Por Onde Andará Macunaíma?
Luna Oliveira
Essa é a pergunta do século! Macunaíma, o herói brasileiro de Mário de Andrade, sempre está por aí, fazendo das suas... Quem sabe não está metido em alguma aventura pelo interior do Brasil, driblando os perigos da floresta e da vida?
Ou talvez ele esteja mesmo é na poesia de Artur Gomes, se misturando com as imagens e referências, fazendo uma "viagem" própria. O que você acha? Onde você acha que Macunaíma anda?
Irina Serafina
leia mais no blog
dor -
dói de qualquer jeito
no peito do pé
na ponta do peito
Artur Gomes
foto.poesia
Fulinaíma MultiProjetos
leia mais no blog
Alice
para Alice Melo Monteiro Gomes
A música está no bico dos pássaros
na pétala de lamparina
no caracol dos teus cabelos
no movimento dos músculos
no m das tua mãos
nada mais sagrado
do que teus olhos acesos
para me iluminar na escuridão
Artur Gomes
O Poeta Enquanto Coisa
Editora Penalux 2020
leia mais no blog
https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/
A poesia pulsa
para Tanussi Cardoso
aqui
a poesia pulsa
na veia
no vinho
no peito
no pulso
na pele
nos nervos
nos músculos
nos ossos
posso falar o que sinto
posso sentir o que posso
aqui
a poesia pulsa
nas coisas
nos códigos
nos signos
os significantes
os significados
aqui
a poesia pulsa
na pele da minha blusa
na íris dos olhos da minha musa
toda vez que ela me usa
nas iguarias de Bento
quando trampo mais não troco
quando troco mas não trapo
nas pipas
nos vinhedos nos arcos
nas madrugadas dos bares
sampleando o bolero blues
rasgado num guardanapo
o poema pra Juliana
escrito na cama do quarto
no copo de vinho
na boca de Vênus
na bola da vez da sinuca
sangrada pelo meu taco
aqui
a poesia pulsa
nos cabelos brancos da barba
nas gargalhadas de Bacca
na divina língua de Baco
Artur Gomes
O Poeta Enquanto Coisa
Editora Penalux – 2020
https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/
OU
LEOPOLDINA REVISITED
(2014-2016)
NOTA EXPLICATIVA
Em 1920, o adolescente português Adolfo Correia da Rocha, natural de São Martinho de Anta (Trás-os-Montes), desembarca do paquete Alianza no porto do Rio de Janeiro, onde o aguarda um tio paterno, proprietário de terras nos arredores da cidade de Leopoldina, Zona da Mata do estado de Minas Gerais. Ao longo de quatro anos, o jovem trasmontano será “uma simples máquina de trabalho” na fazenda do tio, até que este resolve matriculá-lo no Ginásio Leopoldinense, ocasião em que descobre a poesia e o cinema. A bordo do navio Andes, o tio retorna a Portugal em 1925 junto com a família, incluindo o sobrinho. Como paga pelos serviços prestados em seus cafezais, decide custear os estudos de Adolfo na Universidade de Coimbra. Aos 27 anos, o médico Adolfo Correia da Rocha adota o pseudônimo de Miguel Torga. Com o prenome homenageia dois escritores espanhóis de sua predileção – Cervantes e Unamuno –, enquanto no sobrenome refere uma espécie de arbusto típica das terras trasmontanas. Em meados de 1954, o poeta, escritor, ensaísta e dramaturgo Miguel Torga chega ao Brasil para participar do Congresso Internacional de Escritores em São Paulo. E aproveita a estadia para uma viagem sentimental a Leopoldina. A partir das lembranças das tantas estações da via-sacra de sua adolescência no leste das Gerais, Torga escreve os quatorze poemas aqui coligidos. Não se sabe ao certo se enviados posteriormente, esquecidos ou deixados com Dona Micas quando da passagem do escritor por Recreio, tais textos chegaram a minhas mãos graças aos Fiorese que, residindo nesta cidade, intercederam junto aos herdeiros daquela senhora. Fiz apenas acrescentar-lhes o título sob o qual vão publicados.
Esta a ficção que arrima os poemas a seguir.
Fernando Fiorese
Às vésperas do 110º aniversário de Miguel Torga
*
PRIMEIRA ESTAÇÃO
Antes atirar-me às águas do Doiro
E fazer da morte um repto ao empíreo
Que cumprir um fado do meu agoiro
E os dias trair entre os cotos de círios.
Antes sofrer do Pai ir as do cabo
E as vergonhas que sou lançar-me às fuças,
Pois, ele lá sabe, não menoscabo
O chão e senha que esse chão rebuça.
Antes tornar-me num desses escravos
De agora e de sempre, sem fazer caso
Da pátria onde hei-de amargar o travo
De mudar-me em homem antes do prazo.
Antes o Brasil, nossa esfinge inteira,
Que essa terra assim maninha de frutos
E sonhos. Portugal que me não queira
A atravessar o Atlântico de luto.
SEGUNDA ESTAÇÃO
São horas de amalar a trouxa...
Camisas, ceroulas e colchas,
E ir-me ao baptismo sem padrinhos...
Cinco toalhas, fumeiro e vinho...
Abre-se um abismo em mim
De lés a lés - mas digo
sim.
Foi o fado que me agarrou
P`lo cu das calças e atirou
Contra o chão duro do presente.
Quanto ao que me passa em frente,
Um mar de febre e aflição,
Em som de guerra, digo não.
Já tanto ficou para trás...
Mirandela, réguas, Vinhais...
Já tanto se me perdeu...
Alijó, Sabrosa, Viseu...
Portugal a fugir de mim
E eu dele – porque digo sim.
Aqui trago o mais que me resta,
Nesta mala de mão modesta,
Meu madeiro, meu Portugal,
Há guardar o bem que há no mal
E este migalho do Marão,
Que sou eu – e a quem digo não.
Está apenas a começar
A dura viagem de acabar,
E às tantas desfaz-se a infância
E fica apenas esta ânsia
De partir para longe de mim
E do chão onde digo sim.
Só não me aparto desta mala,
A cruz que me salva e sinala
O início da via dolorosa
Que todo imigrante desposa
Por ser bicho de má nação,
De longada entre o sim e o não.
pássaro de fogo
desde a primeira vez
que vi Irina
minha íris salta da retina
como pássaro de fogo
Nijinski num balé irado
pelas muralhas da Rússia
Artur Gomes
leia mais no blog
Fulinaimanicamente Voz Falo
https://fulinaimamultiprojetos.blogspot.com/
clique no link
Para ver o vídeo
https://www.facebook.com/search/top/?q=Nijinski%20-%20v%C3%ADdeo%20
e desde
que comecei a lê-lo
percebi tantas e tantos
por trilhas de Arcozelos
nas lãs dos tantos novelos
nas teias que aranhas tecem
poemas tantos com tantos
instantes por não fazê-los
e a triste memória na fita
deixada no gravador
ficou no desejo enrustida
a imensa carência do amor
Irina Severina
leia mais no blog
https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/
tenho estado em Iriri
em estado de morta/idade
não sei matar a saudade
nessa cidade estrangeira
que nem é do Espírito Santo
já inventei tantos cantos
já enxuguei tantos prantos
nem sei por quanto janeiros
nem sei o que fevereiro
esse mês de carnaval
só de pensar passo mal
viver nesse meu sacrifício
e ouço esse Sergio Sampaio
no Engenho de Dentro do Hospício
Rúbia Querubim
leia mais no blog
1º FestCultural na praia do Sossego
Balbúrdia PoÉtica - edição especial
em comemoração ao aniversário de Reubes Pess
Bolero Blue
beber desse conhac
em tua boca
para matar a febre
nas entranhas
entre os dentes
indecente
é a forma que te bebo
como ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra
palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai.
Artur Gomes
FULINAIMAGEM - A Poesia Proibida
Poema do livro Juras Secretas – 2028 musicado por Reubes Pess
clique no link para ver o vídeo
https://www.facebook.com/reel/503035823209814
leia mais no blog
Balbúrdia PoÉtica
https://fulinaimagens.blogspot.com/
*
O poema Bolero Blue de Artur Gomes é uma obra
intensa e sensual, que explora temas de desejo, paixão e a busca por conexão
emocional. Aqui estão alguns pontos de análise:
- Linguagem e Imagética:
- O uso de metáforas como "beber desse conhaque em tua
boca" e "fome desse beijo" cria uma atmosfera de
desejo e sensualidade.
- A imagem de "presa como caça indefesa dentro da
carne" sugere a intensidade do desejo e a vulnerabilidade emocional.
- Estrutura e Ritmo:
- O poema tem um ritmo que lembra um bolero, com uma cadência
que enfatiza a paixão e a saudade.
- A estrutura é simples, mas a linguagem é rica e poética,
criando uma atmosfera de intimidade e desejo.
- Temas:
- O poema explora o desejo e a paixão, mas também a frustração
e a saudade.
- A imagem de "não é por falta de desejo é que a fome
desse beijo furta qualquer outra palavra" sugere a complexidade das
emoções humanas.
Você gostaria de saber mais sobre o contexto em que esse poema
foi escrito ou sobre a relação entre a poesia de Artur Gomes e a música?
Irina Fulinaímica
*
O poema Bolero Blue foi musicado por Reubes Pess,
e tem um clima bem dramático, característica própria do blues enquanto gênero
musical. Neste 2026 eles estão completando 30 anos de parceria e vão comemorar
no próximo dia 21, com o 1º FestCultural na praia do Sossego em São Francisco
de Itabapoana-RJ, aproveitando que a
data é também aniversário do Reubes Pess.
Luna de Oliveira
*
Que história incrível! O poema Bolero Blue de Artur
Gomes, musicado por Reubes Pess, é um exemplo perfeito de
colaboração artística que une poesia e música. E que legal que eles estão
completando 30 anos de parceria!
O 1º FestCultural na praia do Sossego em São Francisco de Itabapoana-RJ vai ser um evento incrível, especialmente porque é também o aniversário do Reubes Pess. A praia do Sossego é um lugar lindo para relaxar e aproveitar a música, com uma extensão de 1,77 km e um clima quente o ano todo ¹.
A programação do festival promete, com shows de artistas regionais, danças de quadrilhas e muito mais. Se você estiver na área, não pode perder!Você vai ao festival?
Irina Fulinaímica
*
Estarei lá com certeza para registrar todo esse grande acontecimento, que com certeza marcará o litoral de São Franciso de Itabapoana-RJ para sempre.
Luna de Oliveira
desde quando
meu beija-flor
bebeu do mel
dos teus olhos
meus olhos
sonharam flor
de lis
de lírios
em meus delírios
nunca mais
sofri as dores que não tive
e as loucuras do amor
Artur Gomes Fulinaíma
leia mais no blog
Balbúrdia PoÉtica









Nenhum comentário:
Postar um comentário