terça-feira, 16 de julho de 2024

múltiplas poéticas

A arte e o seu templo

 

“e fosse o poema a dança oculta de uma  fala por baixo do silêncio, acima dos murmúrios de um pássaro a voar além do que traduzo”.

 

Igor Fagundes

In Pensamento Dança – tese de doutorado em Letras (UFRJ) 

* 

A arte expressa através do tempo

a história universal da humanidade

a veracidade, em cada pensamento

                         do homem e sua hora

 

a arte dança

pinta

encena

escreve filma

foto.grafa

fala

a arte não cala

 

explora invoca provoca

insiste resiste

clareia o templo escuro

arma/dura do humano

pra tatear o seu presente

tentar prever o seu futuro

 

enquanto escrevo

o pensamento dança

cada palavra voa

nesse corpo nem um pouco  santo

o riso pode vir do pranto

a lágrima pode descer do riso

na dupla face que carrego

todo sentimento  vem comigo

 

hoje nesse palco Trianon

em seus 26 anos de memórias

nesse poema falo  fotografo

danço escrevo quanto de bom

                       tem nessa história

metáforas em suas nuances

retrato em uma folha

a sua mais perfeita linha

a arte de suas performances 

 

eu te desejo flores lírios brancos 
margaridas girassóis rosas vermelhas 
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema 

eu te desejo emblema 
deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume 
teu sabor teu suor tua doçura 

e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos 

eu te desejo e posso : 
palavrArte até a morte 
enquanto a vida nos procura 

 

Artur Gomes

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           Lado B – Lado A

 

O lado B sempre conta uma história que mesmo sendo a mesma o lado A não tem coragem de contar assim como marisa pode ser mim mesma federico baudelaire também pode ser federika lispector euGênio mallarmé rúbia querubim todos serAfim do mesmo canibalismo tupiniquim  desses templos trevosos que mostram escancaradamente onde foi parar a humanidade não apenas estes mas também os outros nove se debatem na estrada do desespero procurando a fresta alguma luz no fim do túnel nos telhados de assombradado ou nas vozes de lobisomens que ecoem dentro das paredes do hotel amazonas afogadas que foram nas águas do paraíba quando ainda império galvez passou por aqui

 

Artur Fulinaíma

Do livro Inédito: Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

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A PROSA DO ROSA, SEGUNDO HAROLDO, CORA E MANOEL

 3  A

Riobaldo – autor desconhecido.

A PROSA DO ROSA, SEGUNDO HAROLDO, CORA E MANOEL

Por Luís Turiba

 

Ler o Grande sertão: veredas, romance fundamental da literatura brasileira escrito pelo mineiro-diplomata João Guimarães Rosa, é prazer desafiante para quem ama, degusta e se deleita com a linguagem de invenção e excelência textual que ele, livro, apresenta.

O poeta concreto-erudito Haroldo de Campos afirma que Rosa criou com sua linguagem, um “barroco mulato contemporâneo em um sertão metafísico e mitológico”. Ou seja, o “Grande Sertão” interessa em especial a quem deseja enfrentar o “difícil” na sua travessia para um amadurecimento literário, humano e cósmico. Por ser uma história cuja gênese tem um pacto com o demo, segundo o próprio autor em conversa com Haroldo, o romance se tornou uma obra universal, com traduções e destaque em inúmeros idiomas. Na dúvida, leia nas entrelinhas o primeiro parágrafo.

No meu entender (e experiência), estamos focando nosso olhar em uma obra imensurável a ser enfrentada por quem tem pretensões nas áreas literárias, poéticas, culturais e ecológicas. Fazer ou não fazer “a travessia” do Sertão, eis a questão! Escolhi fazê-la.

O livro foi lançado em 1956 pela Livraria José Olympio e, até os dias atuais, continua ganhando novas interpretações e assim recriando velhas polêmicas com novas releituras no teatro, na dança, na TV e no cinema.

Recentemente, com o lançamento do filme Grande Sertão, estrelado por Caio Blat e Luisa Arraes e dirigido por Guel Arraes, a obra voltou a causar um certo frisson entre os puristas “roseanos”, que o consideraram uma espécie de “videoclipe” musical distante da realidade do sertão profundo. O palco dos conflitos e guerras entre os jagunços foi trocado por favelas urbanas, onde quadrilhas, milícias e bandos que atuam nas grandes cidades brasileiras exercem seus podres poderes.

“Numa grande comunidade da periferia chamada “Grande Sertão”, a luta entre policiais e bandidos assume ares de guerra urbana e traz à tona questões como lealdade, vida, morte, amor, coragem, Deus e o diabo, diz a sinopse do filme.

Fomos assistir, Rose e eu, a Caio Blat e Luisa Arraes na telona. Antes, eu já havia aplaudido as apresentações teatrais de ambos quando a peça lotou o CCBB no Rio. Diante do nosso espanto, deixei o cinema totalmente impactado com as novas soluções cenográficas e lances audiovisuais avançados na área da comunicação. A essência do texto “roseano”, porém, continuou viva, desafiadora e humana, com todos os seus desafios respondidos à altura.

Enfrentei minha travessia livresca do Grande sertão: veredas antes de completar 30 anos. Era um jovem jornalista profissional e trabalhava em três diferentes frentes em Brasília. Na editoria de Economia, cobria os grandes projetos de mineração na Amazônia durante o governo militar, como por exemplo, o formigueiro de Serra Pelada. Na área Política, acompanhei a campanha das Diretas Já e, posteriormente, a eleição de Tancredo Neves para a presidência da República pelo Colégio Eleitoral.

Na Área Cultural, o editor-geral do Jornal de Brasília na época, o conhecido jornalista Oliveira Bastos, era amigo pessoal do presidente José Sarney, que fora empossado no lugar do Tancredo, internado na véspera da posse. Tancredo faleceu após passar mais de um mês em tratamento em vários hospitais. O Bastos também era amigo do acadêmico Ferreira Gullar e dos irmãos Campos. Daí, tinha um pé na poesia.

Na época, aproveitei a passagem da poeta Cora Coralina por Brasília e fiz com ela um longo depoimento, publicado em cinco páginas por cinco dias seguidos no JBr. A certa altura de nossa conversa, Cora, curiosa, me perguntou:

– Você já leu o Grande sertão: veredas? Sua pergunta era também um teste, um desafio. Envergonhado, lhe respondi que não. E expliquei:

– Tentar, até tentei. Mas a linguagem é muito complexa, e desisti na terceira página.

Cora, então, com quase 90 anos, não se corou e me desafiou:

– Posso te ensinar a ler e entender bem a linguagem de Guimarães Rosa. É um momento literário mágico. Topa?

Perguntei como, e ela me explicou:

– O livro tem umas 400 páginas. Coloque ele à sua frente e se concentre, pedindo licença para sua travessia. Em seguida, pegue o livro e abra em qualquer página mais ou menos no meio dele. Inicie sua leitura em voz alta e, sem ter a mínima preocupação em entender o que está lendo. simplesmente inicie a leitura pronunciando, da melhor maneira possível, cada palavra lida. E vá seguindo e virando as páginas tentando entender o ritmo da leitura, pois é um livro que possui um fluxo próprio se o leitor seguir seu ritmo. Quando já estiver passando das primeiras dez páginas, pare a leitura e feche o livro. No dia seguinte, com tempo e paciência, abra o livro no capítulo inicial e comece a ler:

 “Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não. Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser – se viu – ; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o demo. Povo prascóvio. Mataram.”


Aí peguei gosto com o aprendizado da poeta doceira de Goyás Velho e demorei uns dois meses mergulhado naquela travessia de sustos, sabores e saberes. Quando perdia o ritmo, parava tudo, respirava fundo e voltava umas páginas lá de trás.

Recentemente, recebi do escritor César Manzolillo, colunista do portal ArteCult, um pequeno livro-guia apresentando um “roteiro de leitura” para os que desejam se aventurar na travessia do Grande Sertão. A autora do roteiro é a professora de Teoria Literária Kathrin Holzermayr Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; e a publicação é da Editora Ática. Logo na sua apresentação, o roteiro nos dá dicas importantes. Diz a autora:

“As sugestões deste livro conduzir-nos-ão em duas direções. Por um lado, elas permitirão ao leitor que não dispões ainda de uma ampla experiência literária, perceber a complexidade do trabalho poético posto em jogo pelo texto: jogos com categorias básicas – tempo, espeço, personagem –; com gêneros – épico, lírico, dramático -, com procedimentos – poesia e prosa -; com pontos de referências – personagem, narrador, autor, interlocutor-leitor -; com discursos heterogêneos – dizeres cotidianos, literários, teológicos, filosóficos, científicos etc.”

A professora preparou seu livro-roteiro baseada em pesquisas que mostram que “a travessia” se desdobra em vários processos. O livro-guia é a soma deles.

A aventura de Riobaldo, personagem contador, aparece, no entanto, fragmentada e distorcida, a tal ponto que “muitos leitores abandonam a leitura nas primeiras páginas”. O roteiro é denso e tem serventia para aqueles que já fizeram a “travessia” pelo menos uma vez, pois é comum leitores, leitoras e estudiosos refazerem suas leituras por duas ou mais vezes.

Mas não foi só Cora Coralina que me mostrou caminhos para a leitura da obra Roseana. Quando editei, por vários anos, em Brasília a revista BRIC A BRAC, com poesias inventivas, conhecimentos culturais e visuais, tive a oportunidade de entrevistar, em 1986, o também poeta pantaneiro Manoel de Barros. Óbvio que a presença do autor de Grande sertão: veredas também foi destaque dessa entrevista.

Manoel contou, com riquezas de mimos, os meses que conviveu com Rosa, quando este era adido da fronteira do Mato Grosso do Sul com países latinos. Manoel diz que Rosa queria saber de detalhes da linguagem do Pantanal:

– Rosa se aplica nas palavras com fundo indagar. Fica imaginando. Recorre a outras línguas de raízes tupis. Faz desenho de letras no caderno. Excogita. Disse para ele que o Pantanal quase teve um dialeto. Muitos anos os moradores ficaram isolados. Isso faz uma ilha linguística. Palavras sofriam erosões morfológicas ou semânticas. Outras foram criadas. E algumas sumiam por serem de cidade.

– Por exemplo, Manoel, uma palavra que sofreu erosão…

– Pode me dizer alguma expressão que ficou quase dialeto, alguma invenção?

Manoel dá uma de professor em cima de Rosa:

– O verbo clarear, por exemplo. Aqui ele tomou um outro significado. Assim: clarear de uma pessoa é fugir dela. A expressão vem de quando, nas corridas de cavalo, aquele que vai na frente, avança mais de um corpo, o cavalo faz luz dele para o outro. Quer dizer, “clareia” do outro. Para dizer que deixou a namorada, se fala: “clareei dela”.

A aula de Manoel de Barros para o Rosa sobre a linguagem do Pantanal termina com um exemplo poético                surpreendente da língua de invenção:

– Tenho um amigo, Neto Botelho, que sabe das coisas, que informa que o nosso monumento, ainda inacabado, de folklore, é o cavalo. Cavalo é nosso enfeite, nosso instrumento de trabalho, nosso meio de transporte, nosso amigo, nossa arte. Com ele se ganha o pão, com ele se vai namorar. Ofereço ao Rosa um poema do Neto Botelho sobre o cavalo que teve:

“Tive um cavalo ruano

De nome Balança-os-Cachos

De cheirar e mandar guardar

Cavalo de confiança

Pegava em 40 metros

Galardão de cola e ancas

Um ente desanormal

Coisa de prateleira

Ventava como o fedor

Não foi de ensebar serviços

Não teve queda pra cangas

Pastor de primeira instância

Cavalo de putear delegado

Livre como as vertentes

Podia até lavar louças

Leve de patas que era

Só faltava ir ao cinema.

           E prossegue Manoel:

 – Rosa tomou nota. Gravou na caderneta. Anos atrás, fui ver, na Casa de Rui Barbosa, uma exposição dos cadernos do Rosa. Mas lá não encontrei o poema.

O poema ofertado ao Rosa por Manoel de Barros jamais permaneceria preso em cadernetas. Ele está solto nos Sertões            e nas Veredas. Nas “Galáxias”, nos “Becos”, nos Cavalos, nos livros de invenções e invencionices. Nos Machados, nos              Joões e nas Adélias. São tantos os “roteiros de leitura” que vale a pena escolher o seu e fazer a fantástica “Travessia”.


LUIS TURIBA

Luis Turiba. Foto: Rose Araujo

*Luís Turiba é jornalista aposentado, poeta com 3 livros editados pela 7 Letras do RJ, e outros 8 livros no campo da poesia independente e/ou marginal.É editor da revista anual de invenções poéticas Bric a Brac, criada em Brasília, em 1985. A Bric a Brac 8, última edição, saiu em 2022, uma celebração ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 e ainda pode ser encontrada nas melhores livrarias de Ramos

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https://artecult.com/a-prosa-do-rosa-segundo-haroldo-cora-e-manoel/

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Vampiro Goytacá

 

           Vampiro Goytacá

 

no porão da casa onde aprendi a enxergar   clara/luz na escuridão quando   seus olhos de vidro   viraram espelhos para os meus numa madrugada  27 agosto  1948 datas também me acompanham desde que vi o primeiro clarão diurno quando o trem passou para dores de macabu  quando estive na bolívia senti o cheiro de corumbá ali de perto em assunção do paraguai porto viejo canavarro o barro vermelho no carnaval pelas fronteiras cerveja com caldo de piranha  a dona de um bordel no pantanal chamava os jacarés com nomes de jogadores de futebol quando perdi o avião pra boa vista

 

Artur Gomes

Do inédito: Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

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domingo, 14 de julho de 2024

O Peito Perfurado da Terra - por Milena Maria Testa

  

 

Prefácio

 

Obra poética necessária, tive a grata surpresa de ser convidada a realizar a leitura sensível e fazer o prefácio de “O Peito Perfurado da Terra”. Yara  Fers é poeta de repertório e capacidade  para dar à luz este livro, que tem o diferencial de apresentar o humano como natural, perfurando uma chaga aberta com a potência dos versos.

 

A obra trata da conexão imbricada entre  ser humano e meio ambiente, com foco nos danos queriam decorrentes da exploração do sal-gema pela mineradora Braskem, desde a década de 1970 em Maceió, capital das minhas Alagoas, danos que atingiram, principalmente, os bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto, em evidência a partir do abalo de terra de março de 2018.

 

O título é direto. Quem ler “O peito perfurado da terra” sabe que vai encontrar uma obra a despertar sua sensibilidade e tocar a racionalidade essencial ao pensamento crítico. Nada mais bem-vindo em tempos de discussões acirradas sobre mudanças climáticas, migrações causadas por alterações no meio ambiente e gradual escassez de recursos naturais que sustentam a vida – incluídos os seres humanos – há tantas gerações.

 

De início, destacam-se a pertinência e a relevância da obra, pela urgência do tema e recenticidade do evento específico que a motivou. O texto de abertura (“o afundamento”), sinaliza a que veio “O peito perfurado da terra”. Poema estruturante acerca da temática principal do projeto, o poema denuncia:

 

já havia relatório afirmando que o local era inapropriado.

relatório ignorado (...)

(...) a população não foi consultada,

a empresa  se redime de responsabilizações futuras

e fica com a posse dos imóveis desabitados.

(...) já ganhou e ganhará mais ainda com a tragédia.

tudo feito com anuência e fiscalização dos órgãos públicos.

 

Entretanto, não se engane a pessoa leitora. A expansão do dizer chega a outras ações que alteram profundamente  a natureza e a vida humana como parte dela. Os versos seguem ampliando a visão socioambiental, com a universalização da mensagem. O registro dos danos causados pelas guerras, por exemplo, escancara a conexão entre o bicho humano e  o planeta.

 

A artesã das palavras, a autora sabe ser direta e sabe ser sutil. Recursos diversos desfilam em sua obra, com figuras de linguagem e estética impecáveis. A diversidade da letra poética  de Yara brinda quem lê  com toda uma gama de possibilidades, do poema mais narrativo ao metalinguístico, expandindo a função máxima da poesia: apresentar o mundo de outra forma.

 

A estética também é uma marca, desenhando a forma por trás do conteúdo lírico. É a dor da terra perfurada, os versos que escorrem como água-lágrima da lagoa envenenada, e também a tessitura-célula do “filé”, arte manual das rendeiras alagoanas, uma inspiração. Em “furo”, temos a completude, em “desestrutura do solo” e “fissura”, a especificidade e a forma apurada; “cidade-corpo” traz a ecopoesia manuelina, como já exibida em “tremor”, em que se reverá o buraco desse corpo-natureza atingido de morte:

 

e então

o oco do peito

ferido da cidade

inspirou fundo

um suspiro triste

 

sugando a superfície

 

o corpo que

eras atrás

ergueu músculos de falésias

(...)

 

Iniciei este prefácio tratando da boa surpresa sobre a obra. Contudo, o melhor, se é possível assim me referir à minha satisfação, confirmou-se ao final da leitura: há esperança. Na seara da poesia da natureza, mostram-se a reflexão de “refundação” e a reconciliação de “reverência”, um suspiro para o refazimento da natureza, além do humano.

 

ouvir as histórias

que as camadas sedimentares do solo

têm pra contar

(...)

reparar na sinfonia

que se compõe

entre o sabiá, as folhagens e o vento

(compreender que somos

                  parte da música)

(..)

 

Entre se restringir à dor ou apostar no futuro, por não sermos paisagem, mas fruto e semente, a poeta faz uma opção clara, porém consciente de que a natureza pode prescindir do bicho que a destruiu.

 

Maceió, 02 de abril de 2024.

 

                Milena Maria Testa

                                   Escritora

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Pátria A(r)mada 

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Yara Fers, é paulista de Ribeirão Preto, mora na Bahia. Vive de escrita e literatura, atuando como editora, professora e mentora de escrita. Criou a editora Apilhera, de livros artesanais. É editora de comunicação do Portal Fazia Poesia. Possui graduação em Comunicação Social e Especialização em Teoria da Literatura e Produção Textual. 

Joaquim Branco - Zona de Conflito


           A Mosca Azul

 

Descoberto há pouco no Brasil

um mosquito capaz

de emitir uma forte luz azul.

 

De dentro da Mata Atlântica

essa é a primeira espécie

na América do Sul, onde só há

as que emitem cores

verde, amarelo e vermelho.

 

Cientistas brasileiros

abrem caminho para novas pesquisas,

tão dificultadas ultimamente.

 

São novas cintilações

que teimam em aparecer

em florestas que soem ser muito ricas,

mas tão ignoradas por alguns,

mordidos por outra mosca azul...

 

Joaquim Branco

In Zona de Conflito

Edição do Autor – Cataguases-MG – 2023

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Mostra Visual De Poesia Brasileira

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sábado, 13 de julho de 2024

múltiplas poéticas

furo

 

o que te perfura?

uma broca

uma bala

uma faca

uma britadeira

uma falta

um insulto?

 

um poema

uma

metáfora

te

per

fu

ra

?

Yara Fers

In O Peito Perfurado da Terra

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Experi/mentalismo

 

recluso na estação 353 uso tempo para exorcizar o mal secreto uilcon pereira me ensinou as sample/ações  nas sagradas escriduras de jommard muniz de britto um grito joaqum branco em sua zona de conflito:

“gigantes medonhos / arrastando a noite / clarenigma / pássaros de sonhos / aparando os olhos / negrenigma”

genocidas no congresso aprovam leis  para liberação de agrotóxicos e a gente se ferra Yara Fers e seu peito perfurado da terra:

 

“enfio as mãos na terra

para escrever o poema

 

e as mãos não estão

sujas

 

remexo o barro

as pedras

sinto os grãos

enfiados nas unhas

em simbiose

 

e minhas mãos

não se sujam

 

é a terra que está

suja de mãos”

 

adeus sementes de abóbora in-natura que mastigo para aliviar a profilaxia prostática nesse tempo estático  nada do que penso da estética  sobre a ética passeia entre meus olhos soturnos guima meu mestre guima em mil perdões eu te peço o poema pode ser um beijo em tua boca por quê trancar as portas tentar proibir as entradas ? te beijo vestida de nua comigo  ninguém pode espada de são jorge ogum de cia sputinik no quintal alegria a prova dos nove do meu cão experimental  sei por onde vou não faço parte do outro lado da parte dessa escória que enferruja a história que passou nem do diabo a quatro quando muito cito Oswald e também cito Torquato neto do meu pai se chama Dedé meu afilhado em Deus eu tenho fé um dente de alho sobre a mesa Carlos Gurgel viajou de Natal pra Fortaleza  antes do amanhecer um girassol riscado a giz o dia ainda vai raiar um poema ainda vai nascer no vai e vem dos seus quadris Cazuza pra desvendar na atual constituição qual é o nome da meretriz o homem com a flor na boca ainda desfolha a bandeira com sua língua  de trapo no  pantanal  desse país.

Artur Gomes

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O Homem Com A Flor Na Boca

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quinta-feira, 4 de julho de 2024

certa vez

tenho dúvidas

não tenho certeza

da beleza que me segue

à beira da BR-040

desde que Tranca Rua

abriu a minha estrada

para o SerTão da Bahia

 

Artur Gomes

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certa vez a beleza se chamava Manhuaçu era pura alegria

à beira da BR-040 de Minas

indo pra Bahia

 

Artur Gomes

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terça-feira, 2 de julho de 2024

Artur Gomes - O Homem Com A Flor Na Boca


poema 10

meus caninos

já foram místicos

simbolistas

sócio políticos

sensuais eróticos

mordendo alguma história

agora estão famintos

cravados na memória

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

Editora Penalux – 2023

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na carne da palavra

poema 10   meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos sensuais eróticos mordendo alguma história agora estão famintos cravad...