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?
cavalgo
em tua poesia
Salgado
não sei
se em ti me afago
ou
se me afago por ti
*
fulinaimicamente
voz digo:
o meu ser
macunaímico
antropofagicamente
não tem
pudores no gesto
não
presto porque te amo
te amo
porque não presto
muito
menos travas na língua
com faca
foice navalha
decepei a
íngua
para não
morrer à míngua
*
era uma
vez um mangue
e por
onde andará Macunaíma?
na tua
carne
no teu
sangue
na medula
no teu osso
será que
ainda existe
algum
vestígio de Macunaíma
na veia
do teu pescoço?
*
jura
secreta 26
eu sou
Drummundo
e me
cofundo na matéria amorosa
posso
estar na fina flor da juventude
ou
atitude de uma rima primorosa
e até na
pele/pedra
quando me
invoco
e me
desbundo baratino
e então
provoco
um
barafundo Cabralino
e meto
letra no meu verso
estando
prosa
e vou pro
fundo
do mais
fundo
o mais
profundo
mineral
Guimarães Rosa
*
*
7
terra de santa cruz
ao batizarem-te
deram-te o nome:
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro
ouro prata rios
peixes minas mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme
salgado mar de fezes
batendo nas muralhas
do meu sangue confidente
quem botou o branco
na bandeira de alfenas
na certa se esqueceu
das orações dos penitentes
e da corda que estraçalha
com os culhões de Tiradentes
salve lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rendez-vous de impérios atrás
meu coração
é tão hipócrita que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram
no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta
só desfraldando
a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
dessa terra tão servil
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu
1º de Abril
telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
ate hoje não vieste à minha porta
o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal quarta feira
na Geléia Geral brasileira
o céu de abril não é de anil
nem general é myBrazyl
minha verde/amarela esperança
Portugal já vendeu para França
e coração latino balança
entre o mar do dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul
o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que há muito índio dizia:
meu coração marçal tupã
sangra tupy& rock androll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola & guaraná
o sangue rola no parque
o sonho ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
e muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank
ó baby a coisa por aqui
não mudou nada
embora sejam outras
siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema
Artur Gomes
poemas dos livros Couro Cru & Carne Viva – 1987 e Pátria A(r)mada
Editora Desconcertos – 2022
Por Onde Andará Macunaíma?
https://arturkabrunco.blogspot.com/























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