Balburdia PoÉtica
em São Fidélis-RJ
nesta cidade/poema
ganhei prêmio com música
em mil novecentos e setenta e quatro
com meu parceiro Ciranda
um fidelense
arretado
em nossas Baladas Pros Mortais
um violeiro sagrado
em rodas de Boi-Pintadinho
levei muita gente ao Torquato
em marcantes semanas culturais
com teatro poesia cinema
entre afetos amizades carinho
nesta cidade/poema
com o nosso Caminho de Paz
abrimos novos caminhos
*
clique no link para v(l)er ouvir Caminho de Paz
https://www.youtube.com/watch?v=j_4KIdGDoh8&list=RDj_4KIdGDoh8&start_radio=1
Artur Gomes
53 Anos de Poesia
Balbúrdia PoÉtica
Dia 3 julho/2026 – 18:30h
São Fidélis-RJ
4º Festival Gastronômico
leia mas no blog
A Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
*
Clique no link para ouvir Ave da Paz parceria de Artur Gomes e
Paulo Ciranda, gravada por Biafra
https://www.youtube.com/watch?v=uhrWRN3N-Ws&list=RDj_4KIdGDoh8&index=8
Balburdia PoÉtica
em São Fidélis-RJ
nesta cidade/poema
ganhei prêmio com música
em mil novecentos e setenta e quatro
com meu parceiro Ciranda
um fidelense arretado
em nossas Baladas Mortais
um violeiro sagrado
em rodas de Boi-Pintadinho
levei muita gente ao Torquato
em marcantes semanas culturais
com teatro poesia cinema
entre afetos amizades carinho
nesta cidade/poema
com o nosso Caminho de Paz
abrimos novos caminhos
Artur Gomes
53 Anos de Poesia
Balbúrdia PoÉtica
Dia 3 julho/2026 – 18:30h
São Fidélis-RJ
4º Festival Gastronômico
E a pá virou
cavaquinho.
Antes de Couro Cru teve Baladas Pros Mortais.
Antes do Vampiro teve Ciranda.
Antes do grito teve música.
1974. 52 anos cavando.
53 anos de poesia em 2026.
A autópsia da cidade/poema:
1. nesta
cidade/poema
A barra de novo. Igual pá/lavra. Igual Pátria A(r)mada.
São Fidélis não é cenário. É verso.
Salgado cavalgou o Rio. Artur cavalga São Fidélis.
Cidade que dá prêmio em 1974 e dá banquete em 2026.
Cidade que vira poema pra não ser lavra inútil.
A barra é a cicatriz onde a cidade e o poeta se
costuraram.
2. ganhei prêmio com música / em mil novecentos e setenta e
quatro
1974. Antes de Margem 1973 virar livro, já tinha música.
Antes da palavra virar pá, virou acorde.
O grito de 2026 nasceu afinado.
“Um dia desses mudo / escrevo um poema / grito”.
Em 1974 ele não tava mudo. Tava cantando.
Ganhou prêmio. Ganhou Ciranda. Ganhou São Fidélis.
3. com meu parceiro Ciranda / um fidelense arretado
Ciranda: roda. Povo. Movimento.
Arretado: palavra de Nordeste no Norte Fluminense.
Artur já era canibal em 1974. Comeu a Paraíba e cuspiu em São
Fidélis.
Fidelense: filho da fidelidade. Da fé. Do afeto.
entre afetos amizades carinho.
O Vampiro de 2026 morde. Mas morde quem ama.
Porque antes aprendeu carinho em roda de Boi-Pintadinho.
4. em nossas Baladas
Pros Mortais / um violeiro sagrado
Baladas Mortais: o primeiro punhal tinha corda.
Violeiro sagrado: Ciranda benzia a viola antes de tocar o
dono.
O Boi-Pintadinho 1980 veio dali. “o povo é boi tem de lutar”.
O boi lutou primeiro na roda. No verso. Na viola.
1974 plantou. 1980 colheu. 2026 serve no Banquete.
5. levei muita gente
ao Torquato / em marcantes semanas culturais
Torquato Neto: anjo torto da Tropicália.
Levar gente ao Torquato é levar gente pra margem.
Margem 1973. Semanas culturais 2016.
Teatro poesia cinema: a pá/lavra já era múltipla.
Balbúrdia PoÉtica antes da Balbúrdia ser nome.
53 anos fazendo barulho organizado. Fazendo balbúrdia com É de
Épico.
6. com o nosso
Caminho de Paz / abrimos novos caminhos
Caminho de Paz: música de 1974 que vira verbo em 2026.
v(l)er: ver com L de luta. Ver com L de lavra.
Ouvir: o mudo de 2026 canta desde 1974.
Abrimos novos caminhos: com pá, com viola, com dente.
São Fidélis: cidade/poema que abriu caminho pro Vampiro
voltar.
A linha 1974 → 2026:
1974: ganhei prêmio com música. Começou ganhando.
1980: O Boi-Pintadinho. O povo ganhou voz.
1987: Couro Cru & Carne Viva. O corpo ganhou punhal.
2022: Pátria A(r)mada. A Pátria ganhou tiro.
2026: Vampiro Goytacá. O dono ganha cova.
Volta pra São Fidélis porque foi lá que a guerra começou. Com
música. A foto: Paulo Ciranda, o parceiro
- chapéu preto de boiadeiro. Cavaquinho na mão. Camisa Paraty.
Paraty: Rio de Janeiro. Porto. Cachaça. Canibal.
O Vampiro Parceiro de 2026 já tá vestido. Já tá afinado.
O Parceiro violeiro sagrado de 1974 virou o Canibal Tupiniquim
de 2026.
Mesma mão. Mesmo olho baixo. Mirando a corda. Mirando o
dono. Salve Ciranda por ser
parceiro da primeira mordida.
Salve 1974 por dar prêmio pro mudo que ia gritar.
Salve São Fidélis por ser cidade/poema e não lavra inútil.
Salve Caminho de Paz por abrir caminhos pro Banquete
Antropofágico.
Salve 53 Anos de Poesia por cavar sem largar a pá.
Salve Balbúrdia PoÉtica por botar É maiúsculo no barulho. De Baladas Pro Mortais 1976
Pra Vampiro Goytacá 2026.
A balada não morreu. Virou banquete.
O violeiro não calou. Virou grito. Dia 3 de julho. 18:30h. São Fidélis-RJ.
4º Festival Gastronômico.
O Vampiro volta pra cidade/poema.
Com cavaquinho. Com pá. Com fome. Clique no link pra v(l)er.
Mas dia 3 é pra morder.
Fulinaimicamente.
*
Um dia desses mudo
escrevo um poema
grito
Artur Gomes
O silêncio antes do tiro. A carga antes da dinamite.
Depois da pá, depois da lavra, depois do dardo, vem o
grito. A anatomia da mudez armada:
1. Um dia desses mudo
Mudo: não calado. Estratégia.
Mudo igual duplamente descarado / quando escrevo e não
assino 1987.
Mudo igual Margem 1973: fora do centro, fora do microfone.
Mudo igual Cacomanga 1985: aprendi / a odiar os generais.
Odiar é verbo que se conjuga mudo. Até virar punho.
Ele ficou mudo 31 anos entre Couro Cru & Carne
Viva 1987 e Juras Secretas 2018.
Mudo não é ausência. É acúmulo.
2. escrevo um poema
Escrever: cavar. “Cavo a palavra para que com a pá não seja
mais uma lavra inútil”.
Poema: dardo. “Dedico este poema ao Dardo”.
Não declama. Não recita. Escreve.
Escrever mudo é afiar a faca sem fazer barulho.
1983 Mostra Visual: deixamos de ser eu pra sermos nós.
O poema mudo é nós. É bando. É alcateia na tocaia.
3. grito
O verbo final. Sem ponto. Sem aviso.
Grito: o que nasce do mudo.
1980: “o povo é boi tem de lutar”. O boi mudo aprendeu
a mugir.
2020: “por um poema / que desconcerte / entorte”. O
poema desconcertou mudo. Agora entorta gritando.
2022: “Deus não arde no fogo / mas eu ardo”. Arder é
grito do corpo.
2026: Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim. Vampiro não
fala. Grita com dente.
A linha do grito 1973 → 2026:
Margem 1973: mudo na margem.
Couro Cru 1987: “com um prazer de fera
e um punhal de amante”. Punhal é grito de metal.
Poeta Enquanto Coisa 2020: a sua palavra é feita muito mais de
som – de GRITO! Nic Cardeal avisou.
Vampiro Goytacá 2026: o mudo escreveu. E agora grita.
Dia 3 de julho. 18:30h. São Fidélis.
O grito tem hora. Tem lugar. Tem dono na mira. Por que o mudo grita?
Porque cavou demais. Cavo a palavra.
Porque a lavra não foi inútil. para que com a pá não seja mais
uma lavra inútil.
Porque o dardo tá pronto. Dedico este poema ao Dardo.
Porque cavalgou em Salgado. cavalgo em tua poesia / Salgado.
Porque a palavra virou soberana. a pá/lavra: / soberana. Mudo é o Canibal antes da mordida.
Escreve o poema com sangue na boca.
Grita com a goela do Vampiro.
Salve Um dia desses mudo por ser ameaça.
Salve escrevo um poema por ser armadilha.
Salve grito por ser execução.
Salve 53 anos de mudez que virou Banquete Antropofágico. Ave Da Paz, eu quisera ser pássaro 1976
Pra escrevo um poema grito 2026.
Quis ser pássaro. Virou pá.
Virou lavra. Virou dardo. Virou grito. O mudo acabou.
O poema tá escrito.
O grito é dia 3.
Escuta.
Fulinaimicamente.
Irina Severina Serafina
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https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/
As pernas tortas de Garrincha
hoje preciso sair por aí para catar palavras, que não existem
por aqui, em dicionário algum. Preciso que Ogum me guie, me ilumine, por estradas
curvas, sem linhas retas, como as pernas de Garrincha e o golaço que ele fez
contra o Chile na Copa de 1962. Não preciso que me falem de palavras novas, quero
catar as que ainda não são, para torná-las outras, vivas na memória como mantenho vivo na minha, esse nome: Mané.
Artur Gomes
In Retalhos Imortais do SerAfim
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Está chegando o Dia D
Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 – julho – 18:30h
São Fidélis-RJ – Festival Gastronômico
participações especiais:
Adriana Porto
Aline Reis
Ana Rita Gonçalves
Claudio Valente
Geraldo Chocolate
Gustavo Polycarpo
Ronaldo Barcelos
Valdemy Braga
produção:
Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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pelo visto
não morri
insisto
ainda estou aqui
Artur Gomes
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Artur Gomes Nação Goytacá
Deus não joga dados
mas a gente lança
sem nem mesmo saber se alcança
o número que se quer
mas como me disse mallarmè
:
- vida não é lance de dedos
A vida é lança de dardos
Deus não arde no fogo
mas
eu ardo
Artur Gomes
Pátria A(r )mada
Desconcertos – 2022
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https://arturfulinaima.blogspot.com/
Deus não joga dados
mas a gente lança
sem nem mesmo saber se alcança
o número que se quer
mas como me disse mallarmè:
- vida não é lance de dedos
A vida é lança de dardos
Deus não arde no fogo
mas eu ardo
Artur Gomes
Pátria A(r)mada - Desconcertos – 2022 2022. Ano que a Pátria tava armada até os
dentes. Você respondeu com lança. De dardos. De versos. De fogo. A física do lance:
1. Deus não joga dados / mas a gente lança
Einstein disse que Deus não joga dados. Mas Deus jogou o
Brasil no tabuleiro em 2016.
2020. Lançou O Poeta Enquanto Coisa.
2022. Lançou Pátria
A(r)mada. Lançou o corpo na rua. Na urna. No espeto. Sem saber se alcança. Porque
todo santo dia é dia d. Dia de jogar. Dia de arder.
2. mas como me disse
mallarmè : - vida não é lance de dedos / A vida é lança
de dardos
Mallarmé: Um lance de dados jamais abolirá o acaso.
Você responde: acaso é luxo de quem não foi moído em
Cacomanga.
Lance de dedos: sorte, jogo, loteria. Lança de dardos: guerra,
pontaria, sangue.
1980 levanta meu boi: o primeiro dardo.
1995 Oswald Nada Sabia: dardo no Modernismo
2020 Poeta Enquanto Coisa: dardo na boca do pastor.
2026 Vampiro Goytacá: o dardo acerta. Bem no meio do
dono.
Sua obra inteira é aljava.
3. Deus não arde no
fogo / mas eu ardo
Deus não ardeu nos fornos da Cambaíba.
Deus não ardeu na ditadura.
Deus não ardeu na
pandemia.
Mas você ardeu. Desde Cacomanga 1985. aprendi / a conhecer
/ os donos de fazendas / e odiar os generais
Ardeu em 1987: Couro Cru & Carne Viva.
Ardeu em 2020: Poeta Enquanto Coisa.
Arde em 2022: Pátria A(r)mada.
Arderá em 2026: bendito meu pão que o diabo amassou.
Deus é frio. Você é brasa. Por isso o Banquete Antropofágico
tem seu nome no cardápio.
A capa: PÁTRIA A(R)MADA
2ª edição revista e ampliada O (R) em vermelho. Sangue. Revólver. Revolta.
Ilustração: corpos emaranhados, famintos, armados. É Goya. É
Grito. É Goytacá. Não é Pátria Amada. É Pátria Armada. Contra nós. Você
revistou e ampliou. Botou mais bala.
Lau
Siqueira na orelha: “Artur Gomes é poeta do corpo e da alma. Do
corpo, pois as sensibilidades da pele estão devidamente traduzidas na extensão
da sua obra. Também da alma, pois extrai das invisibilidades a força de um
viver que resiste e insiste nas guerrilhas poéticas do cotidiano.”
Guerrilhas poéticas: Cacomanga foi a primeira trincheira. Pátria
A(r)mada é a emboscada. Versos que berram diante do espelho os silêncios
que traduzem sua vitalidade poética.
Espelho: o da Usina. O do DOPS. O da Pátria. Você berrou e o
espelho trincou em 2022.
Nic Cardeal no prefácio: “Ademir Assunção
está corretíssimo – sua poesia, Artur, não é literatura que se conforma em
permanecer apenas nas páginas de um livro, pois a sua palavra é feita muito
mais de som – de GRITO!”
GRITO: levanta meu boi 1980. GRITO: Oswald Nada Sabia
1995. GRITO: arrebanhe os cordeiros 2020. GRITO: Deus não arde no fogo / mas
eu ardo
2022.A sua literatura transpira através da pele e por toda a
cartografia do corpo, como uma tatuagem atrás da orelha.
Tatuagem: Cambaíba. Cacomanga. Campos.
Tatuagem: só me queira assim caçado / mestiço vadio latino.
A sua denúncia é política, social, cultural, humanitária,
ética, estética – e poética!
Denúncia: aprendi / a conhecer / os donos de fazendas / e
odiar os generais
1985. Sentença:
Vampiro Goytacá 2026.
Desconcertos Editora. Desconcertos 2022. Desconcerto: o que
desconcerte / entorte / desconforte
2020.Você desconcertou a Pátria. Ela desafinou em 2016. Você
afinou a foice em 2022.
Blog: www.arturfulinaima.blogspot.com
Fulinaíma: Macunaíma + Foice + Fuligem.
O herói sem caráter virou herói com cartucheira.
1973 você começou lançando dados.
2022 você entendeu: vida é lança de dardos. E mirou no meio da
testa da Pátria.
A matemática da dor:
Cacomanga 1985: dados viciados. Só dava dono. O Boi-Pintadinho
1980: tentou mudar o jogo.
Pátria A(r)mada 2022: largou os dados. Pegou a lança.
Vampiro Goytacá 2026: acerta o alvo. Salve Mallarmé por avisar que dado não
resolve.
Salve 2022 por confirmar que dardo resolve.
Salve Deus não arde no fogo por ser blasfêmia necessária.
Salve mas eu ardo por ser testamento de 53 anos.
Salve Pátria A(r)mada por botar o (R) onde dói.
De Ali nasci em Cacomanga Pra eu nasci concreto em
Itabapoana
Pra Deus não arde no fogo / mas eu ardo em 2022
Pra bendito meu pão que o diabo amassou em 2026.
Você lançou. Não
alcançou o número que queria. Alcançou o número que precisava: 12.
12 Vampiras. 12 dardos. 12 bocas.
Dia 3 de julho. 18:30h.
Deus não vai jogar. Mas você vai arder. E a Pátria vai arder
junto. Fulinaimicamente.
Federico Baudelaire
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https://fulinaimagemfreudelerico.blogspot.com/
cavalgo em tua poesia
Salgado
não sei se em ti me afago
ou se me afago por ti
Artur Gomes
Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
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cacomanga
Ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
a conhecer
os donos de fazendas
e odiar os generais
Artur Gomes
A Biografia De Um Poeta Absurdo
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coração de galinha
não sou tigresa
em tua cama
nem caviar em tua mesa
não sou mulher de fama
muito embora sempre tesa
não vim da boca do lixo
saí da pele do ovo
meu coração de galinha
virou orgasmo do povo
Artur Gomes
Suor & Cio – 1985
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Artur Gomes – Fulinaimagens
https://fulinaimagens.blogspot.com/
Desenho da capa: Genilson Paes Soares
coração de galinha
não sou tigresa em tua cama
nem caviar em tua mesa
não sou mulher de fama
muito embora sempre tesa
não vim da boca do lixo
saí da pele do ovo
meu coração de galinha
virou orgasmo do povo
Artur Gomes
Suor & Cio – 1985
Desenho da capa: Genilson Paes Soares 1985.
Suor & Cio. O quinto livro. Mesmo livro de Cacomanga. Mesmo ano que você aprendeu a conhecer / os donos de fazendas.
Só que agora não é cana. É carne. É cio. É suor. O Boi de 1980
ainda tava de pé. Mas aqui você descobriu que o Boi também goza. A anatomia do ovo:
1. não sou tigresa /
em tua cama / nem caviar em tua mesa
Negação tríplice. Igual confissão no DOPS.
Tigresa: felina de luxo. Dama de alta classe.
Caviar: comida de dono. De general. De usineiro. Você recusa o
cardápio da Casa Grande.
2026 Vampiro Goytacá: você não é caviar. Você serve o dono.
1985 você já sabia: não come na mesa deles. Come eles.
2. não sou mulher de fama / muito embora sempre tesa
Tesa: pronta pro corte. Pronta pro coito. Pronta pro combate.
Mulher de fama: famosa, filmada, casada com dono.
Você é anônima igual boia-fria. Igual coração de galinha. Mas
tesa. Desde Cacomanga.
Desde aprendi / a
odiar os generais.
2020 Poeta Enquanto Coisa: assumo o risco / não sou demo /
nem corisco / eu sou cantor.
1985 sempre tesa: eu sou galinha. E vou te bicar.
3. não vim da boca do lixo / saí da pele do ovo
Boca do Lixo: cinema marginal. Rogério Sganzerla. Orgia.
Anarquia. Você recusa até a margem chique. Sua margem é outra: Cacomanga.
Canavial. Forno.
Pele do ovo: nasceu de dentro. Não foi achado no resto. Germinou
no calor do bagaço. Chocou no cio da terra.
Itabapoana Pedra Pássaro Poema: eu nasci concreto / na
horizontal ereto.
Aqui: saí da pele do ovo. Pedra vira pássaro. Ovo vira
galinha. Galinha vira orgasmo.
4. meu coração de galinha / virou orgasmo do povo
Coração de galinha: covarde, pequeno, descartável. Miúdo que
se come com farofa. Que se joga pro cachorro. Você pega o insulto e devolve
gozo. Transmutação alquímica. Itabapoana: poesia alquimia bruxaria. Transformou
coração de galinha em orgasmo do povo.
1980 povo é boi tem de lutar.
1985 orgasmo do povo.
O Boi descobriu que também sente prazer. E que prazer é arma.
Contra o dono. Contra o general. Contra a Pátria A(r)mada.
A capa: Suor & Cio por Genilson Paes Soares
Traço cru. Corpo de mulher em linhas pretas. Sem rosto. Só
curva, seio, ventre, coxa.
Suor: salgado. Escorre do corte da cana. Cio: quente. Escorre
do corte da carne.
1985: o corpo desenhado é o mesmo corpo moído em Cacomanga.
É o corpo que vai virar Couro Cru & Carne Viva 1987.
É o corpo que vai virar 12 Vampiras 2026.
Genilson riscou o mapa. Você botou o dente.
Suor & Cio_ 1985: meu coração de galinha / virou orgasmo do
povo
Pátria
A(r)mada 2022: cão algoz
de assassino
Vampiro Goytacá 2026:
bendito meu pão que o
diabo amassou
De galinha pra cão. De orgasmo pra algoz. O coração era
pequeno. Cresceu. Criou presa.
1985 você gozou. 2026 você morde. Mesmo livro. Mesmo ódio. Só
engrossou o caldo.
Blog: www.fulinaimagens.blogspot.com
Fulinaimagens
a imagem do Fulinaíma. 1985
a imagem era traço de Genilson. Corpo sem rosto.
2026 a imagem é Drummundana Itabirina. Corpo de óculos
escuros. O rosto apareceu. E tá com fome.
Salve 1985 por parir Suor & Cio no ano que a
ditadura fingiu que morreu. Salve coração de galinha por virar granada.
Salve não sou mulher de fama por ser mulher de foice.
Salve saí da pele do ovo por chocar o Canibal.
Salve Genilson Paes Soares por desenhar o cio antes da
mordida.
De Cacomanga: Ali
nasci / minha infância / era só canaviais
Pra coração de galinha: saí da pele do ovo
Pra Itabapoana: eu nasci concreto
Pra Pátria A(r)mada: Deus não arde no fogo / mas eu ardo
Você nasceu três vezes:
1. No canavial. Virou ódio.
2. No ovo. Virou orgasmo.
3. No concreto. Virou dardo.
O coração era de galinha. Agora é de Vampiro.
E bate. Na porta do dono. Dia 3 de julho. 18:30h. Pra servir o
jantar. Fulinaimicamente.
Irina Severina Serafina Amaralina
leia mais no blog
Ilustração para capa do Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaímama?
Mais uma capa de meus livros ilustrada pelo grande amigo/parceiro Felipe
Estefani. O livro já se encontra em fase de edição pela Ventura Editora, aos
cuidados de outro grande amigo/parceiro Jorge Ventura. Prefácio assinado por Herbert
Emanuel Valente de Oliveira e orelha com texto de Luis Otávio Oliani
CarNAvalha
quantas navalhas
na carne enterrei
quantas feridas já sangrei
na pele nos nervos no osso
do boi só para ti
quantas lágrimas já chorei
quantas vezes mergulhei
no fosso fundo do poço
e ainda estou aqui?
Artur Gomes
leia mais no blog
Drummudana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?
https://uilconpereira.blogspot.com/
Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 – julho – 18:30h
São Fidélis-RJ – 4° Festival Gastronômico
participações especiais:
Adriana Porto
Aline Reis
Ana Rita Gonçalves
Claudio Valente
Geraldo Chocolate
Gustavo Polycarpo
Ronaldo Barcelos
Valdemy Braga
produção:
Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
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A Biografia De Um Poeta Absurdo










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