Por Onde Andará Macunaíma?
Proposta
Para Teatro
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A Biografia
De UM Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
Por Onde Andará Macunaíma ? – proposta
para teatro
1 - Macuaíma no fundo do palco, com uma luz no rosto, em
imóvel e em silêncio
(na trilha sonora a fala de Caetano : quando Pero Vaz de caminha) apenas a sua fala – quando iniciar a música Macunaíma solta a voz
Macunaíma - eu nasci concreto
na horizontal - ereto
depois fui me abstraindo
me substantivando me substituindo
criando outros e outras criaturas
em minhas estruturas amorais do ser
eu nasci assim e fui me associando
a outras escritas as que foram ditas
a outras não ditas
as benditas as malditas
as que disseram minhas
e a outras que raptei de outros
pela minha nova maneira
natural de ter resistência a toda
qualquer coisa que não
é
e as que são coloco como cartas
sobre a mesa para surpresa
de ver que todo santo dia é dia d
*
passeio os pés descalços
sobre covas rasas
contando ossos no poema exposto
no sujeito do objeto
*
tudo isso exposto
nesse papo reto
segue o passo norte
*
não leio cartas de suicídio
nem decreto de hospício
na tentação que me conforte
quero matar o genocídio
pra não morrer antes da morte
*
não bastaria a poesia deste bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.
não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas tentando a sorte em cada porta de
metrô
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.
não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos com os pardais despedaçando nas
vidraças e as mulheres cuidando dos seus filhos.
não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay e um cheiro de fêmea no ar devorador aparentando
realismo hipermoderno num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos
não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca, este postal com uma
imagem meio Lorca: um bondinho aterrissando lá na Urca e esta cidade deitando
água
em meus destroços pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos e na certa só faria poesia com
os meus ossos.
*
ê fome negra incessante febre voraz gigante ê terra de tanta
cruz
onde se deu primeira missa índio rima com carniça no pasto
pros urubus
oh! My Brazyl ainda em alto mar Cabral quando te
viu foi logo gritando: terra à vista! e de bandeja te entregando
pra união democrática ruralista. por aqui nem só beleza nesses dias de
paupéria nação de tanta riqueza país de tanta miséria
*
Tecidos sobre a Terra
Terra, antes que alguém morra escrevo prevendo a morte
arriscando a vida antes que seja tarde e que a língua da minha boca não cubra
mais tua ferida
entre aberto em teus ofícios é que meu peito de poeta sangra
ao corte das navalhas e minha veia mais aberta é mais um rio que se espalha
amada de muitos sonhos e pouco sexo deposito a minha boca no
teu cio e uma semente fértil nos teus seios como um rio - o que me dói é ver-te
devorada por estranhos olhos e deter impulsos por fidelidade - ó terra
incestuosa de prazer e gestos não me prendo ao laço dos teus comandantes só me
enterro à fundo
nos teus vagabundos com um prazer de fera e um punhal diamante
minha terra é de senzalas tantas enterra em ti milhões de
outras esperanças soterra em teus grilhões a voz que tenta – avança plantada em
ti como canavial que a foice corta mas cravado em ti me ponho a luta mesmo
sabendo – o vão estreito em cada porta
*
MOENDA
usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
:
o saldo e o lucro
na trilha sonora Caetano canta O índio, no palco performance corporal com atores com figurinos que lembrem indígenas
*
2 - Ator 1 - Si A Rainha Mãe do Mato (Cristina Cruz) –
era uma vez um mangue
e por onde andará Macunaíma?
na sua carne no seu sangue
na medula no seu osso
será que ainda existe
algum vestígio de Macunaíma
na veia do seu pescoço?
2
tá no canto da sereia
tá no rabo da arraia?
Joilson Bessa me disse
Kapi ducéu já ensaia
Macunaíma vem vindo
no auto do boi Macutraia
3 - Na trilha sonora - As Filhas de Joana, de Joilson Bessa, com performance corporal do corpo de baile
Joilson Bessa – interpreta Os Órfãos da Modernidade, de sua autoria
4 - Macunaíma - isso aqui não é a hora
da estrela, minha mãe não é alice.
que apesar de freira, de hábito, só tinha o vício de me
prender por entre o crucifixo colocado entre as suas pernas.
macabea vivia falando sozinha pelos corredores federais
da outra inquisição.
conseguia de vez em quando reunir alguns habitantes mal
informados sobre a ressurreição das artes aromáticas , e passava o tempo
querendo mostrar seus dotes culinários nua e crua.
estuprada pelos estivadores daquele cais do porto tentou
arrancar o sexo com as unhas e enlouqueceu uivando como loba amarrada a santa
cruz
de uma cabrália velha igrejinha
enquanto na primeira missa
o galo camões bem galinha
chocando o ovo do índio
ou pero vais que caminha
5 - Si A Rainha Mãe do Mato - É bem verdade que em 2022 Macunaíma passou
pela Geleia Geral – ReVirando a Tropicália na Santa Paciência Casa Criativa em
Campos dos Goytacazes, mas não demorou, depois de ouvir a discussão em torno de
sua possível invenção da Semana de Arte Moderna de 1922, rumou para as
quebradas de Nossa Senhora da Conceição do Mato Dentro, agora então veraCidade nem me pira, foi deitar no colo da Carlos Drummond de
Andrade em Itabira.
6 - Joilson Bessa – O Grito Desesperado das Capivaras
7 - Na trilha sonora – Noite Escura/Terra de Santa
Cruz – faixa do CD Fulinaíma As Blues Poesia 2002) enquanto rola a música, Macunaíma
dentro do corpo de baile acompanha a
performance corporal durante a música e a seguir interpreta o poema
I
ao batizarem-te
deram-te o nome:
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro ouro prata
rios peixes minas mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme
II
salgado mar de fezes
batendo nas muralhas
do meu sangue confidente
quem botou o branco
na bandeira de alfenas
na certa se esqueceu
das orações dos penitentes
e da corda que estraçalha
com os culhões de Tiradentes
III
salve lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rendez-vous de impérios atrás
IV
meu coração
é tão hipócrita que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram
no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta
V
só desfraldando
a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
dessa terra tão servil
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu
1º de Abril
telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta
VI
o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal quarta feira
na Geleia Geral brasileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my Brazyl
minha verde/amarela esperança
Portugal já vendeu para França
e coração latino balança
entre o mar do dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul
VII
o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que há muito índio dizia:
meu coração marçal tupã
sangra tupy & rock and roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola & guaraná
VIII
o sangue rola no parque
o sonho ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
e muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank
IX
ó baby a coisa por aqui
não mudou nada
embora sejam outras
siglas no emblema
espada
continua a ser espada
poema continua a ser poema
ando entre a espada
o revólver e a navalha
o couro cobre a carne
como pano da mortalha
o grito preso na boca
e o relógio de músculos
move o sangue no asfalto
o beijo de cinzas
na quarta/feira antes do carnaval
subo os dois irmãos
o são conrado o vidigal
desce por um beco os farpados
deparo com o vinagre
os cacos de vidros quebrados
o brejo na curva
em frente os arcos da lapa
o samba que foi proibido
rasgaram a pedra do sal
8 – Si A Rainha Mãe do Mato –
Por Onde Andará Macunaíma? Essa é a pergunta do século!
Macunaíma, o herói brasileiro de Mário de Andrade, sempre está por aí, fazendo
das suas... Quem sabe não está metido em alguma aventura pelo interior do
Brasil, driblando os perigos da floresta e da vida?
Ou talvez ele esteja mesmo é na poesia de Artur Gomes, se
misturando com as imagens e referências, fazendo uma "viagem"
própria. O que você acha? Por onde você acha que Macunaíma ainda anda?
Enquanto na trilha sonora Caetano canta Tropicália – Irina solta
o verbo :
- toda essa gentinha do bem me dá nojo, ojeriza e até preguiça
não sou Macunaíma mas também tenho direitos - sai de mim urubu que não sou carniça.
- enquanto isso em Iriri o sol esfrega sua luz por entre os
pelos de Rúbia Querubim - em Itabapoana na
areia da praia os urubus saciam a fome a tarde inteira entre os girassóis no
jardim
quantas navalhas
na carne enterrei
quantas feridas já sangrei
na pele nos nervos no osso
do boi só para ti
quantas lágrimas já chorei
quantas vezes mergulhei
no fosso fundo do poço
e ainda estou aqui?
11 – Si A Rainha Mãe do Mato –
o cheiro podre se espalha como fogo alto da Planície ao Master
do Planalto.
certa vez disse-me Wally Salomão: “experimentar o experimental” enquanto lia Torquato mais do que provado: noves fora não são quatro, segui ouvindo uns blues dançando um reggae enquanto lia Olga, Clarice, Ana Cristina, Clara Bacarim e fui me descobrindo/construindo meu SerAfim Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio, enquanto ouvia Chico, Gil, Gal, Bethânica, Cássia, trocava umas letras com Ciranda ouvindo agora Chico Chico pensando o paraíba que atravessa uma cidade que um outro dia foi dos goytacazes, agora dos algozes, os reis e os sócios das políticas dos negócios, que regem o assalto na cordilheira do planalto e regem o carnaval. : experimental o experimental
12 – Macunaíma - o que passou não ficará já
foi - a menina dos meus olhos roubou a tua menina e levou para
festa do boi - fosse um Salgado
Maranhão nosso batismo de fogo
na 25 de março e o morro do querosene em chamas no canto pro
tempo nascer - e o amor que a gente
faria o sol acabou de fazer
fosse Sampa uma cidade
ou se não fosse não importa
essa cidade me transporta
me transborda me alucina
me invade inter/fere na retina
com sua cruel beleza
como Oswald de Andrade
e sua realidade
como Mário de Andrade
e sua delicadeza
*
não fosse o teu amor
o meu conforto
e eu teu anjo torto
meu amor como seria
se a jura secreta
não fosse mais que um poema
e se eu não te amasse
como Glauber no cinema
o que tenho aqui
no corpo em transe
: a quem daria?
13 – Si A Rainha Mãe do Mato - o rio com seus
mistérios
molha meu cio em silêncio
desejo o que nos separa
a boca em quantos minutos
as flores soltas na fala
o pó dos ossos dos anos
você me diz não ter pressa
seus olhos fogo na sala
o beijo um lance de dados
cuidado cuidado cuidado
que sou um anjo de fadas
não beije assim meus segredos
meus olhos faróis nos riachos
meus braços dois afluentes
pedaços do corpo do rio
meus seios ilhas caladas
das chamas não conhece o pavio
se você me traz para o cio
assim que o sexo aflora
esta palavra apavora
o beijo dado mais cedo
quebra meu ser no espelho
meu cerne é carne de vidro
na profissão dos enredos
quanto mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos
o rio retrata meu centro
na solidão de mim mesma
segundo a segundo nas águas
lá onde o sol é vazante
lá onde a lua é enchente
lá onde o rio é estrada
onde coloca seus versos
me encontro peixe e mais nada
14 – Macunaíma - o tecido do amor já esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro Itaocaras
e persigo outras ilhas
na carne crua do teu corpo
amanheço alfabeto grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de lótus flor de cactos flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
Hilda Hilst quando então se me amasse
ardendo em nós salgado mar e Olga risse pulsando em nós flechas de fogo
se existisse por onde quer que eu te cantasse ou Amavisse
eu te desejo flores lírios brancos
margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso :
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura
fosse esta menina Monalisa
ou se não fosse apenas brisa
diante da menina dos meus olhos
com esse mar azul nos olhos teus
não sei se MichelÂngelo
Da Vinci Dalí ou Portinari
te anteviram
no instante maior da criação
pintura de um arquiteto grego
quem sabe até filha de Zeus
e eu Narciso amante dos espelhos
procuro um espelho em minha face
para ver se os teus olhos
já estão dentro dos meus
te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo
os peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos
as rendas finas que vestias
sobre os teus pelos ficção
todos os laços dos tecidos
aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
o sabor da tua língua
o batom da tua boca
tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes
e para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa
quero dizer que ainda arde
tua manhã em minha tarde
a tua noite no meu dia
tudo em nós que já foi feito
com prazer ainda faria
quero dizer que ainda é cedo
ainda tenho um samba/enredo
tudo em nós é carnaval
é só vestir a fantasia
quero ser teu mestre sala
e você porta/bandeira
quando chegar na quarta feira a gente inventa outra fulia
não é apenas um nome
que anda por sobre a pele
um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a pele do teu nome
consome a flor da minha pele
cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge:
Clarice/Beatriz:
assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nossos profanos segredos
se um dia falta coragem
a noite sobra do medo
é que na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente
o nome tem seus mistérios que
se escondem sob panos
o sol é claro quando não chove
o sal é bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve
o mar que vai e vem não tem volta
o amor é a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca é a porta
onde o poema não tem fim
Aqui,
redes em pânico pescam
esqueletos no mar
- esquadras - descobrimento
espinhas de peixe convento -
cabrálias esperas relento -
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR
caranguejos explodem
mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
- Atafona.Pontal.Grussaí -
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui
Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
- fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal. Grussaí -
as crianças são testemunhas :
Mallarmé passou por aqui.
bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?
15 – Ator 2 – na trilha sonora – Goytacá Boy faixa do CD Fulinaíma Sax Blues Poesia
ando por São Paulo meio Araraquara
a pele índia do meu corpo
concha de sangue em tua veia
sangrada ao sol na carne clara
juntei meu goytacá teu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
em tua boca caiçara
para falar para lamber para lembrar
da sua língua arco íris litoral
como colar de uiara
é que eu choro como a chuva curuminha
mineral da mais profunda
lágrima que mãe chorara
para roçar para provar para tocar
na sua pele urucum de carne e osso
a minha língua tara
sonha cumer do teu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão que restou da Guanabara
ou escrever feito Pessoa numa boa quero voltar a Curitiba e sair da pindaíba
escancarar o Beleléu quero ouvir Carlos Careqa esse - Filho de Ninguém e botar
fogo no céu onde o anjo diz: Amém! um dia desses quero ser o Nego Dito ou será o Benedito do
Itamar da Assumpção um dia desses quero ser um João Gilberto e quem sabe
Caetano seja como for dó ré mi fá sol lá si dó para explodir o meu silêncio
e tropicalizar em Salvador quero ser um Pai de Santo fazer
da Flor de Lys a minha flor
2
um dia desses quero ser um Celso Borges quero ser um Cláudio
Willer quero ser Eliakin um Ademir Assunção quero ser sempre Plural estar
sempre em profusão
um dia desses quero ser Zeca Baleiro
pra dançar Boi no Terreiro com Salgado Maranhão um dia desses quero ser César
Augusto de Carvalho – Anistia pra golpista é o Caralho!
17 – Na trilha sonora Gilberto Gil se eu quiser falar com Deus – ou Elis – no palco Joilson Bessa – interpreta a letra da canção18 – Depois dessas longas batalhas poéticas por Éticas o povo das terras brazílis finalmente chega ao país de Pindoarma
Na trilha sonora o Samba Enredo da Mocidade Independente e
Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta No Inconsciente Coletivo –
No palco o povo no país de Pindorama dança para festejar – e segue atrás do Boi Macutraia – para o endereço do antigo
cinema coliseu – porque atrás do Boi Macutraia só não vai quem já morreu.
*
Federika Bezerra: A Porta/Bandeira que Bortou Olivácio Doido
Samba/Enredo do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Mocidade
Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta no Inconsciente
Coletivo no carnaval de 1993 - em 1995 integrou o repertório do projeto
Retalhos Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim - Realizado
pelo SESC-SP
Em
mil novecentos e vinte e cinco
na noite de orgias satanazes
um raio de trovão incandescente
rachou a Igreja em Goytacazes
um vulto do despacho então desceu
movido por farol de grande luz
tocou na pedra quebrou cruz
a Rainha do Fogo dessa gente
Federika
de ouro azul e prata
na porta da igreja foi parida
criada pelo Padre Olivácio
que logo depois lançou na vida
aos cindo de idade encantada
foi pega masturbando em sacristia
por causa de um sonho com o príncipe
DuBoi da mais sagrada putaria
Expulsa
da cidade foi pra longe
cresceu entre os jardins de JardiNÓpolis
mas se você pergunta Froid Explica:
- o seu palácio agora é em Petrópolis
Aos
dezenove plena de alegria
conheceu Gigi da Bateria
na porta do Beco de Satã
na festa federal do Bar da Lama
a Deusa dos Lençóis de toda cama
sorrindo para ver como é que fica
dá um corte na história
inverte o drama
e transforma Ouro Preto em Vila Rica
e assim vamos cantar em verso e prosa
a saga dessa Deusa Iansã
que em busca da mordida na maçã
sonhava encontrar Guimarães Rosa
Viemos
do SerTão para os seus braços
porque a Mocidade Independente
é a mais fina e pura Flor do Lácio
afilhada do secular Padre Miguel
e fiel ao seu pai Padre Olivácio
e para completar a grande roda
trazemos o cacique Pau Brasil
o centenário Oswald de Andrade
filho da paulicéia que pariu!
Passando pelas bandas do Catete
dançando na maior intensidade
macumba com o índio brasileiro
nossa Ex-Cola campeã da liberdade
Federika engravidou o grafiteiro
do famoso cacete Samaral
que escrevia pelos muros da cidade:
Mocidade já ganhou o Carnaval!
e assim vamos cantar na grande roda
tudo o que deu e o que não deu
o dia que um pastor bem collorido
pensou ser pai de santo e se fudeu!
*
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