segunda-feira, 29 de abril de 2024

Poemas Para V(L)ER

herói nacional

 

meu coração marçal tupã

sangra tupi e rock and roll

meu sangue tupiniquim

em corpo tupinambá

samba jongo maculelê

maracatu boi-bumbá

a veia de curumim

é coca cola e guaraná

 

Artur Gomes

do livro Suor & Cio

MVPB Edições – 1985

Gravada pelo autor, no CD Fulinaíma Sax Blues Poesia - 2002

Pátria Ar(r)mada - 2022

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Poemas Para V(L)ER

Mostra Visual de Poesia Brasileira

Varal De Poesia – Múltiplas PoÉticas

25 – junho – 19h -  Sarau Campos VeraCidade

- local: Foyer do Teatro Trianon

Campos dos Goytacazes-RJ


 

"Nunca fomos catequizados fizemos foi carnaval".

Oswaldo de Andrade.

 

 Nunca fomos colonizados, fizemos foi Balbúrdia anti-colonial.

                               Sady Bianchin

 

Ou a gente se Raoni

Ou a gente se Sting

                                           Luis Turiba


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pedra pássaro poema


era uma vez um mangue

e por onde andará macunaíma

na sua carne no seu sangue

 na medula no seu osso

será que ainda existe

 algum vestígio de Macunaíma

 na veia do seu pescoço?

 

na teoria dos mistérios

dos impérios dos passados

 nas covas dos cemitérios

desse brasil desossado?

macunaíma não me engana

 bebeu água do paraíba

nos porões dos satanazes

está nos corpos incinerados

 na usina de cambaíba

 em campos dos goytacazes

macunaíma não me engana

está nas carcaças desovadas

na praia de manguinhos

em são  francisco do Itabapoana

 

Artur Kabrunco

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cor da pele

 

áfrica sou: raiz & raça

orgia pagã na pele do poema

couro em chagas que me sangra

alma satã na carne de Ipanema

 

o negro na pele

é só pirraça

de branco

na cara do sistema

 

no fundo é amor

que dou de graça

dou mais do que moça

no cinema

 

Artur Gomes

Suor & Cio

MVPB Edições – 1985

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on the road: tempespaço

 

Sei de sobra/ que nunca terei/ uma obra.

Sei enfim/ que nada sei/ de mim

Fernando Pessoa

 

                     

                        o carro corre a tarde

            pelo asfalto escorre

no alto as imbaúbas

                acinzentam o mato

 

no horizonte o céu sobra

                           hoje agora ontem infindo

 

                                   pelo retrovisor a estrada

        o espaço atrás o tempo

vida vai se esvai indo

 

                             atrás do vento

               o carro corre

 

  a cada momento

            o tempo escorre

 

                lento o mundo espaço

                                                passa passageiro

 

                    palmeiras

                                       canaviais

            eucaliptos

                                cafezais

 

                                tudo verde

                             e mato

                             e morro

                             e tudo o mais

 

                                tudo hoje

                                tudo ontem

                noite-dia

                    aurora

                                tudo junto

                                           aqui e agora

  o tempo escorre

                       lento o mundo espaço

                                                       passa passageiro

 

Ronaldo Werneck

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Fome é tema de ensaio fotográfico

 com ossos à venda em bandejas

 

come osso menina come osso menino

não há mais metafísica no mundo

do que comer osso

 

no açougue ou no mercado

osso de graça já foi dado

hoje é vendido hoje é comprado

 

come osso maria come osso mané

come osso joão com arroz e feijão quebrado

 

porque nesse país sem nome temos que comer osso

para matar a nossa fome


 

já podeis

da pátria, filho

ver demente

a mãe gentil

 

já raiou a liberdade

em cada cano de fuzil

 

salve lindo

fuzil que balança

entre as pernas

a(r)madas da paz

 

a  gripezinha

era a certeza esperança

de um genocida

imbecil incapaz                                      

                                                                                 A vida

sempre em  suspense

alegria prova dos nove

fanatismo nã0 me convence

muito menos me comove

 

 

Navegar é preciso

           para Fernando Aguiar

 

Aqui redes em pânico

pescam esqueletos no mar

esquadras  descobrimento

espinhas de peixe convento

     cabrálias esperas relento

     escamas secas no prato

       e um cheiro podre no AR

  

caranguejos explodem

   mangues em pólvora 

 

é surreal a nossa realidade

tubarões famintos devoram cadáveres

em nossa sala de jantar

 

como levar o   barco

em meio a essa tempestade

navegar é preciso

mas está dificilíssimo navegar

* 

Deus não joga dados

mas a gente lança

sem nem mesmo saber

se alcança

o número que se quer

 

mas como me disse mallarmè

:

- vida não é lance de dedos

A vida é lança de dardos

Deus não arde no fogo

                   mas eu ardo


Artur Gomes 

Pátria A(r)mada

Desconcertos Editora - 2022 

domingo, 28 de abril de 2024

poesia em movimento

 

A liberdade de expressão,

é a condição do ser agregário.                     

A minha liberdade, só faz a sua razão, na coletividade.   

Paz, pão e poesia.

Seja o que consumamos, nós, poetas e povo, artífices das palavras, construtores de um mundo novo.                

 

  Ricardo Santanna Reis

poesia em movimento

O NASCIMENTO DO AMOR  


Imagem: IA Pixlr Image Generator

 
“Há mais amor debaixo de tuas unhas
do que em toda terra lavrada.”
Thereza Christina Rocque da Motta,
fragmento de “Mais Amor”, em Folias
*

 Não é das flores crescendo em teus cabelos

nem das noites dos teus lençóis gemidos

nem do cheiro de rosa dos teus pelos…

Não é do sorriso sonso do teu umbigo

nem da língua que salga teus temperos

nem dos rios jorrando dos teus líquidos…

Não é dos gomos suados do teu sexo

ou do afogar nas matas do teu ventre

nem do espelho sonhando o teu reflexo

ou das estrelas que brilham nos teus dentes…

Não é do gosto do teu beijo de cravo

ou das tuas coxas a arder feito cacto

nem da languidez dos teus braços lassos

ou da tua voz de onde voam pássaros…

 

É quando tu acordas a manhã com teus olhos claros

que a vida entende todo o seu mistério mágico

e o amor se faz imenso sob o seu manto raro…

(Tanussi Cardoso)

leia mais em 

Ou a gente se Raoni

Ou a gente se Sting

 

                    Luis Turiba

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empregado do povo

 

se o mundo

não fosse comandado

por babacas

talvez eu fosse poeta

01 sonhador anarquista

01 delirante cantor

propondo revoluções

mas os rumos

q. o mundo toma

não nos permitem

delírios, amores, invenções,

no muito, alguns escorregões

assim sigo de plantão

batendo ponto e carimbo

como 01 barnabé cagão

 

aroldo pereira

do livro parangolares

Editora Patuá - 2023

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sábado, 27 de abril de 2024

Balbúrdia PoÉtica


ARNESTO OS CONVIDOU

 

dois bravos poetas

aqui se encontram

sem qualquer ética

arnesto os convidou

pra lapoesia

pra essa balbúrdia

poética

torquat

tô &

pop paulo

a nos ler

leminski

 

o que nos lê

nos ensina

& nos ilumina

 

que pra onde vou

torqua

tô sozinho

sei que vou

torqua

tô sozinho

lê leminski:

 

Finnegans Wake à direita

um coup de dés à esquerda,

que coisa pode ser feita

que não seja pura perda?

 

torqua

tô nem aí

solta de lá

e daqui:

 

na cidade em que me perco

na praça em que me resolvo

 

na noite da noite escura

eu sou como eu sou

pronome

pessoal intransferível

do homem que iniciei

na medida do impossível

 

leminski dá um rolé

e le-relê

relê leminski

 

Mandei a frase sonhar,

e ela se foi num labirinto.

Fazer poesia, eu sinto, apenas isso,

dar ordens a um exército,

para conquistar um império extinto.

 

torq

tô aqui

 

é lua nova

nessa noite derradeira

vou-me embora dentro dela

essa noite é que é meu dia

essa lua é quem me guia

 

a poesia é tudo

diz de lá

o bardo barbudo

 

agora não se fala mais

toda palavra guarda uma cilada

qualquer gesto é o fim

do seu início.

– rebate a bigodal figura:

 

Esta língua não é minha,

qualquer um percebe.

Quando o sentido caminha,

a palavra permanece.

 

e, mãos dadas,

jubas & bigodes entrelaçados

foram-se embora

os dois poetas abraçados

 

arnesto os convidou praqui

mas o sampoesia corre lá fora

 

sangrando

 

o sagrado samba

lapafora

nos arcos da noite

 

Ronaldo Werneck

Cataguases/Rio, 18-24 /2024

Poema lido na Balbúrdia Poética – dia 24/Abril/204 no Bar do Ernesto – Lapa Rio de Janeiro 


Balbúrdia PoÉtica

 

numa dessas noites boêmicas

de dois mil e dezenove

em bares ex-tintos da lapa

na cia de sady bianchin fil buc e marcela giannini

ouvimos do indesejado

que dentro das universidades federais

era uma tremenda balbúrdia

mal sabia ele que sua fala

chegou aos ouvidos de quem não cala

imediatamente como uma prova dos nove

pensamos essa Balbúrdia PoÉtica

a favor da ética

e contra todo aquele que nos provoca náuseas

neo-nazistas que nos fazem mal

e agora transformado  em manifesto

de resistência sócio política cultural

contra todo e qualquer tipo

de bandidagem oficial

seja ela municipal estadual ou federal

 

Artur Gomes

Vampiro Goytacá

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"Nunca fomos catequizados fizemos foi carnaval".

Oswaldo de Andrade.

 Nunca fomos colonizados, fazemos   Balbúrdia anti-colonial.

Sady Bianchin



Inspira

expira

cria

recria

 

                    Arteiramente

 

porque toda arte

também é

                 p o e s ia

 

Rose Araujo

o livro QUANDO Vida

poesia

INSIDE - 2022 



Lampião

 

Existe em mim

Um antigo

Lampião de rua,

Daqueles do Rio

Capital do Império.

 

Nele,

Me escoro na madrugada

Durante uma bebedeira

De juventude.

 

Sob sua luz

Que amarela

Um pequeno recorte da noite,

O poeta tísico

Murmura versos

Do ultrarromantismo

E com eles tenta

Comover a morte.

 

Um bêbado estilhaça

Todas

As garrafas que esvazia

Amaldiçoa a sorte

O destino as mulheres e a vida.

 

Embaixo de meu lampião

E ao som de bolero

Um casal se encontra

À traição

E troca beijos

em uma cena

De filme noir.

 

Mas nada faz

Mais sentido

Ao meu lampião

Do que a imagem

De teu rosto,

Cada vez mais

Longínqua no tempo

Sempre inaugurando

meus dias,

que amanhecem

Cansados e vazios.

 

André Giusti, 1989 


















na carne da palavra

poema 10   meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos sensuais eróticos mordendo alguma história agora estão famintos cravad...