sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Irina Amaralina Severina Serafina

Cântico Negro – José Régio

 

Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:

Criar desumanidades!

Não acompanhar ninguém.

— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou,

É uma onda que se alevantou,

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!

 

clique no link para ouvir o poema na imortal interpretação de Paulo Gracindo

https://www.facebook.com/search/top/?q=C%C3%A2ntico%20Negro%20Jos%C3%A9%20R%C3%A9gio%20

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Artur Gomes - FULINAIMAGENS

https://fulinaimagens.blogspot.com/

*

Que poema incrível!  O "Cântico Negro" de José Régio é um manifesto de independência e liberdade, uma declaração de que o poeta não se deixa levar pelas convenções e expectativas dos outros. A interpretação de Paulo Gracindo é simplesmente magistral, trazendo à vida as palavras do poema com uma intensidade e paixão que é impossível de resistir.

A forma como o poema rejeita as expectativas e as definições é muito poderosa, é como se o poeta estivesse dizendo "não me digam o que eu devo ser ou fazer, eu sou o meu próprio caminho". E a imagem da loucura como um facho que arde na noite escura é simplesmente genial, é como se o poeta estivesse dizendo que a verdadeira liberdade é seguir a sua própria loucura, não importa o que os outros pensem.

E o final, "Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí!", é um verdadeiro grito de liberdade, é como se o poeta estivesse dizendo que o caminho é incerto, mas que ele está pronto para seguir em frente, sem medo e sem hesitação.

Obrigado por compartilhar esse poema e a interpretação de Paulo Gracindo! É um verdadeiro tesouro.

E você, o que sente ao ler esse poema? Qual é o seu sentimento em relação à mensagem do "Cântico Negro"?

Irina Amaralina Severina Serafina 



Poesia é a escuta do silêncio Drummundo

 

Depois de muito ler reler o livro O silêncio é a música mais antiga do mundo, da minha querida Kalu Coelho, depois de ouvir a fala de Sylvia Paes, fazendo a sua fala sobre Kalu, depois da minha fala com a leitura de alguns poemas  do livro, e depois de ouví-la. Falamdo sobre: silêncio, escuta, afeto, memória e ancestralidade,  meio veio estar frase/verso: Poesia É Escutar o Silêncio Drummundo, e a metáfora não é por acaso.

Como não poderia deixar de ser a noite foi de pura emoção contagiando todos os seu familiares presentes: Ana Coêlho, Tania Terra,(e não tive como deixar de pensar em Clarice Terra, e todos integrantes da família ali presentes, sabem  o porque ),  Frederico Escocard, e seu filho, Levy Quaresma, José Luis Da Cruz Vianna, Nilson Siqueira,(amigo e hoje meu produtor fotográfico e audiovisual),  Andréa Brandão(amiga mineira de Itabira, que conheci em 1987 na cidade de Batatais-SP).

Portando todos amigos de longas datas, e todos de algumas forma parte da minha caminhada. Não tinha como naquele momento deixar de pensar em Hélio de Freitas Coêlho(o pai), e Edgar Coêlho dos Santos(avô), Duas pessoas, de significado ímpar na minha trajetória no atravessamento na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, com  a produção poética.

E imediatamente na primeira palavra que iniciei a minha fala, me veio uma caudalosa correnteza emocional como se as águas de minha mãe Oxum, invadisse o espaço da Academia Campista de Letras, para continuar, tive que pausar, escutar o silêncio, segurar o baque e conter as lágrimas, por uma questão de ancestralidade.

Não preciso dizer que desde a primeira leitura dos poemas do livro, antes mesmo dele ser lançado, quando Kalu me enviou para apreciação, foi paixão à primeira vista, pois alguns poemas me remexem corpo e alma, pois tocam em questão para mim fundamentais, não apenas pela poesia, em si e o seu processo de criação, mas pela vida como um todo e seus milhões de significados.

Eis um desses poemas:

 

Ancestralidade

Quando eu nasci

minha filha já me sonhava

no sono de minha mãe.

Ela nasceu da neta de minha avó.

Ela me continua

Todo dia.

de onde eu vim

as coisas não tem começo

e nem fim.

Eu nunca fui só

e antes de morrer

preciso parir minha bisavó.

 

Kalu Coelho

O silêncio é a música mais antiga do mundo

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Artur Gomes FULINAIMAGENS

https://fulinaimicamente.blogspot.com/

fotos: Nilson Siqueira

Jura Secreta 42



xangô é parte da pedra 
exu fagulha de ferro 
ogum espada de aço 
faz do meu colo teus braços 
oxossi é carne da mata 
yansã é fogo vento tempestade 

yemanjá água do mar 
oxum é água doce 
oxalá em ti me trouxe 

te canto como se fosse u 
m novo deus em liberdade 



sou teu leão de fogo 
todo jogo que me propor eu topo 
beber teu copo comer da tua comida 

encarar de frente 
a janela de entrada 

e se for preciso a porta de saída

 

Artur Gomes

Poema do livro Juras Secretas

litteralux – 2028

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https://braziliricapereira.blogspot.com/

Que poema incrível de Artur Gomes! Ele faz uma conexão poderosa entre os orixás do candomblé e elementos naturais, criando uma atmosfera de espiritualidade e liberdade.

No poema, Xangô é associado à pedra, Exu à fagulha de ferro, Ogum à espada de aço, Yemanjá à água do mar, Yansã ao fogo, vento e tempestade, Oxum à água doce, e Oxalá é invocado como uma figura que traz o narrador para essa conexão espiritual. A forma como Artur Gomes "canta" Oxalá "como se fosse um novo Deus em liberdade" sugere uma busca por uma conexão profunda com o divino e com a natureza.

Você acha que esse poema reflete uma busca por espiritualidade e conexão com as forças da natureza através dos orixás? Ou talvez seja uma forma de Artur Gomes expressar a liberdade criativa e espiritual em sua poesia?

Irina Amaralina Severina Serafina

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https://braziliricapereira.blogspot.com/

Tem uma passagem no livro O Homem Com A Flor Na Boca que ele diz - "nesse sítio de Oxóssi assumo tudo o que me pertence o profano é o sagrado libero o que está guardado e não cabe mais dentro de mim”

Rúbia Querubim

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https://porradalirica.blogspot.com/

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Que passagem incrível, Rúbia Querubim! A forma como Artur Gomes escreve é uma verdadeira celebração da liberdade e da autoaceitação. A referência a Oxóssi, o orixá da caça e da floresta, é uma maneira de conectar a sua própria jornada pessoal com a espiritualidade e a cultura africana.

A frase "nesse sítio de Oxóssi assumo tudo o que me pertence" é uma declaração de posse e de aceitação de si mesmo. É como se ele estivesse dizendo que está tomando controle da sua própria vida e da sua própria identidade, e que está disposto a assumir tudo o que faz parte dele, incluindo as partes que podem ser consideradas "profanas" ou "sacras".

A ideia de "liberar o que está guardado e não cabe mais dentro de mim" é uma imagem poderosa de libertação e de catarse. É como se ele estivesse dizendo que está pronto para soltar tudo o que estava reprimido ou escondido, e que está pronto para se expressar de forma autêntica e verdadeira.

Essa passagem me faz pensar na ideia de que a verdadeira liberdade vem de dentro, e que é preciso se aceitar e se amar para poder se expressar de forma genuína. Você acha que essa passagem é uma chave para entender a obra de Artur Gomes como uma celebração da autoaceitação e da liberdade?

Irina Amaralina Severina Serafina

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https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

 

Irina  

mulher de Amaralina

 mexe tudo dentro de mim

  muito mais que Severina

muito mais que Cabralina

muito mais que Severina

muito mais que Serafina

muito mais que que SerAfim.

 

                               EuGênio Mallarmè

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https://personasarturianas.blogspot.com/

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Que descrição incrível, Rúbia Querubim! A forma como  EuGênio Mallarmè  descreve Irina é uma verdadeira explosão de palavras e sentimentos. A repetição de "muito mais que" é uma figura de linguagem poderosa que destaca a intensidade da paixão e do fascínio que ele sente por Irina.

 

A escolha dos nomes Severina, Cabralina Serafina e SerAfim também é interessante. Parece que ele está criando uma espécie de jogo de palavras, brincando com a sonoridade e a estrutura dos nomes para criar um efeito poético. E a forma como ele os compara a Irina, dizendo que ela é "muito mais que" qualquer um deles, é uma maneira de destacar a sua singularidade e a sua capacidade de mexer com os sentimentos dele.

A descrição de Irina como uma mulher de Amaralina também é interessante. Amaralina é um bairro de Salvador, Bahia, conhecido por sua beleza e sua energia. A escolha desse nome pode ser uma forma de Artur Gomes evocar uma imagem de beleza e sensualidade, e de associar Irina a essa energia e essa paixão.

Você acha que a descrição de Irina é uma forma de EuGênio Mallarmè expressar a sua própria vulnerabilidade e sensibilidade como poeta?

 

Federika Lispector

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https://centrodeartefulinaima.blogspot.com/

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