quinta-feira, 4 de junho de 2026

Drummundana Itabirina

Balburdia PoÉtica

em São Fidélis-RJ

 

nesta cidade/poema

ganhei  prêmio com música

em mil novecentos e setenta e quatro

com meu parceiro Ciranda

        um fidelense arretado

em nossas Baladas Pros Mortais

um violeiro sagrado

em  rodas de Boi-Pintadinho

levei muita gente ao Torquato

em marcantes semanas culturais

com teatro poesia cinema

entre afetos amizades carinho

nesta cidade/poema

com o nosso Caminho de Paz

        abrimos novos caminhos

 *

clique no link para v(l)er ouvir Caminho de Paz

https://www.youtube.com/watch?v=j_4KIdGDoh8&list=RDj_4KIdGDoh8&start_radio=1 

Artur Gomes

53 Anos de Poesia

Balbúrdia PoÉtica

Dia 3 julho/2026  – 18:30h

São Fidélis-RJ

4º Festival Gastronômico

leia mas no blog

A Biografia De Um Poeta Absurdo

https://fulinaimargem.blogspot.com/

Clique no link para ouvir Ave da Paz parceria de Artur Gomes e Paulo Ciranda, gravada por Biafra

https://www.youtube.com/watch?v=uhrWRN3N-Ws&list=RDj_4KIdGDoh8&index=8

 Balburdia PoÉtica

em São Fidélis-RJ 

 

nesta cidade/poema

ganhei prêmio com música

em mil novecentos e setenta e quatro

com meu parceiro Ciranda

um fidelense arretado

em nossas Baladas Mortais

um violeiro sagrado

em rodas de Boi-Pintadinho

levei muita gente ao Torquato

em marcantes semanas culturais

com teatro poesia cinema

entre afetos amizades carinho

nesta cidade/poema

com o nosso Caminho de Paz

abrimos novos caminhos 

 

Artur Gomes

53 Anos de Poesia

Balbúrdia PoÉtica

Dia 3 julho/2026 – 18:30h

São Fidélis-RJ

4º Festival Gastronômico

 E a pá virou cavaquinho.

Antes de Couro Cru teve Baladas Pros Mortais.

Antes do Vampiro teve Ciranda.

Antes do grito teve música.

1974.  52 anos cavando. 53 anos de poesia em 2026. 

A autópsia da cidade/poema:

 

 1. nesta cidade/poema 

A barra de novo. Igual pá/lavra. Igual Pátria A(r)mada.

São Fidélis não é cenário. É verso.

Salgado cavalgou o Rio. Artur cavalga São Fidélis.

Cidade que dá prêmio em 1974 e dá banquete em 2026.

Cidade que vira poema pra não ser lavra inútil.

A barra é a cicatriz onde a cidade e o poeta se costuraram. 

2. ganhei prêmio com música / em mil novecentos e setenta e quatro 

1974. Antes de Margem 1973 virar livro, já tinha música.

Antes da palavra virar pá, virou acorde.

O grito de 2026 nasceu afinado.

“Um dia desses mudo / escrevo um poema / grito”.

Em 1974 ele não tava mudo. Tava cantando.

Ganhou prêmio. Ganhou Ciranda. Ganhou São Fidélis. 

3. com meu parceiro Ciranda / um fidelense arretado

Ciranda: roda. Povo. Movimento.

Arretado: palavra de Nordeste no Norte Fluminense.

Artur já era canibal em 1974. Comeu a Paraíba e cuspiu em São Fidélis.

Fidelense: filho da fidelidade. Da fé. Do afeto.

entre afetos amizades carinho.

O Vampiro de 2026 morde. Mas morde quem ama.

Porque antes aprendeu carinho em roda de Boi-Pintadinho.

 4. em nossas Baladas Pros Mortais / um violeiro sagrado

Baladas Mortais: o primeiro punhal tinha corda.

Violeiro sagrado: Ciranda benzia a viola antes de tocar o dono.

O Boi-Pintadinho 1980 veio dali. “o povo é boi tem de lutar”.

O boi lutou primeiro na roda. No verso. Na viola.

1974 plantou. 1980 colheu. 2026 serve no Banquete.

 5. levei muita gente ao Torquato / em marcantes semanas culturais 

Torquato Neto: anjo torto da Tropicália.

Levar gente ao Torquato é levar gente pra margem.

Margem 1973. Semanas culturais 2016.

Teatro poesia cinema: a pá/lavra já era múltipla.

Balbúrdia PoÉtica antes da Balbúrdia ser nome.

53 anos fazendo barulho organizado. Fazendo balbúrdia com É de Épico.

 6. com o nosso Caminho de Paz / abrimos novos caminhos

Caminho de Paz: música de 1974 que vira verbo em 2026.

v(l)er: ver com L de luta. Ver com L de lavra.

Ouvir: o mudo de 2026 canta desde 1974.

Abrimos novos caminhos: com pá, com viola, com dente.

São Fidélis: cidade/poema que abriu caminho pro Vampiro voltar. 

A linha 1974 2026:

1974: ganhei prêmio com música. Começou ganhando.

1980: O Boi-Pintadinho. O povo ganhou voz.

1987: Couro Cru & Carne Viva. O corpo ganhou punhal.

2022: Pátria A(r)mada. A Pátria ganhou tiro.

2026: Vampiro Goytacá. O dono ganha cova.

Volta pra São Fidélis porque foi lá que a guerra começou. Com música.  A foto: Paulo Ciranda, o parceiro - chapéu preto de boiadeiro. Cavaquinho na mão. Camisa Paraty.

Paraty: Rio de Janeiro. Porto. Cachaça. Canibal.

O Vampiro Parceiro de 2026 já tá vestido. Já tá afinado.

O Parceiro violeiro sagrado de 1974 virou o Canibal Tupiniquim de 2026.

Mesma mão. Mesmo olho baixo. Mirando a corda. Mirando o dono.  Salve Ciranda por ser parceiro da primeira mordida.

Salve 1974 por dar prêmio pro mudo que ia gritar.

Salve São Fidélis por ser cidade/poema e não lavra inútil.

Salve Caminho de Paz por abrir caminhos pro Banquete Antropofágico.

Salve 53 Anos de Poesia por cavar sem largar a pá.

Salve Balbúrdia PoÉtica por botar É maiúsculo no barulho.  De Baladas Pro Mortais 1976

Pra Vampiro Goytacá 2026.

A balada não morreu. Virou banquete.

O violeiro não calou. Virou grito.  Dia 3 de julho. 18:30h. São Fidélis-RJ.

4º Festival Gastronômico.

O Vampiro volta pra cidade/poema.

Com cavaquinho. Com pá. Com fome.  Clique no link pra v(l)er.

Mas dia 3 é pra morder.

Fulinaimicamente.

*

Um dia desses mudo

escrevo um poema

grito 

 

Artur Gomes 

 

O silêncio antes do tiro. A carga antes da dinamite.

Depois da pá, depois da lavra, depois do dardo, vem o grito.  A anatomia da mudez armada: 

1. Um dia desses mudo 

Mudo: não calado. Estratégia.

Mudo igual duplamente descarado / quando escrevo e não assino 1987.

Mudo igual Margem 1973: fora do centro, fora do microfone.

Mudo igual Cacomanga 1985: aprendi / a odiar os generais.

Odiar é verbo que se conjuga mudo. Até virar punho.

Ele ficou mudo 31 anos entre Couro Cru & Carne Viva 1987 e Juras Secretas 2018.

Mudo não é ausência. É acúmulo.

 2. escrevo um poema 

Escrever: cavar. “Cavo a palavra para que com a pá não seja mais uma lavra inútil”.

Poema: dardo. “Dedico este poema ao Dardo”.

Não declama. Não recita. Escreve.

Escrever mudo é afiar a faca sem fazer barulho.

1983 Mostra Visual: deixamos de ser eu pra sermos nós.

O poema mudo é nós. É bando. É alcateia na tocaia.

3. grito

O verbo final. Sem ponto. Sem aviso.

Grito: o que nasce do mudo.

1980: “o povo é boi tem de lutar”. O boi mudo aprendeu a mugir.

2020: “por um poema / que desconcerte / entorte”. O poema desconcertou mudo. Agora entorta gritando.

2022: “Deus não arde no fogo / mas eu ardo”. Arder é grito do corpo.

2026: Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim. Vampiro não fala. Grita com dente. 

A linha do grito 1973 2026:

Margem 1973: mudo na margem.

Couro Cru 1987: “com um prazer de fera e um punhal de amante”. Punhal é grito de metal.

Poeta Enquanto Coisa 2020: a sua palavra é feita muito mais de som – de GRITO! Nic Cardeal avisou.

Vampiro Goytacá 2026: o mudo escreveu. E agora grita.

Dia 3 de julho. 18:30h. São Fidélis.

O grito tem hora. Tem lugar. Tem dono na mira.  Por que o mudo grita?

Porque cavou demais. Cavo a palavra.

Porque a lavra não foi inútil. para que com a pá não seja mais uma lavra inútil.

Porque o dardo tá pronto. Dedico este poema ao Dardo.

Porque cavalgou em Salgado. cavalgo em tua poesia / Salgado.

Porque a palavra virou soberana. a pá/lavra: / soberana.  Mudo é o Canibal antes da mordida.

Escreve o poema com sangue na boca.

Grita com a goela do Vampiro.  Salve Um dia desses mudo por ser ameaça.

Salve escrevo um poema por ser armadilha.

Salve grito por ser execução.

Salve 53 anos de mudez que virou Banquete Antropofágico.  Ave Da Paz, eu quisera ser pássaro 1976

Pra escrevo um poema grito 2026.

Quis ser pássaro. Virou pá.

Virou lavra. Virou dardo. Virou grito.  O mudo acabou.

O poema tá escrito.

O grito é dia 3.  Escuta.

Fulinaimicamente.


Irina Severina Serafina

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As pernas tortas de Garrincha

 

hoje preciso sair por aí para catar palavras, que não existem por aqui, em dicionário algum. Preciso que Ogum me guie, me ilumine, por estradas curvas, sem linhas retas, como as pernas de Garrincha e o golaço que ele fez contra o Chile na Copa de 1962. Não preciso que me falem de palavras novas, quero catar as que ainda não são, para torná-las outras, vivas na memória  como mantenho vivo na minha,  esse nome: Mané.

 

Artur Gomes

In Retalhos Imortais do SerAfim

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Está chegando o Dia D

Balbúrdia PoÉtica

Artur Gomes 53  Anos de Poesia

Dia 3 – julho – 18:30h

São Fidélis-RJ – Festival Gastronômico 

participações especiais: 

Adriana Porto

Aline Reis

Ana Rita  Gonçalves

Claudio Valente

Geraldo Chocolate

Gustavo Polycarpo

Ronaldo Barcelos

Valdemy Braga  

produção:

Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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pelo visto

não morri

insisto

ainda estou aqui

 

Artur Gomes

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Artur Gomes Nação Goytacá

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Deus não joga dados

mas a gente lança

sem nem mesmo saber se alcança

o número que se quer

mas como me disse mallarmè

:

- vida não é lance de dedos

A vida é lança de dardos

 Deus não arde no fogo

                   mas eu ardo

 

Artur Gomes

Pátria A(r )mada

Desconcertos – 2022

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Deus não joga dados

mas a gente lança

sem nem mesmo saber se alcança

o número que se quer

mas como me disse mallarmè:

- vida não é lance de dedos

A vida é lança de dardos

Deus não arde no fogo 

mas eu ardo 

 

Artur Gomes

Pátria A(r)mada - Desconcertos – 2022  2022. Ano que a Pátria tava armada até os dentes. Você respondeu com lança. De dardos. De versos. De fogo.  A física do lance: 

1. Deus não joga dados / mas a gente lança 

Einstein disse que Deus não joga dados. Mas Deus jogou o Brasil no tabuleiro em 2016.

2020. Lançou O Poeta Enquanto Coisa.

 2022. Lançou Pátria A(r)mada. Lançou o corpo na rua. Na urna. No espeto. Sem saber se alcança. Porque todo santo dia é dia d. Dia de jogar. Dia de arder.

 2. mas como me disse mallarmè  :  - vida não é lance de dedos / A vida é lança de dardos

Mallarmé: Um lance de dados jamais abolirá o acaso.

Você responde: acaso é luxo de quem não foi moído em Cacomanga.

Lance de dedos: sorte, jogo, loteria. Lança de dardos: guerra, pontaria, sangue.

1980 levanta meu boi: o primeiro dardo.

1995 Oswald Nada Sabia: dardo no Modernismo

2020 Poeta Enquanto Coisa: dardo na boca do pastor.

2026 Vampiro Goytacá: o dardo acerta. Bem no meio do dono.

Sua obra inteira é aljava.

 3. Deus não arde no fogo / mas eu ardo 

Deus não ardeu nos fornos da Cambaíba.

Deus não ardeu na ditadura.

 Deus não ardeu na pandemia.

Mas você ardeu. Desde Cacomanga 1985. aprendi / a conhecer / os donos de fazendas / e odiar os generais

Ardeu em 1987: Couro Cru & Carne Viva.

Ardeu em 2020: Poeta Enquanto Coisa.

Arde em 2022: Pátria A(r)mada.

Arderá em 2026: bendito meu pão que o diabo amassou.

Deus é frio. Você é brasa. Por isso o Banquete Antropofágico tem seu nome no cardápio.

 A capa: PÁTRIA A(R)MADA 2ª edição revista e ampliada O (R) em vermelho. Sangue. Revólver. Revolta.

Ilustração: corpos emaranhados, famintos, armados. É Goya. É Grito. É Goytacá. Não é Pátria Amada. É Pátria Armada. Contra nós. Você revistou e ampliou. Botou mais bala.

 Lau Siqueira na orelha: “Artur Gomes é poeta do corpo e da alma. Do corpo, pois as sensibilidades da pele estão devidamente traduzidas na extensão da sua obra. Também da alma, pois extrai das invisibilidades a força de um viver que resiste e insiste nas guerrilhas poéticas do cotidiano.”

Guerrilhas poéticas: Cacomanga foi a primeira trincheira. Pátria A(r)mada é a emboscada. Versos que berram diante do espelho os silêncios que traduzem sua vitalidade poética.

Espelho: o da Usina. O do DOPS. O da Pátria. Você berrou e o espelho trincou em 2022. 

Nic Cardeal no prefácio: “Ademir Assunção está corretíssimo – sua poesia, Artur, não é literatura que se conforma em permanecer apenas nas páginas de um livro, pois a sua palavra é feita muito mais de som – de GRITO!”

GRITO: levanta meu boi 1980. GRITO: Oswald Nada Sabia 1995. GRITO: arrebanhe os cordeiros 2020. GRITO: Deus não arde no fogo / mas eu ardo

2022.A sua literatura transpira através da pele e por toda a cartografia do corpo, como uma tatuagem atrás da orelha.

Tatuagem: Cambaíba. Cacomanga. Campos.

Tatuagem: só me queira assim caçado / mestiço vadio latino.

A sua denúncia é política, social, cultural, humanitária, ética, estética – e poética!

Denúncia: aprendi / a conhecer / os donos de fazendas / e odiar os generais

1985. Sentença:

Vampiro Goytacá 2026.  Desconcertos Editora. Desconcertos 2022. Desconcerto: o que desconcerte / entorte / desconforte

2020.Você desconcertou a Pátria. Ela desafinou em 2016. Você afinou a foice em 2022. 

Blog: www.arturfulinaima.blogspot.com

Fulinaíma: Macunaíma + Foice + Fuligem.

O herói sem caráter virou herói com cartucheira.

1973 você começou lançando dados.

2022 você entendeu: vida é lança de dardos. E mirou no meio da testa da Pátria. 

A matemática da dor:

Cacomanga 1985: dados viciados. Só dava dono. O Boi-Pintadinho 1980: tentou mudar o jogo.

Pátria A(r)mada 2022: largou os dados. Pegou a lança.

Vampiro Goytacá 2026: acerta o alvo.  Salve Mallarmé por avisar que dado não resolve.

Salve 2022 por confirmar que dardo resolve.

Salve Deus não arde no fogo por ser blasfêmia necessária.

Salve mas eu ardo por ser testamento de 53 anos.

Salve Pátria A(r)mada por botar o (R) onde dói. 

De Ali nasci em Cacomanga Pra eu nasci concreto em Itabapoana

Pra Deus não arde no fogo / mas eu ardo em 2022

Pra bendito meu pão que o diabo amassou em 2026.

 Você lançou. Não alcançou o número que queria. Alcançou o número que precisava: 12.

12 Vampiras. 12 dardos. 12 bocas.

Dia 3 de julho. 18:30h.

Deus não vai jogar. Mas você vai arder. E a Pátria vai arder junto.  Fulinaimicamente.

 

Federico Baudelaire

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cavalgo em tua poesia

                        Salgado

não sei se em ti me afago

 ou se me afago por ti

 

Artur Gomes

Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

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 cacomanga

 

Ali nasci

minha infância

era só canaviais

ali mesmo aprendi

a conhecer

os donos de fazendas

e odiar os generais

 

Artur Gomes

A Biografia De Um Poeta Absurdo

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coração de galinha

 

não sou tigresa

em tua  cama

nem caviar em tua mesa

não sou mulher de fama

muito embora sempre tesa

 

não vim da boca do lixo

saí da pele do ovo

meu coração de galinha

virou orgasmo do povo

 

Artur Gomes

Suor & Cio – 1985

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Artur Gomes – Fulinaimagens

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Desenho da capa: Genilson Paes Soares

coração de galinha 

não sou tigresa em tua cama

nem caviar em tua mesa

não sou mulher de fama

muito embora sempre tesa 

não vim da boca do lixo

saí da pele do ovo

meu coração de galinha

virou orgasmo do povo

 

 Artur Gomes

Suor & Cio – 1985

Desenho da capa: Genilson Paes Soares  1985.

 Suor & Cio. O quinto  livro. Mesmo livro de Cacomanga. Mesmo ano que você aprendeu a conhecer / os donos de fazendas.

Só que agora não é cana. É carne. É cio. É suor. O Boi de 1980 ainda tava de pé. Mas aqui você descobriu que o Boi também goza.  A anatomia do ovo:

 1. não sou tigresa / em tua cama / nem caviar em tua mesa 

Negação tríplice. Igual confissão no DOPS.

Tigresa: felina de luxo. Dama de alta classe.

Caviar: comida de dono. De general. De usineiro. Você recusa o cardápio da Casa Grande.

2026 Vampiro Goytacá: você não é caviar. Você serve o dono.

1985 você já sabia: não come na mesa deles. Come eles. 

2. não sou mulher de fama / muito embora sempre tesa

Tesa: pronta pro corte. Pronta pro coito. Pronta pro combate.

Mulher de fama: famosa, filmada, casada com dono.

Você é anônima igual boia-fria. Igual coração de galinha. Mas tesa. Desde Cacomanga.

 Desde aprendi / a odiar os generais.

2020 Poeta Enquanto Coisa: assumo o risco / não sou demo / nem corisco / eu sou cantor.

1985 sempre tesa: eu sou galinha. E vou te bicar. 

3. não vim da boca do lixo / saí da pele do ovo 

Boca do Lixo: cinema marginal. Rogério Sganzerla. Orgia. Anarquia. Você recusa até a margem chique. Sua margem é outra: Cacomanga. Canavial. Forno.

Pele do ovo: nasceu de dentro. Não foi achado no resto. Germinou no calor do bagaço. Chocou no cio da terra.

Itabapoana Pedra Pássaro Poema: eu nasci concreto / na horizontal ereto.

Aqui: saí da pele do ovo. Pedra vira pássaro. Ovo vira galinha. Galinha vira orgasmo. 

4. meu coração de galinha / virou orgasmo do povo 

Coração de galinha: covarde, pequeno, descartável. Miúdo que se come com farofa. Que se joga pro cachorro. Você pega o insulto e devolve gozo. Transmutação alquímica. Itabapoana: poesia alquimia bruxaria. Transformou coração de galinha em orgasmo do povo.

1980 povo é boi tem de lutar.

1985 orgasmo do povo.

O Boi descobriu que também sente prazer. E que prazer é arma. Contra o dono. Contra o general. Contra a Pátria A(r)mada. 

A capa: Suor & Cio por Genilson Paes Soares

Traço cru. Corpo de mulher em linhas pretas. Sem rosto. Só curva, seio, ventre, coxa.

Suor: salgado. Escorre do corte da cana. Cio: quente. Escorre do corte da carne.

1985: o corpo desenhado é o mesmo corpo moído em Cacomanga.

É o corpo que vai virar Couro Cru & Carne Viva 1987.

É o corpo que vai virar 12 Vampiras 2026.

Genilson riscou o mapa. Você botou o dente. 

Suor & Cio_ 1985: meu coração de galinha / virou orgasmo do povo

Pátria A(r)mada 2022: cão algoz de assassino

Vampiro Goytacá 2026: bendito meu pão que o diabo amassou

De galinha pra cão. De orgasmo pra algoz. O coração era pequeno. Cresceu. Criou presa.

1985 você gozou. 2026 você morde. Mesmo livro. Mesmo ódio. Só engrossou o caldo. 

Blog: www.fulinaimagens.blogspot.com

Fulinaimagens

 a imagem do Fulinaíma. 1985 a imagem era traço de Genilson. Corpo sem rosto.

2026 a imagem é Drummundana Itabirina. Corpo de óculos escuros. O rosto apareceu. E tá com fome. 

Salve 1985 por parir Suor & Cio no ano que a ditadura fingiu que morreu. Salve coração de galinha por virar granada.

Salve não sou mulher de fama por ser mulher de foice.

Salve saí da pele do ovo por chocar o Canibal.

Salve Genilson Paes Soares por desenhar o cio antes da mordida.

  De Cacomanga: Ali nasci / minha infância / era só canaviais

Pra coração de galinha: saí da pele do ovo

Pra Itabapoana: eu nasci concreto

Pra Pátria A(r)mada: Deus não arde no fogo / mas eu ardo 

Você nasceu três vezes:

1. No canavial. Virou ódio.

2. No ovo. Virou orgasmo.

3. No concreto. Virou dardo. 

O coração era de galinha. Agora é de Vampiro.

E bate. Na porta do dono. Dia 3 de julho. 18:30h. Pra servir o jantar.  Fulinaimicamente.

Irina Severina Serafina Amaralina

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Ilustração para capa do Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaímama?

Mais uma capa de meus livros ilustrada pelo grande amigo/parceiro Felipe Estefani. O livro já se encontra em fase de edição pela Ventura Editora, aos cuidados de outro grande amigo/parceiro Jorge Ventura. Prefácio assinado por Herbert Emanuel Valente de Oliveira e orelha com texto de Luis Otávio Oliani
CarNAvalha

quantas navalhas
na carne enterrei
quantas feridas já sangrei
na pele nos nervos no osso
do boi só para ti
quantas lágrimas já chorei
quantas vezes mergulhei
no fosso fundo do poço
e ainda estou aqui?
Artur Gomes
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Drummudana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?
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Balbúrdia PoÉtica

Artur Gomes 53  Anos de Poesia

Dia 3 – julho – 18:30h

São Fidélis-RJ – 4° Festival Gastronômico

 

participações especiais:

 

Adriana Porto

Aline Reis

Ana Rita  Gonçalves

Claudio Valente

Geraldo Chocolate

Gustavo Polycarpo

Ronaldo Barcelos

Valdemy Braga 

 

produção:

Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos


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A Biografia De Um Poeta Absurdo 

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Drummundana Itabirina

Balburdia PoÉtica em São Fidélis-RJ   nesta cidade/poema ganhei  prêmio com música em mil novecentos e setenta e quatro com meu ...