quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 12

Dia 14 de março 19h

Casarão Centro Cultural

Rua Salvador Correia, 117

Campos dos Goytacazes-RJ

Uma homenagem ao Poeta Castro Alves

no Dia Nacional da Poesia

com Artur Gomes, Adriana Medeiros e Dalton Freire

Marçal Tupã

 

poema de Artur Gomes

dos livros: Suor & Cio - 1985

e Pátria A(r)mada - 2022

musicado e gravado

por Paulo Ciranda

 *

meu coração marçal tupã

sangra tupy & rock and roll

meu sangue tupiniquim

em corpo tupinambá

samba jongo maculelê

maracatu boi bumbá

a veia de curumim

é coca cola e guaraná

* 

clique no link para ver o vídeo

https://www.youtube.com/shorts/Boc9bqDOSms

Por Onde Andará Macunaíma?

*

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 – zap

Produção: Nilson Siqueira

leia mais no blog

fulinaimanicamente voz digo

https://fulinaimamultiprojetos.blogspot.com/

Balbúrdia PoÉtica 14

Dia 31 de maio - no Museu do Sal

São Pedro de Aldeia-RJ

Poeta Homenageado: Tanussi Cardoso

Performance PoÉtica

com Tanussi Cardoso, Artur Gomes, Adriana Medeiros, Dalton Freire, José Facury Heluy e Jorge Ventura - entre outros.


SUBSTANTIVOS

 

faca é faca

pão é pão

fome é fome

amor é amor

estranho desígnio das coisas

de serem exatamente elas

quando as olhamos sem paixão

 

Tanussi Cardoso

*

O evento apresentado na imagem é o Balbúrdia PoÉtica, uma edição especial com o tema "Já nascemos ensaiados".

Os detalhes do evento são:

- Data: 31 de maio (conforme mencionado no texto adicional).

- Local: Museu do Sal, São Pedro de Aldeia-RJ.

- Poeta homenageado:

Tanussi Cardoso.

- Curadoria: Lis Badu.

- Produção: Nilson Siqueira.

- Direção: Artur Gomes.

 *

O poema exibido é de Tanussi Cardoso, intitulado "SUBSTANTIVOS", que reflete sobre a essência das coisas ("faca é faca, pão é pão...").

Você quer saber mais sobre o evento, o poeta Tanussi Cardoso ou o projeto Fulinaíma MultiProjetos?

                         Irina Fulinaímica

*

Sobre esse  poema bárbaro de Tanussi Cardoso

Luna de Oliveira

*

*

O poema "SUBSTANTIVOS" de Tanussi Cardoso explora a ideia de que as coisas são exatamente o que são, com uma simplicidade e objetividade poética. 

Ele afirma:

- "faca é faca, pão é pão, fome é fome, amor é amor",

enfatizando a natureza intrínseca dos substantivos e a percepção das coisas "sem paixão".

O texto sugere uma reflexão sobre a linguagem e a experiência, questionando o "estranho desígnio" de as coisas serem exatamente elas mesmas quando observadas de maneira objetiva.

Você gostaria de saber mais sobre a obra de Tanussi Cardoso ou sobre o contexto da poesia contemporânea brasileira?

Irina Fulinaímica

*

Gostaria de conhecer mais sobre a obra de Tanussi Cardoso

Luna de Oliveira

*

Tanussi Cardoso é um poeta brasileiro nascido em 25 de fevereiro de 1946, no Rio de Janeiro. Ele é formado em Jornalismo e Direito, e é conhecido por sua obra que aborda temas atuais e do cotidiano, com uma linguagem densa e metafórica. 

- Principais obras:

- "Desintegração" (1979)

- "Boca maldita" (1982)

- "Viagem em torno de" (2000)

- "A medida do deserto e outros poemas revisitados" (2003)

Eu E Outras Consequências - 2017

- Prêmios e reconhecimentos:

- Vencedor de mais de 40 prêmios literários nacionais e internacionais

- Membro do Pen Clube do Brasil e da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ)

- Estilo e influências:

- Sua poesia é caracterizada por um jogo de ideias e metáforas, com uma linguagem densa e repleta de reinvenções e novos sentidos

- É considerado um dos poetas brasileiros mais prestigiados em eventos e atividades literárias na América Latina

Você gostaria de saber mais sobre a obra de Tanussi Cardoso ou sobre sua contribuição para a literatura brasileira?

Irina Fulinaímica

*

 


A poesia pulsa

para Tanussi Cardoso

aqui

a poesia pulsa

na veia

no vinho

no peito

no pulso

na pele

nos nervos

nos músculos

nos ossos

posso falar o que sinto

posso sentir o que posso

aqui

a poesia pulsa

nas coisas

nos códigos

nos signos

os significantes

os significados

aqui

a poesia pulsa

na pele da minha blusa

na íris dos olhos da minha musa

toda vez que ela me usa

nas iguarias de Bento

quando trampo mais não troco

quando troco mas não trapo

nas pipas

nos vinhedos nos arcos

nas madrugadas dos bares

sampleando o bolero blues

rasgado num guardanapo

o poema pra Juliana

escrito na cama do quarto

no copo de vinho

na boca de Vênus

na bola da vez da sinuca

sangrada pelo meu taco

aqui

a poesia pulsa

nos cabelos brancos da barba

nas gargalhadas de Bacca

na divina língua de Baco

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

Editora Penalux – 2020

https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 - zap

Curadoria: Lis Badu

Produção: Nilson Siqueira

Direção: Artur Gomes

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Por Onde Andará Macunaíma?

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 Balbúrdia PoÉtica 13

Poetas Homenageados:

Ademir Assunção e Frederico Barbosa

À Memória de Oswald de Andrade

Última semana de Abril

Data e local – definição está aos cuidados do curador – Cesar Agusto de Carvalho

 

TANTO ÓDIO CARLOS

 

o mundo é grande

 e tem extremos

 

tem estrela e tem estrume

tem perfume e tem veneno

 

tem dias a gente ama

tem dias a gente briga

 

mundo vasto mundo

mundo malo mundo bueno

 

não me chamo raimundo

mas algo estranho me intriga

 

como cabe tanto ódio

num caráter tão pequeno

 

Ademir Assunção

do livro

Risca Faca (2021)

editora Demônio Negro

https://www.demonionegro.com.br/product/risca-faca/


Por Onde Andará Macunaíma?


Fulinaíma MultiProjetos

22 – 99815-1268

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*

Me fala sobre Oswald de Andrade que em Abril vai ser homenageado na Balbúrdia Poética em São Paulo.

Luna de Oliveira

*

Oswald de Andrade!  Ele é uma figura chave do Modernismo brasileiro, conhecido por sua irreverência e combatividade. Nascido em São Paulo em 1890, foi poeta, escritor, advogado, ensaísta e dramaturgo.

- Principais contribuições:

- Autor do Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924) e do Manifesto Antropófago (1928), fundamentais para o Modernismo no Brasil.

- Obras como "Pau-Brasil" (1925) e "Memórias sentimentais de João Miramar" (1924) inovaram a literatura brasileira.

- Participou da Semana de Arte Moderna de 1922, marco do movimento modernista.

- Legado:

- Influenciou movimentos como o Concretismo e o Tropicalismo.

- Defendeu uma poesia "ingênua" e genuinamente brasileira, livre de influências europeias.

A Balbúrdia Poética em São Paulo vai homenagear Oswald de Andrade em abril - que evento interessante! Você gostaria de saber mais sobre a obra dele ou sobre a homenagem?

Irina Fulinaímica

Serafim Ponte Grande livro essencial de Oswald de Andrade

Luna de Oliveira

*

"Serafim Ponte Grande" é uma obra-prima de Oswald de Andrade! Publicado em 1933, é considerado um dos romances mais importantes do Modernismo brasileiro. 

- Sobre o livro:

- É um romance experimental, que mistura elementos de prosa, poesia e teatro.

- A narrativa é fragmentada e não linear, com uma linguagem inovadora e provocativa.

- O protagonista, Serafim, é um anti-herói que viaja pelo mundo, questionando a realidade e a sociedade.

- Importância:

- É um marco da literatura brasileira, influenciando gerações de escritores.

- Representa a busca de Oswald por uma linguagem genuinamente brasileira, livre de amarras tradicionais.

- Contexto:

- Foi escrito em um período de grande efervescência política e cultural no Brasil, com a Revolução de 1930 e a ascensão do Modernismo.

Você acha que a Balbúrdia PoÉtica vai abordar esse livro na homenagem a Oswald de Andrade?

Irina Fulinaímica

*


Artur Gomes

poeta ator videomaker produtor cultural

livros pulicados:

Um Instante No Meu Cérebro – 1973

Mutações Em Pré-Juízo – 1975

Além Da Mesa Posta – 1977

Jesus Cristo Cortador De Cana – cordel – 1978

Coletânea At0 5 – 1979

O Boi-Pintadinho – primeira edição: 1980

O Boi-Pintadinho  segunda edição: 1981

Suor & Cio – 1985

Couro Cru & Carne Viva – 1987

20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos – 1990

Conkretude Versus ConkrEreções – 1994

CarNAvalha Gumes – Portifólio –

Livro de Arte para o projeto Retalhos Imortais do SerAfim – Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim - 1995

BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas – 2000

SagaraNAgens Fulinaímicas – 2015

Juras Secretas – 2018

Pátria A(r)mada – primeira edição – 2019

O Poeta Enquanto Coisa – 202o

Pátria A(r)mada – segunda edição – 2022

O Homem Com A Flor Na Boca – 2023

Itabapoana Pedra Pássaro Poema – 2025

Inéditos:

Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma? – previsto para lançamento neste 2026

*

A Biografia De Um Poeta Absurdo

leia mais no blog

https://fulinaimacentrodearte.blogspot.com/



 Terra

antes que alguém morra

escrevo prevendo a morte

arriscando a vida

antes que seja tarde

e que a língua da minha boca

não cubra mais tua ferida

 

Artur Gomes 

 poema do livro Suor & Cio – 1985

leia no blog FULINAIMANICAMENTE FALANDO uma pequena trajetória de Artur Gomes até a criação do projeto Balbúrdia PoÉtica – poesia anti-barbárie

https://fulinaimamultiprojetos.blogspot.com/

 Obs.: estamos pensando a próxima edição da Barlbúrdia PoÉtica na última semana de Abril, em São Paulo,  com a curadoria de Cesar Augusto de Carvalho.

*

Que poema intenso!  O trecho de Artur Gomes do livro "Suor & Cio" (1985) traz uma reflexão profunda sobre a mortalidade, a expressão poética e a urgência de dizer algo antes que seja tarde demais.

- Análise do poema:

- A ideia de "escrever prevendo a morte" e "arriscando a vida" sugere uma poesia que busca capturar a essência da existência e da experiência humana de forma visceral.

- A imagem da "língua da minha boca não cubra mais tua ferida" pode simbolizar a busca por aliviar ou expressar dores e experiências profundas através da poesia.

- Projeto Balbúrdia PoÉtica:

- A menção ao projeto Balbúrdia PoÉtica como uma iniciativa de "poesia anti-barbárie" indica um esforço para usar a poesia como ferramenta de resistência e expressão cultural.

- A próxima edição em São Paulo, com curadoria de Cesar Augusto de Carvalho, parece ser um evento importante para celebrar e discutir poesia e cultura.

Você gostaria de saber mais sobre o projeto Balbúrdia PoÉtica, como participar da edição de abril em São Paulo, ou prefere aprofundar a análise da poesia de Artur Gomes? 

Irina Fulinaímica


                cada lugar na sua coisa

 

Um livro de poesia na gaveta
Não adianta nada
Lugar de poesia é na calçada
Lugar de quadro é na exposição

Lugar de música é no rádio
Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Lugar de samba-enredo é no asfalto

Aonde vai o pé, arrasta o salto
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Aonde a pé vai, se gasta a sola
Lugar de samba-enredo é na escola

 

Sérgio Sampaio

clique no link para ouvir

https://www.youtube.com/watch?v=Gk0r77JTzp8&list=RDGk0r77JTzp8&start_radio=1

Eu Quero è Bota Meu Bloco Na Rua

clique no link para ouvir

https://www.youtube.com/watch?v=P78TIRJ9Iak&list=PLyRt6UrE4Q4vthdsmRqJYAMHjRN1LHDih

Fulinaíma MultiProjetos

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Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de MIM

https://secretasjuras.blogspot.com/

 

 fulinaimanicamente falando

voz digo : Itabira

a nossa senhora da conceição

do mato dentro me engoliu

inteiro como uma sucuri

quando engole um boi

à beira do amazonas

ontem me perdi na zona

com Maria Antonieta

voltamos  de bicicleta

não passa uber por aqui

nas madrugadas nem fomos de táxi

porque também não tem

iluminação pública inexiste

nos salvou da escuridão

um bando de vagalumes boêmios

com suas lanternas sob as asas

 

Federico Baudelaire

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https://uilconpereira.blogspot.com/

*

Que delícia de texto!  Federico mistura elementos da natureza, da cultura e da vida noturna de uma forma surreal e poética.

A imagem de Itabira como uma "sucuri que engole um boi" é poderosa e sugere uma cidade que absorve as pessoas, talvez de forma intensa e avassaladora. A menção a Maria Antonieta e a volta de bicicleta pela "zona" (provavelmente uma área boêmia) cria um clima de aventura e liberdade.

A ausência de Uber táxi, e a falta de iluminação pública, contrasta com a salvação trazida pelos "vagalumes boêmios com suas lanternas sob as asas", que pode ser interpretada como a poesia, a arte ou a própria imaginação salvando as pessoas da escuridão.

Federico Baudelaire é um pseudônimo interessante, misturando referências a Federico García Lorca e Charles Baudelaire, ambos poetas que exploraram temas de amor, morte e a condição humana.

O que você acha que os "vagalumes boêmios" representam nesse contexto? Ou é mais uma imagem poética para criar um clima?

Irina Fulinaímica

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distante teresina

 

numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele, na poesia experimental Torquato  dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.

 

Artur Gomes

*

Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim

                   EuGênio Mallarmè 

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nas Encruzilhadas do SerAfim

rente a pele contra o muro

        eu te grafito no escuro

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva

- 1987

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A Biografia de Um Poeta Absurdo 

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Nas Encruzilhadas do SerAfim

                                 

Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia

Entre as pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”, não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva, devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito e puro ritual.

Artur Gomes nos oferece uma obra que é herdeira direta  de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que nasce de seus próprios versos.

Tudo começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia, transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos levará a todas as outras confluências.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado. Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao livro narra justamente esse percurso:

“É bem verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”

Este trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”, conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.

Mas não há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do  espírito. Ou melhor: do corpoespírito. A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição; ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira, Mallarmè  e o autor de As Flores do Mal em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando poemas meus”.

No centro desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física / meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na carne:

“no carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da alma e a / escritura dos ossos”

Aqui, todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”. E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é país não é ilha”.

Caro leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis) profundo.  “Drummundana Itabirina” não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das perguntas e das inquietações.  Artur Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.

Aceite o convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar, de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a nossa complexidade, beleza e ferida aberta.

Agora, vire a página. O banquete está servido.

                                                                                                  Mazagão, 04 de janeiro de 2026.

Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.

*

Que apresentação incrível!

Herbert Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes, destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.

A ideia de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de devorar e transformar diferentes elementos.

A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla. 

A ênfase na poética do corpo como território último da linguagem é também muito importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a relação entre o corpo e a linguagem.

A apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes, destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

Irina Fulinaímica

Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 12 Dia 14 de março 19h Casarão Centro Cultural Rua Salvador Correia, 117 Campos dos Goytacazes-RJ Uma homenagem ...