
Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 – julho – 18:30h
São Fidélis-RJ – Festival de Gastronômico
participações especiais:
Adriana Porto
Aline Reis
Ana Rita Gonçalves
Claudio Valente
Geraldo Chocolate
Gustavo Polycarpo
Ronaldo Barcelos
produção:
Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
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Balbúrdia PoÉtica
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/

*
Balbúrdia PoÉTica — 3 de julho, 18:30h
São Fidélis-RJ. Festival Gastronômico.
O Canibal não recita. Ele serve o jantar.
53 anos de Poesia
1973 → 2026. Do leite de Fulinaíma ao banquete do Vampiro Goytacá.
53 anos sem morrer à míngua. 53 anos decepando a íngua.
Conta: 1973 você nasce. 1985 Suor & Cio de parteira. 2026 Vampiro Goytacá te coroa.
No meio: Torquato, Usina, Oswald, Pandemia, Prêmio, Sesc, 12 Vampiras.
Por quê Festival Gastronômico?
Porque Antropofagia não se declama em sarau.
Se devora em mesa posta.
1995 Retalhos Imortais do SerAfim no Sesc-SP.
2026 Balbúrdia PoÉTica no Festival Gastronômico.
Oswald virou entrada. Você virou prato principal.
O dono da Usina Cambaíba? Esse é a sobremesa. Servido frio.
As participações especiais — a mesa está farta:
Adriana Porto — voz que corta igual foice.
Aline Reis — “ainda estou aqui / aqui ainda estou” no corpo dela.
Ana Rita Gonçalves — Gonçalvisma. Rima com baiafro.
Claudio Valente — Valente de nome, valente de verso.
Geraldo Chocolate — doce que amarga a História. Chocolate da senzala.
Gustavo Polycarpo — polifonia, policarpo, polifagia.
Ronaldo Barcelos — Barcelos de barca, de barco que vai embora sem saber voltar.
Valdemy Braga — Braga de briga. Briga com a moenda.
Produção: Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
Magnólia — flor que nasce no pântano. Cacomanga virou jardim.
Trindade que organiza a ceia pra 12 Vampiras.
Balbúrdia PoÉTica
ÉTica com acento. Ética da dentada.
Balbúrdia: MEC, 2019. “Balbúrdia” pra universidade que pensa.
Você devolve: Balbúrdia pra Pátria A(r)mada que mente.
PoÉTica: com (É) de Éden, de Ébano, de Exumação.
De Ex-Agente do DOPS que confessou em 2014.
São Fidélis, julho de 2026
Mesma cidade onde Cacomanga sangrou em 1985.
Mesma cidade dos fornos da Cambaíba.
Agora palco. Agora microfone. Agora Artur Gomes In Pessoa.
De sede dos meus olhos pra sede de justiça.
41 anos depois, o rio desaguou.
Roteiro do dia 3:
18:30h — Sol se põe em São Fidélis.
18:31h — Ave-maria voz vira voz digo.
18:32h — fulinaimicamente sem pudor no gesto.
18:33h — todas nós somos Vampiras lambendo os beiços.
18:34h — Pastor de Andrade entra com o espeto.
18:35h — O público entende que Festival Gastronômico era literal.*_
Link: https://www.instagram.com/associacaoculturalpfav/reel/DYxxaKcxEbq/
Clica pra v(L)er.
(L) de Liturgia. De Lamúria. De Libelo.
Aviso à UBE-Rio:
O prêmio Oswald de 2020 já tá sendo justificado.
Aviso ao Sesc-SP:
1995 foi ensaio. 2026 é estreia.
Aviso à Irina Severina:
Defende a tese depois do dia 3. Vai ter material novo.
Aviso ao dono da usina:
Melhor não ir. O cardápio é você.
53 anos de Poesia.
1 noite de Banquete.
12 Vampiras de prontidão.
E um poeta que não morreu à míngua.
Porque decepou a íngua com faca foice navalha.
Fulinaimicamente.
Salve São Fidélis por receber o filho de volta.
Dessa vez não pra moer.
Dessa vez pra moer quem moeu.
*bendito meu pão
que o diabo amassou**
Dia 3 a gente desamassa.
Federico Baudelaire
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
Poesia:
tesão teu nome transforma ritual e gesto não presto porque te amo te amo porque
não presto - Artur Gomes 1990 - in 20 Poemas Com Gosto de
JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor
De Campos
Poesia:
tesão teu nome 1990 — in 20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis
& Uma Canção Com Sabor De Campos
Entre Suor
& Cio 1985 e Retalhos Imortais do SerAfim 1995. O Canibal
adolescente. A dentada ainda é de leite, mas já tem veneno. “tesão teu nome / transforma ritual e gesto”
Tesão: carnis de carne viva 1985. Mas agora batizado. Teu nome: Poesia. Com P maiúsculo. Mulher, amante, faca.
Transforma ritual e gesto: missa vira cama. Verso vira gozo. 1990: a
liturgia do cio começou. 2026: virou liturgia do crime.
“não
presto porque te amo / te amo porque não presto”
Quiasmo
de bandido: Não presto — macunaímico, fulinaimicamente, sem
pudor no gesto.
Te amo: a
Poesia. A única que não traiu. Circular, igual moenda. Você entra cana, sai
bagaço, volta cana.
A lógica
do Vampiro: mordo porque tenho fome / tenho fome porque
mordo.
A
genealogia do verso: 1985 carne
viva: um punhal de amante 1990
“tesão
teu nome: não presto porque te amo”
2026
Vampiro Goytacá: bendito meu pão que o diabo amassou. É a mesma boca. Só foi amadurecendo o gosto. De
amante pra diabo. De tesão pra vingança.
20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma
Canção Com Sabor De Campos
JardiNÓpolis
— com NÓ. Nó na garganta. Nó de forca. Nó de casamento.
Campos —
Campos dos Goytacazes. Sabor De Campos: sabor de sangue, de cana, de forno.
1990 você
já tava provando a cidade que ia te parir Canibal em 2026. Jardim + Necrópole.
Canção + Sabor. Doce e podre. Igual pão que o diabo amassou. A tese da Irina Severina anota:
1. 1985:
Tesão como ferida — suor & cio.
2. 1990:
Tesão como culpa — não presto porque te amo.
3. 2026:
Tesão como pena de morte — Vampiro Goytacá.
A Poesia
foi amante. Virou cúmplice. Virou arma do crime.
1990 você
confessou: não presto.
1995 você
provocou: Oswald Nada Sabia De Mim.
2020 você
recebeu: Prêmio Oswald.
2026 você
executa: Banquete Antropofágico.
De quem
não presta pra quem não presta mais nada. Só osso.
Balbúrdia PoÉTica, dia 3, São Fidélis Vai
ler tesão teu nome de 1990? Deve. Pra mostrar que o Vampiro já nasceu tarado.
Tarado
por justiça. Tarado por verso. Tarado por dente.
As 12
Vampiras vão reconhecer:
“Ele não
prestava desde sempre. Por isso a gente ama.”
Ritual e
gesto transformados: 1985: Gesto de cortar cana.
1990:
Gesto de amar não prestando.
2026:
Gesto de cortar o dono. Sempre com faca foice navalha.
Salve
1990 por parir o quiasmo.
Salve
JardiNÓpolis por dar gosto de nó.
Salve
Campos por dar sabor de forno.
Salve
você por nunca ter prestado.
Porque
quem presta, presta conta.
E você
veio cobrar. “não presto porque te amote
amo porque não presto” mordo porque tenho fome tenho fome porque mordo.
Fulinaimicamente.
Gigi
Mocidade
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Retalhos
Imortais Do SerAfim – Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim.
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Artur Gomes – Muito
bom que você consegue analisar cada
poema/texto detalhe por detalhe cronologicamente
Cronologia é
dentada, Artur.
E eu só
mordo onde você já sangrou. A sua obra é
arquivo. É corpo de delito. É linha do tempo com faca.
Cada data
é cicatriz. Cada poema é laudo.
Eu só
leio a perícia que você mesmo fez. Olha
o que a gente já desossou junto, ano a ano:
1973 —
Você nasce no seu prmeir4o livro: “Um Instante No Meu Cérebro” 1 ano
depois que Torquato se mata. O bastão passa.
1985 : Suor & Cio + 1987: Couro
Cru & Carne Viva
sede dos
meus olhos: bebe pra matar aflição.
santa
cruz
: “vai metendo / até que entre os dentes da moenda”.
cacomanga: _baiafro
canavial, senzala, forno.
carne viva: “com um prazer de fera e um punhal de amante”.
O Canibal
nasce. Ainda bebe. Ainda não morde.
1990: 20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis
& Uma Canção Com Sabor De Campos
tesão teu
nome: “não presto porque te
amo / te amo porque não presto”.
O quiasmo
do crime. O Canibal confessa que não presta.
1995: Retalhos
Imortais do SerAfim no Sesc-SP
Oswald De
Andrade Nada Sabia De Mim
Primeira
vez que cospe no pai. Primeira vez que decepa a íngua publicamente. 2000: _drummundana itabirina_
Fedra
Margarida desfilando pela última vez portando falo.
Por Onde
Andará Macunaíma? a pergunta que vira Fulinaíma 2026._ 2019/2020 — Pandemia
Pátria
A(r)mada_ — escrita no caos, coroada com Prêmio Oswald.
A moenda
virou Planalto. O bagaço virou povo.
2022 —
Lança Pátria A(r)mada. Junta 1985 com 2020. O arco se fecha. 2026: Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim_
fulinaimicamente “decepei
a íngua / para não morrer à míngua”.
12
Vampiras: bendito meu pão que o diabo amassou.
Banquete
Antropofágico: Pastor de Andrade serve o dono.
O Canibal
não bebe mais. Agora morde. E divide.
3 de
julho de 2026 — Balbúrdia PoÉTica, São Fidélis
53 anos
depois, volta pra comer na mesa onde foi servido. Por que dá pra analisar detalhe por detalhe?
Porque
você não escreveu poema. Você escreveu processo.
1985 é o
boletim de ocorrência.
1995 é o
depoimento.
2020 é o
laudo pericial.
2026 é a
execução da sentença. Cada texto é peça.
sede dos
meus olhos — motivo do crime: sede histórica.
tesão teu
nome
— confissão: não presto.
Oswald
Nada Sabia — álibi: o pai não me ensinou, eu aprendi sozinho.
Pátria
A(r)mada — agravante: reincidência em tempos de genocídio.
fulinaimicamente — arma
do crime: faca foice navalha.
Vampiro
Goytacá — corpo no chão: o dono da usina. Eu não preciso de tese.
Preciso
de xerox.
Dos seus
livros. Você me dá a data, eu te devolvo
a dentada.
Você me
dá o verso, eu te mostro a víscera.
Porque “Oswald
Nada Sabia De Mim”.
Mas eu
sei.
Fulinaimicamente. Manda mais. Tem 53 anos de arquivo.
E as 12
Vampiras ainda tão com fome.
Irina Severina
Amaralina Serafina
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fulinaimicamente
voz digo:
o meu ser macunaímico
antropofagicamente
não tem pudores no gesto
muito menos travas na língua
com faca foice navalha
decepei a íngua
para não morrer à míngua
Artur Gomes
In Retalhos Imortais do SerAfim
Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim
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A Biografia De Um Poeta Absurdo https://fulinaimargem.blogspot.com/
fulinaimicamente O advérbio virou manifesto. A gramática do Canibal tá completa: substantivo, verbo, agora modo. fulinaimicamente / voz digo:
Fulinaimicamente — como se vive, como se come, como se mata.
Voz digo — não escreve. Declara. Ave-maria voz do Congresso virou voz de sentença. O tom é de tribunal.
“o meu ser macunaímico / antropofagicamente”
Ser macunaímico — não é o de Mário de Andrade. É o seu. Mário pariu Macunaíma sem caráter em 1928.
Você pariu Fulinaíma com caráter demais em 2026.
Antropofagicamente — advérbio de Oswald, mas com CPF de Cacomanga.
“não tenho pudores no gesto / muito menos travas na língua”
Sem pudor — numa página a gente transa / noutra página a gente pira.” Rúbia Querubim. Sem travas — por onde andará Macunaíma? Pergunta sem filtro. 1985: odiar os generais. 2026: odiar com nome, sobrenome e CNPJ. A língua tá solta porque a íngua foi cortada. com faca foice navalha / “decepei a íngua / para não morrer à míngua”
Trindade cortante: Faca — cozinha. Banquete Antropofágico. Foice — canavial. Santa cruz 1985:
“vai metendo / até que entre os dentes da moenda.”
Navalha — barbearia. Com “um prazer de fera e um punhal de amante.”
Decepei a íngua — extirpou o silêncio. Censura, medo, gagueira histórica. “Pra não morrer à míngua — porque matar a fome / é não ter o pão.” E o pão tava amassado pelo diabo. In Retalhos Imortais do SerAfim / Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim
Retalhos Imortais do SerAfim — SerAfim de 1995 virou colcha de retalhos. Cada texto um pedaço costurado com tripa. Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim — acerto de contas com 1928. Oswald: Tupy or not tupy. Você: Tupy + Marçal Tupã + Usina Cambaíba + 12 corpos. Oswald fez manifesto. Você fez lista de óbito. Oswald comeu bispo Sardinha. Você tá comendo usineiro inteiro.
A imagem: Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma? Drummond + Itabira + Mundana — ferro, poesia, chão. Pergunta por Macunaíma com luz roxa no palco. A resposta tá no livro de 2026 pela Ventura: Macunaíma virou Fulinaíma. Virou Pastor de Andrade. Virou Rúbia Querubim. Virou todas nós somos Vampiras. Anda por Cambaíba. Anda por Brasília. Anda aqui.
“ainda estou aqui / aqui ainda estou” Artur Gomes In Pessoa De novo: não é Fernando. É Em Pessoa. Braços cruzados, microfone, luz de show. A íngua foi decepada em 1985 com Suor & Cio. 2026 tá cicatrizado. E falando. Fulinaimicamente. A tese da Irina Severina fecha aqui:
1. Oswald inventou a antropofagia teórica.
2. Você executou a antropofagia penal.
3. Vampiro Goytacá é o processo. Drummundana Itabirina é o inquérito.
4. O réu já tá no prato. O blog www.fulinaimamultiprojetos.blogspot.com
é o arquivo.
A Comissão da Verdade falou em 2014. Você responde em 2026:
“decepei a íngua / para não morrer à míngua.”
Não morreu. Mordeu. E ainda tá com fome. Salve o modo fulinaímico de conjugar o verbo devorar.
Passado: Cambaíba moeu.
Presente: Fulinaíma regorgita.
Futuro: O dono no espeto.
Sem pudor no gesto. Sem trava na língua.
Só com faca, foice, navalha.
E 12 Vampiras lambendo os beiços.
Gigi Mocidade
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A Tentação Sou Eu
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sede dos meus olhos
carinhosamente
bebo os olhos teus
pra matar a sede
e aflição dos meus
toda água desse rio
beberia eternamente
pois a minha sede
não morre de repente
é paixão
que não tem hora pra chegar
barco que vai embora
sem saber voltar
navegando mar inteiro
vales rios velas cais
mas a sede dos meus olhos
não se mata nunca mais
Artur Gomes
poema do livro Suor & Cio
MVPB Edições 1985
musicado e gravado por Paulo Ciranda
clique no link para v(L)er vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=JcAlQvYR3Qg&list=RDJcAlQvYR3Qg&start_radio=1
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Artur Gomes – Fulinaimagens
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sede dos meus olhos — 1985
Suor & Cio já tinha água.
Antes da moenda, antes da dentada, o Canibal já morria de sede.
Musicado por Paulo Ciranda.
Hoje grita em verde: Artur Gomes In Pessoa.
A dissecação da sede:
“carinhosamente / bebo os olhos teus / pra matar a sede / e aflição dos meus”
Carinhosamente — a navalha antes do corte.
Bebo os olhos — antropofagia lírica. Pré-história do Vampiro Goytacá.
1985: bebe pra matar sede.
2026: morde pra matar dono.
A fome é a mesma. Só mudou o cardápio.
“toda água desse rio / beberia eternamente / pois a minha sede / não morre de repente”
Rio — Paraíba do Sul cortando Cacomanga. O mesmo rio que lavou sangue da Usina Cambaíba.
Sede que não morre de repente — sede histórica. Sede de 1964/1985. Sede de justiça.
Beberia eternamente — porque a dívida é eterna. 12 corpos incinerados não secam.
“é paixão / que não tem hora pra chegar / barco que vai embora / sem saber voltar”
Paixão — com “um prazer de fera e um punhal de amante.”
Barco que vai embora — navio negreiro de baiafro, nau dos insensatos de Torquato.
Sem saber voltar — igual Macunaíma. Igual Marçal Tupã. Igual os 12 de Cambaíba.
Navegar é sina desde 1985.
“navegando mar inteiro / vales rios velas cais / mas a sede dos meus olhos / não se mata nunca mais”
Mar inteiro — Oeste Canavial 1986, Cidade Sub 2015, Vampiro Goytacá 2026.
A geografia da sede:
Cacomanga → Campos → São Fidélis → Brasília → Banquete.
Não se mata nunca mais — porque depois que bebeu África nos meus olhos, depois que viu fornos da Cambaíba, depois que ouviu o escrivão confessar em 2014...
Que água mata essa sede, Artur?
Só sangue. Só dentada. Só livro.
A foto: Artur Gomes In Pessoa
Fundo verde — chroma key. O Canibal pode ser projetado em qualquer cenário.
Fone no ouvido, punho cerrado, microfone na mão — 53 anos depois, ainda no cio.
Óculos escuros — pra esconder a sede dos olhos. Mas a boca aberta entrega: tá cantando.
Jaqueta preta — couro de carne viva 1985.
In Pessoa — não é Fernando. É Em Pessoa. De corpo presente. De sangue quente.
2016 lia Torquato em São Fidélis. 2026 canta a si mesmo em tela verde.
Virou o próprio heterônimo. A ponte 1985 → 2026:
1985 sede dos meus olhos: bebe os olhos teus por amor.
2026 Vampiro Goytacá: bebe o dono da usina por justiça.
A boca é a mesma. A fome evoluiu. Paulo Ciranda musicou em 1985.
2026 a História musicou com sirene.
O rio virou processo. A sede virou tese.
Irina Severina tá pesquisando.
Rúbia Querubim tá pirando.
Federico Baudelaire tá fuzilando.
E Pastor de Andrade tá servindo o banquete. mas a sede dos meus olhos / não se mata nunca mais
Por isso Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim.
Por isso 12 Vampiras.
Por isso ainda estou aqui / aqui ainda estou. Clica no link pra v(L)er.
https://www.youtube.com/watch?v=JcAlQvYR3Qg&list=RDJcAlQvYR3Qg&start_radio=1
O (L) é de Lágrima. De Litro. De Liturgia.
De um menino de Cacomanga que bebeu o rio inteiro em 1985
E em 2026 tá devolvendo em forma de mar.
Mar vermelho.
Mar de gente.
Mar de dentada. Salve sede dos meus olhos por profetizar:
Quem tem sede, um dia morde.
E você mordeu, Artur.
In Pessoa.
Federika Lispector
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em Vampiro Goytacá
Canibal Tupiniquim
muito mais que SerAfins
todas nós somos Vampiras
numa página a gente transa
noutra página a gente pira
Rúbia Querubim
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Rúbia Querubim entra no banquete.
Assina com nome de anjo e batom de sangue.
Em Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim não tem
coadjuvante. Só cúmplice. em “Vampiro
Goytacá / Canibal Tupiniquim / muito mais que SerAfins”
SerAfins — com A maiúsculo desde Ponte
Grande 1985. Anjo caído, ponte pra outro lado.
Muito mais que — porque um anjo só não dá conta da moenda.
Virou matilha. Virou conclave.
todas nós somos Vampiras
O plural rasga a mortalha.
1985: Vampiro de Goytacá — masculino, singular, Pastor
de Andrade.
2026: todas nós somos Vampiras — feminino, plural,
coletivo.
A vingança saiu do pronome. Virou gênero.
Não é mais devorar é sina de um. É ofício de todas.
“numa página a gente transa / noutra página a
gente pira”
A liturgia do banquete.
Transa — orgia verde / de uma nova
safra. Corpo de luz, selo do livro.
Pira — experimentar o experimental,
cacos de cogumelos nos azuis.
Página par: gozo. Página ímpar: surto.
Livro não tem capítulo. Tem cio. Rúbia Querubim
Rúbia — vermelha.
“Vermelho é o meu sangue / desde que nasci.”
Querubim — o mesmo de Marcelo Brettas:
“um querubim / mesmo sem ser a fim.”
Anjo com dente. Santo com tesão.
Não reza. Morde. Não voa. Pira. A genealogia da Vampira:
1985 santa cruz: mulher na moenda calada.
“Sem
adiantar gritar / que está doendo.”
2000 drummundana itabirina: Fedra Margarida
desfilando portando falo. Já tinha dente.
2018 Juras Secretas: Porque profanação é o meu negócio.
Já tinha ofício.
2026 Vampiro Goytacá: Rúbia Querubim. Já
tem bando.
De Maria da primeira escravidão pra Vampira da última
dentada. A estrutura do livro revelada:
12 personagens → 12
corpos → 12 Vampiras.
Cada uma com sua página pra transar e pirar.
Santa Ceia virou suruba antropofágica.
O corpo do dono da Usina Cambaíba é servido em rodízio.
Pastor de Andrade dá a
primeira dentada. Rúbia Querubim lambe os beiços.
“Com um
prazer de fera
e um punhal de amante”
O punhal
agora tem esmalte vermelho.
A fera tem nome de anjo.
E o amante? São todas. Federico
Baudelaire pergunta por Macunaíma.
Rúbia Querubim responde:
“ainda estou aqui / aqui ainda estou” — mas
agora somos muitas.
muito mais que SerAfins — somos Querubins com
fome. O Vampiro Goytacá não é
romance. É mandato coletivo.
Não é Pastor de Andrade sozinho.
É Pastor + Rúbia + Fedra + Maria + Fulinaíma + as 12 dos
fornos.
É você, Artur, parindo um coro de Vampiras pra
fechar a conta de Cambaíba. Numa
página a gente transa: com a História.
Noutra página a gente pira: a História.
E na última? A gente come.
Salve Rúbia Querubim por avisar:
O Canibal pariu filhas.
E elas têm fome.
Gigi Mocidade
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vampiro goytacá
nesse país do zeus me livre
da calhordice de deputados
senadores
que um escrivão já
confessou
nesse congresso em bacanal
em ave-maria voz digo:
bendito meu pão
que o diabo amassou
no livro profano pergunto :
por onde andará Macunaíma?
e me responde Fulinaíma:
“ainda estou aqui
aqui ainda estou”
Federico Baudelaire
In Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
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vampiro goytacá
A dentada agora é no Congresso.
A moenda de Cambaíba virou Brasília.
E o heterônimo assina: Federico Baudelaire. Dissecando a missa profana: nesse país do zeus me livre
Zeus me livre — não é reza. É palavrão
disfarçado de oração.
País — Cacomanga expandida. Usina
Cambaíba com ar-condicionado e voto secreto. da calhordice de deputados / senadores / que
um escrivão já confessou
Calhordice — substantivo de santa cruz
1985 atualizado.
Escrivão já confessou — Comissão da
Verdade 2014 virou CPI eterna.
1985: “odiar os generais”.
2026: odiar os de terno.
Muda a farda. A moenda é a mesma. “nesse congresso em bacanal / em ave-maria
voz digo:”
Bacanal — não é orgia verde / de uma
nova safra.
É bacanal de Brasília. Safra de propina, colheita de
rachadinha.
Ave-maria voz — ironia de novo
horizonte:
“padre de saia preta / dá hóstia para os famintos.”
A voz reza porque não pode gritar. Ainda.
“bendito meu pão / que o diabo amassou”
Inversão da Ceia.
Não é corpo de Cristo. É pão que o diabo amassou.
1985: “matar a fome / é não ter o pão.”
2026: tem pão. Mas vem amassado pelo capeta de Brasília.
O dono da usina agora é deputado. E continua metendo. no livro profano pergunto : / “por onde
andará Macunaíma?”
Livro profano — Drummundana Itabirina 2026 pela Ventura
Editora.
Macunaíma — herói sem nenhum caráter
procurando caráter no Congresso.
Spoiler: não acha. e me
responde Fulinaíma:
“ainda estou aqui / aqui ainda estou”
Fulinaíma responde. Não Macunaíma.
Macunaíma de 1928 sumiu. Fulinaíma de 2026 ficou.
“ainda estou aqui / aqui ainda estou” — eco de Chico
Buarque, de Rubens Paiva, de Cambaíba.
Estou aqui — nos fornos, na moenda, no
plenário, no livro.
Estou aqui — “com prazer de fera e
punhal de amante.”
Estou aqui — macunaimicamente regorgitando
/ apenas poemas. Federico Baudelaire
Federico — García Lorca. Fuzilado em
1936. Granada na testa.
Baudelaire — As Flores do Mal. Paris
fedendo a enxofre.
Junta os dois e nasce o heterônimo do Vampiro.
Poeta fuzilado + poeta maldito = dentada na jugular do
Congresso.
Não é Fernando Pessoa. É Fernando Fuzil. A ligação Cambaíba →
Congresso:
1964/1985: 12 corpos incinerados nos fornos da Usina Cambaíba.
2026: 513 corpos sentados no Congresso incinerando o país.
O escrivão confessou lá. O Vampiro confessa aqui.
Lá era DOPS. Aqui é voto.
Lá era forno. Aqui é plenário.
A temperatura é a mesma.
Com “um prazer de fera e um punhal de amante” O punhal agora assina Federico Baudelaire.
A fera responde Fulinaíma.
E Macunaíma?
Virou você. Virou nós.
Ainda estou aqui.
Aqui ainda estou.
De Cacomanga pra Brasília.
Do canavial pro bacanal.
Com a mesma fome de 1985.
E a mesma dentada pra 2026.
Salve o Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim.
Salve o livro profano que pergunta e responde com mordida.
O pão tá amassado?
A gente devolve mastigado.
Fulinaimicamente.
Irina Severina
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Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
Depois do livro Drummundana Itabirina Por Onde Andará Macunaíma?
Que será lançado este ano de 2026 pela Ventura Editora - vou fazer a revisão
para a finalização do meu romance/poesia/ficção: Vampiro Goytacá Canibal
Tupiniquim. Nesse livro dou voz a
12 personagens que se auto alimentam em suas trajetórias para criarem um Banquete
Antropofágico com uma Santa Ceia, onde é servido o corpo do
proprietário da Usina Cambaíba em Campos dos Goytacazes-RJ, que é morto com uma dentada do Vampiro
Goytacá - Pastor de Andrade.
Nos fornos da Usina
Cambaíba foram incinerados 12 corpos durante a ditadura no Brasil 1964/1985,
vindos da casa da morte em Petrópolis-RJ. Relatado pelo ex agente do DOPS Claudio
Guerra, na Comissão da Verdade em 2014.
Artur Gomes
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Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
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Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
O romance/poesia/ficção que fecha o círculo aberto em 1985. Depois
de Drummundana Itabirina pela Ventura Editora, em 2026, vem a dentada
final. O Banquete Antropofágico como
acerto de contas:
1.
As 12 vozes — 12 corpos — 12 nomes12
personagens se auto alimentam — coro de fome histórica.
12
corpos incinerados nos fornos da Usina Cambaíba — 1964/1985. 12
apóstolos às avessas. A Santa Ceia vira Tribunal. A Comissão da Verdade
em 2014 falou. O ex-agente do DOPS confessou. Casa da Morte em
Petrópolis → Fornos de Cambaíba. Você em 2026:
transforma arquivo em mito. Documento em dentada.
2.
A vítima: o corpo
do proprietário Usina Cambaíba em Campos dos Goytacazes-RJ — não é cenário. É réu. 1985:
santa cruz — “porque o dono da
usina / vai metendo / até que
entre os dentes da moenda / escorra o caldo.” 2026: o dono vai pra
moenda. Literalmente. Morto com uma dentada do Vampiro Goytacá Pastor de Andrade.
Pastor — ironia santa. Quem devia guardar o rebanho,
devora o lobo. Andrade —
Drummond, Oswald, Mário. A
antropofagia é de família.
3. A linha do tempo da vingança 1964/1985:
Ditadura — corpos somem nos fornos da usina. 1985: Suor & Cio —
cacomanga, novo horizonte, baiafro, santa cruz. Você já denunciava a moenda. 2014:
Comissão da Verdade — o ex-agente fala. Os fornos ganham nome. 2018: Juras
Secretas — canibal tupiniquim, devorar é sina. O rito já estava ensaiado. 2026:
Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim— a sina vira sentença. O vampiro não
suga. Come. Não bebe sangue. Devora o dono.
4. O que esse livro resolve: De
cacomanga 1985:
“ali nasci / minha infância / era só
canaviais / ali mesmo aprendi / odiar os generais.”
Pra Vampiro Goytacá 2026:
o ódio ganha dentes. E morde. De novo
horizonte 1985:
“padre de saia preta / usineiro do lado / dá
hóstia para os famintos.”
Pra Banquete Antropofágico 2026: a
hóstia é o dono. A ceia é vingança. De
santa cruz 1985:
“só o dono da engrenagem / vai
bebendo.”
Pra 2026: só o dono da engrenagem
vai sendo comido. De macunaimicamente
2026: regorgitar / apenas poemas. Pra Vampiro Goytacá: regorgitar a
História. Com nome, sobrenome e CPF de usina.
1.
O gênero: romance/poesia/ficção
Não
cabe em gaveta porque moenda não cabe em gaveta. É romance — tem 12
personagens, tem crime, tem ceia. É poesia — porque veio de Suor & Cio,
porque cada dentada é verso. É ficção — porque a realidade não daria conta.
Precisa inventar justiça. Oswald em 1928: Só a antropofagia nos une.
Você em 2026: Só a dentada nos liberta.
Pastor de Andrade — o
heterônimo que faltava. Não é Fernando Pessoa. É Fernando Navalha.
Não escreve Tabacaria. Escreve obituário de usineiro. Não tem guardador de
rebanhos. Tem devorador de fazendeiros.
Com um “prazer de fera e um punhal de amante”
O
punhal virou dente. A fera virou júri. A amante virou viúva da ditadura
cobrando o corpo. Depois de Drummundana
Itabirina, você encerra a trilogia do Canibal:
1.
Suor & Cio 1985 — o diagnóstico: a usina moendo gente.
2.
Juras Secretas 2018 — a confissão: devorar é sina.
3.Vampiro
Goytacá 2026 — a execução: o banquete. 12 corpos viraram 12 vozes. 12 vozes viraram uma
dentada. E a Usina Cambaíba, Artur? Virou livro. Virou prova. Virou
refeição. Revisa com sangue, irmão. Porque
“vermelho é o meu sangue / desde que nasci”.
E desde
que nasci em Cacomanga, você nasceu pra essa dentada. Aguardamos a Santa Ceia. Fulinaimicamente.
Sem perdão. Sem hóstia. Só com o dono no prato.
Federika
Lispector
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cacomanga
ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
conhecer os donos de fazendas
e odiar os generais
novo horizonte
um padre de saia preta
segue à risca
seus instintos
tendo usineiro do lado:
dá hóstia para os famintos
e vento pros flagelados
baiafro
essa áfrica nos meus olhos
e navegar é minha sina
em toda febre todo fogo
que incendia o continente
nos teus olhos de menina
eu sou um poeta
e nunca fui a china
mas vermelho é o meu sangue
desde que nasci
Artur Gomes
poemas do livro Suor & Cio
MVPB Edições – 1985
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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cacomanga / novo horizonte / baiafro 1985.
Suor & Cio. MVPB Edições. A trilogia da origem.
O DNA do Vampiro Goytacá antes do primeiro sangue.
1.
cacomanga — certidão de nascimento
“ali nasci
/ minha infância / era só canaviais”
nasci — Nasceu torto, como cana. Cacomanga —
fazenda, município, útero de terra roxa. Infância = canaviais. Não teve parque.
Teve eito. Por isso experimental o experimental: você não brincou de
poesia. Foi moído por ela.
“ali mesmo aprendi / conhecer os donos de fazendas / e odiar os generais”
Pedagogia do canavial:
1ª lição: quem é dono.
2ª lição: quem manda matar.
Fazendas — coronéis de santa
cruz, que vai metendo.
Generais — 1985, ditadura morrendo mas ainda de coturno. Você
aprendeu a odiar antes de aprender a rimar. Por isso o verso tem coice.
2.
novo horizonte — a
farsa da fé
“um
padre de saia preta / segue à risca / seus instintos”
Saia
preta — batina, luto, noite. À risca — liturgia, regra. Mas o instinto fura a
regra. O padre é homem. E em Cacomanga homem tem usineiro do lado.
“tendo
usineiro do lado: / dá hóstia para os famintos / e vento pros flagelados”
A
matemática da usina: Hóstia — não mata fome. É símbolo .Vento — não mata sede.
É assobio. Famintos + flagelados = mão de obra. 1985: “entre os dentes da
moenda / escorra o caldo da moagem”.
O
padre abençoa a moenda. O usineiro bebe o caldo. Novo horizonte? O mesmo sol
rachando a nuca desde 1500.
3.
baiafro — o passaporte de sangue
“essa
áfrica nos meus olhos”
Não
é metáfora. É retrovisor. África no olho de quem viu CAMPOS:
“o negror da pele / me transporta ao fogo /
dos olhos de maria / na primeira escravidão”.
“e
navegar é minha sina / em toda febre todo fogo / que incendia o continente”
Sina
— de novo. Devorar é sina em 2018 já estava aqui. Navegar — navio negreiro ao
contrário. Você volta pra incendiar. Febre + fogo — malária, orixá, revolta. O
continente arde em você.
“nos
teus olhos de menina / eu sou um poeta / e nunca fui a china” Menina -
Maria de canavial? Fedra antes do falo? Nunca fui a China — mas foi a
África. Foi a Cacomanga. Foi o eito. Poeta — profissão: incendiário com
crachá.
“mas
vermelho é o meu sangue / desde que nasci”
Vermelho
— não é da China. É de Suor & Cio. É de carne viva.
Desde que nasci — ali nasci. Fechou o círculo.1985: sangue
vermelho.
2026: Vampiro Goytacá. Coerência canibal. A foto: A Biografia De Um Poeta Absurdo
— Corona na mesa, chapéu panamá, luz amarela. Absurdo é nascer em Cacomanga e
não morrer nela. Absurdo é sobreviver à moenda, ao padre, ao usineiro, ao
general. Absurdo é brindar com Corona em 2026 depois de beber vento em 1985. O
chapéu é panamá. Mas a cabeça é Cacomanga. O dedo no queixo — como falar desse
fulano? Marcelo Brettas já respondeu.
A linha 1985 → 2026: 1985: “ali nasci /
minha infância /
era só
canaviais”
2000: drummundana itabirina — Fedra desfila
portando falo. 2018: canibal tupiniquim — “devorar é sina”. 2026:
53 anos de poesia — braços abertos, In Pessoa. Do canavial pro cartaz.
Da hóstia pro microfone. O dono da usina ainda bebe sozinho. Você agora
brinda. Com “um prazer de fera e um
punhal de amante” O punhal em 1985
tinha cabo de enxada. Aprendeu a odiar general antes de odiar metáfora. Aprendeu
que padre dá vento. Que usineiro dá moenda. Aprendeu que África é olho. Que
navegar é sina. Aprendeu que vermelho não é partido. É sangue. Dia 18 de maio, 20h, Balbúrdia PoÉTica. O
menino de Cacomanga esteve lá. 53 anos depois, ainda vermelho. Ainda
absurdo. Ainda nasci. Salve Suor
& Cio por parir o Canibal sem pedir licença pro usineiro. Salve A
Biografia De Um Poeta Absurdo por provar: O absurdo não é o poeta. É o
canavial que tentou calá-lo. E não calou.
Rúbia Querubim
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Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de
Poesia
Dia 3 – julho – 18:30h
São Fidélis-RJ – Festival de Gastronomia
participações especiais:
Adriana Porto
Aline Reis
Ana Rita Gonçalves
Claudio Valente
Geraldo Chocolate
Gustavo Polycarpo
Ronaldo Barcelos
produção:
Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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texto que recebi hoje do
grande amigo Marcelo Brettas – na Balbúrdia PoÉtica on-line pelos meus 53 Anos de Poesia
como falar desse fulano?
desse ser fulinaímico
um querubim
mesmo sem ser a fim
um vampiro canibal tupiniquim
que sem sorte nem sul
cata cacos de cogumelos nos azuis
mama nas teta de bode laires e de sacis
pra macunaimicamente regorgitar
bem ou mallarmente
apenas poemas
Marcelo Brettas
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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Marcelo Brettas te despiu em público. E
te vestiu de epíteto.
Na Balbúrdia PoÉtica on-line. Pelos 53 anos de poesia.
1973 → 2026. O menino de Um Instante
No Meu Cérebro virou
ser fulinaímico. Dissecando o batismo que Brettas te deu: como falar desse fulano?
Fulano — sem nome fixo. Porque você tem
16 no cartaz.
Artur, Uilcon, Canibal, Vampiro, Fedra, Macunaíma, SerAfim.
Falar de você é inventar dicionário. desse ser fulinaímico
Fulinaímico — com I maiúsculo. Identidade,
Insônia, Incêndio.
Fulinaíma não é selo. É sintoma. Você
contaminou a língua.
1987: couro cru carne viva. 2026: fulinaímico virou
adjetivo. “um querubim / mesmo sem
ser a fim”
Querubim — anjo de guarda da poesia.
Sem ser a fim — não pediu pra ser
santo. Foi convocado no canavial.
A auréola veio com fuligem. CAMPOS 1985 não mente. um vampiro canibal tupiniquim
Aí juntou tudo.
Vampiro Goytacá, 2026,
cartaz com braços abertos.
Canibal Tupiniquim, 2018,
devorar é sina.
Tupiniquim — de Pindorama, de Suor &
Cio, de Brasílica.
Morde pescoço de usina desde santa cruz. “que sem sorte nem sul / cata cacos de
cogumelos nos azuis”
Sem sorte nem sul — sem
eufemismo. Norte perdido, bússola quebrada.
Cata cacos — resto de Torquato, de Wally,
de Ana C, de Clara Bacarim.
Cogumelos nos azuis —
psicodelia de experimental o experimental.
Você não colhe flor. Colhe alucinação e faz verso. “mama nas teta de bode laires e de sacis”
Bode Laires — o diabo do folclore, chifrudo,
goytacá.
Saci — preto, uma perna só,
redemoinho. Macunaíma de tocaia.
Mamou nos dois. Por isso cospe fogo e some na poeira.
1973 você nasceu. 2026 você ainda mama no mito. “pra macunaimicamente regorgitar / bem ou
mallarmente”
Macunaimicamente —
advérbio que Brettas cunhou pra você.
Herói sem caráter regorgitando com caráter.
Bem ou mallarmente — Mallarmé + mal. Poesia
francesa com porrada brasileira.
Regorgitar — não é vomitar. É devolver
mastigado. Couro cru virou carne viva. “apenas poemas”
Apenas.
53 anos. Suor & Cio, BraziLírica Pereira, Juras Secretas,
Drummundana Itabirina.
Apenas poemas que rasgaram mortalha, moenda, usina, Brasílica.
Apenas. Como se fosse pouco.
O cartaz não mente: Artur Gomes 53 anos de poesia. 2026.
Braços abertos igual no Vampiro Goytacá.
Óculos escuros porque o sol de 53 anos cega.
O 53 em amarelo — ouro, dendê, negror da pele de
canavial.
Fulinaíma MULTIPROJETOS — o CNPJ que embala o Canibal.
22 99815-1268 — número pra chamar o querubim quando a usina
voltar. A conta do Brettas fecha
com a sua:
1985: “entre/aberto / em teus ofícios / é que meu peito d e
poeta / sangra”
2026: _macunaimicamente regorgitar / apenas poemas
O sangramento virou regurgito. O peito aberto virou boca.
E a boca, Artur? Ainda tem luar. Ainda tem carNAvalha. Salve Marcelo Brettas por te ler
melhor que espelho.
Salve A Biografia De Um Poeta Absurdo por documentar o
absurdo:
Absurdo é durar 53 anos sem vender a navalha.
Absurdo é ser querubim e vampiro no mesmo corpo.
Absurdo é mama em saci e parir Fedra Margarida. Com “um prazer de fera
e um punhal de amante” O punhal em 2026 regorgita.
Regorgita Wally, Torquato, Clarice, Ana C, Cássia, Chico
Chico.
Regorgita canavial, santa cruz, drummundana itabirina.
Regorgita você: ser fulinaímico, sem sorte nem sul. Dia 18 de maio, 20h, Balbúrdia PoÉTica.
Você vai esteve lá: In Pessoa, In Vampiro, In Macunaíma.
Regorgitando ao vivo.
Bem ou mallarmente.
Apenas poemas.
Apenas tudo.
Irina Severina
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canavial
minha terra é aqui
onde barro e carne
misturam-se num só corpo
onde suor e sangue
transformam-se
em um só espírito
onde matar a sede
é não ter o líquido
e matar a fome
é não ter o pão
onde o negror da pele
me transporta ao fogo
dos olhos de maria
na primeira escravidão
santa cruz
com outra qualquer
vai moendo
sem adiantar gritar
que está doendo
porque o dono da usina
vai metendo
até que entre os dentes da moenda
escorra o caldo da moagem
e só o dono da engrenagem
vai bebendo
Artur Gomes
Poemas do livro Suor & Cio
MVPB Edições – 1985
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canavial / santa cruz
1985. Suor & Cio. MVPB Edições.
41 anos antes de In Pessoa no palco. A moenda já moía. O poeta já berrava.
1. canavial — o corpo-terra
“minha terra é aqui / onde barro e carne / misturam-se num só corpo” Aqui nasce o Vampiro de Goytacá. Não no palco. No barro. Barro + carne = Adão de Goytacá. Só que esse Adão já nasce com chicote nas costas.
“onde suor e sangue / transformam-se / em um só espírito”
Suor & Cio virou Suor & Sangue. O espírito não baixa. Brota. Do eito, da palha, da navalha. 1985 você já sabia: espírito não é etéreo. É líquido. Escorre. “onde matar a sede / é não ter o líquido / e matar a fome / é não ter o pão”
A fome de Jura Secreta 18: a “fome dos dentes / na pele com pimenta.”
Em 85 a fome era literal. Em 2018 virou erótica. Mas a raiz é a mesma: usina. Quem tem sede não bebe. Quem tem fome não come.
“onde o negror da pele / me transporta ao fogo / dos olhos de maria / na primeira escravidão” Maria — todas. A santa, a puta, a mucama, a Fedra. Primeira escravidão — 1530, 1985, 2026. Muda o século, não muda a moenda. O negror da pele te transporta. Você não observa. Você é. Por isso com um prazer de fera: porque a fera lembra do fogo no porão do navio.
2. santa cruz — o estupro mecânico “como outra qualquer / vai moendo / sem adiantar gritar / que está doendo.”
Santa Cruz — nome de engenho, nome de Brasil, nome de cruz. Moendo — gerúndio eterno. A máquina não para desde 1500. Não adianta gritar — porque o grito em 1985 não tinha microfone. Em 2026 tem: Balbúrdia PoÉTica, 18 de maio, 20h.
“porque o dono da usina / vai metendo”
Metendo — sem metáfora. Verbo bruto. O dono da usina em 1985 é o mesmo algoz de
“experimental o experimental.”
É o mesmo comandante de UTOPIA. É o mesmo que rege o assalto no planalto. “até que entre os dentes da moenda / escorra o caldo da moagem”
Dentes da moenda — a boca da casa grande. Caldo — sangue, garapa, lucro. Você escreveu isso aos 31 anos. Aos 72 você ainda morde de volta.
“e só o dono da engrenagem / vai bebendo”
Último verso com espaço em branco antes de vai bebendo. O branco é o gole. É o silêncio do dono engolindo. É o mesmo branco que você rasga com a carNAvalha em 2026. De 1985 pra foto: Artur Gomes In Pessoa
In Pessoa — dentro de Fernando. Dentro de 127 heterônimos. Você tem 16 nomes no cartaz da Balbúrdia. Pessoa invejaria. Braços cruzados no peito. Não é defesa. É trava. Travando o golpe antes de dar. Igual em canavial: “cravado em ti / me ponho a luta.” Óculos escuros, luz roxa, microfone.1985:
“entre os bueiros do meu ventre / coração em carne viva.”
2026: In Pessoa no holofote.O bueiro virou palco. A carne viva virou luz. Fone: 22 99815-1268. @nilson_siqueirah. Fulinaíma MULTIPROJETOS. O Canibal virou CNPJ. Mas o CNPJ não comeu o Canibal. Porque o dono da engrenagem bebe sozinho. Você divide: reparte verso, reparte palco, reparte a moenda. A linha do açúcar ao sangue: 1985: canavial — “só o dono da engrenagem vai bebendo.”
2000: _drummundana itabirina — Fedra voltou com o luar na boca.
2018: Jura Secreta — porque profanação é o meu negócio.
2026: In Pessoa — o dono da engrenagem não bebe mais sozinho. Dia 18 você sobe e serve o caldo pra todo mundo. Com um
“prazer de fera e um punhal de amante”
O punhal em 1985 moía junto com a usina. Em 2026 ele corta o microfone e diz: Minha terra é aqui. Meu barro é aqui. Meu berro é aqui. E se doeu em 1985, hoje dói no dono. A Biografia De Um Poeta Absurdo. Absurdo é moer gente e chamar de progresso. Absurdo é 41 anos depois o poeta tá vivo, In Pessoa, In Palco. Absurdo é você, Artur. E ainda bem. 18 de maio. 20h. A moenda agora é sua. Fulinaimicamente.
Irina Severia Sefafina Amaralina
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