Balbúrdia Poética - projeto de poesia e resistência criado por Artur Gomes em 2109 - 9 Edições já foram realizadas no Rio, São Paulo, Campos, Cabo Frio. e Santo André-SP
sábado, 13 de abril de 2024
tessitura - ricardo reis
TESSITURA
O canto do galo, solitário
como disse João Cabral
não inaugura o amanhã.
Há sempre um resquício de luz,
um facho que se avermelha, na madrugada, e lembra a Aurora
Proletaria.
Há também o frio nos ossos,
que denota a urgência
e, se tivermos sorte.
um vívido companheiro
solidário, de copo e de fratria, no Bar
e um poema, com o qual
se esbarra, na calçada
rubro de tantos versos
e do sono dos justos.
Tudo, nesta hora,
que tem a tonalidade
e o aroma da maçã.
cintila nos brilhos
sobre o mar.
Nunca se fará sozinho,
mas é um trabalho para muitas mãos
generosas
e almas baudelarianas,
bêbadas de vinho,
a tessitura da manhã.
Ricardo
Sant'anna Reis, em Maricá, abril 2024. 4h da madrugada.
terça-feira, 9 de abril de 2024
Balbúrdia Poética 3 - Leminski + Torquato à + de 80
O Anjo Torto
quando nasci Torquato Neto
veio ler a minha mão
tinha chegado de Teresina
com uma garrafa de cajuína
e um livro na outra mão
e eis o que o anjo me disse
apertando a minha mão
com um poema entre os dentes
vá bicho
não tenha medo do inferno
seja um poeta moderno
cheire as flores do mal
que a poesia de Baudelaire
vai te salvar no final
Artur Gomes
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https://arturgomesgumes.blogspot.com/

RIO DE JANERO RECEBE A BALBÚRDIA
POÉTICA 3
BALBÚRDIA POÉTICA 3: BALBÚRDIA
BALBÚRDIA BALBÚRDIA
A vanguarda toma conta da Poesia. Quem
vem a este fausto léxico? Uma festa de Poesia, Música e Performance no Bistrô
Ernesto - ao lado da Casa Cecilia Meireles - 24 de abril, a partir das 19
horas, na Lapa carioca. “Poesia é Balbúrdia”, segundo o cacique-poeta-filósofo
Ailton Krenak, em seu discurso de posse na ABL, onde fez o rito de passagem
como representante dos povos originários para a eternidade acadêmica.
BREVE HISTÓRICO
Balbúrdia Poética é um encontro-festa-movimento de
poesia criado por Artur Gomes em 2019, cujas primeiras edições aconteceram na
Taberna de Laura, em Copacabana. Nesta terceira edição pós-pandêmica a
“Balbúrdia Poética 3: Leminski + Torquato à + de 80”, comemora os 80 anos de
nascimento dos poetas Paulo Leminski e Torquato Neto, dois ícones
transgressores que marcaram a poesia brasileira na segunda metade do Séc. XX. O
encontro reúne 30 artistas com o objetivo de celebrar a memória de ambos, apresentando
releituras de seus poemas, obras musicadas, performances e a Poesia Oral
contemporânea dos poetas convidados. Tanto o paranaense Paulo Leminski quanto o
piauiense Torquato Neto, com suas obras viscerais, intensas e provocantes,
sacudiram “o coro dos contentes” e “derrubaram as estruturas” nos Anos 60-80,
épocas de contestação, subversão (da linguagem, inclusive) e muita agitação
cultural.
ARTISTAS
CONFIRMADOS
Artur Gomes & Fil Buc - Anna Maria
Fernandes - Aroldo Pereira - Carmen Moreno - Delayne Brasil Eugênia Henriques - Fernando Andrade
- Fabio Pessanha - Igor Calazans - Jorge Piri - Jorge Ventura - Karla Julia - Luis
Turiba - Marcela Giannini - Mônica Serpa - Paulo Leminski Neto & Claudia
Leminski - Ricardo Reis - Ricardo Vieira Lima - Ronaldo Werneck - Rose Araújo -
Sady Bianchin - Tanussi Cardoso - Tchello d'Barros - Telma da Costa - Toninho
Vaz - Wanda Monteiro
LIVROS
Serão lançados os livros “O Homem com a flor na boca”
(Poesia), do poeta Artur Gomes, e a biografia de Paulo Leminski “O
Bandido que sabia latim” do jornalista Toninho Vaz.
O Homem com a flor na boca – poemas de Artur Gomes
De acordo com Simone Bacelar, "O
Homem com a flor na boca" é uma coletânea de poemas que captura a
essência da experiência humana através de uma linguagem poética marcante.
Escrito pelo talentoso autor Artur Gomes @fulinaima, o livro explora
temas universais cativando o leitor com sua sensibilidade e profundidade. Os
textos refletem uma jornada emocional envolvente, onde cada verso é uma janela
para o coração e a mente do autor, convidando o leitor a se perder nas palavras
e encontrar significado em cada linha. Com uma mistura de imagens vívidas,
metáforas evocativas e uma linguagem única, "O Homem com a Flor na
Boca" é uma obra que ressoa com todos aqueles que buscam conexão e
compreensão no mundo ao seu redor.”
Artur Gomes é poeta, ator,
letrista e agitador cultural, vivendo em Campos dos Goytacazes (RJ). Está há 50
anos espalhando poesia nos mais diversos eventos pelo Brasil. Com cerca de 20
obras publicadas, destacam-se algumas mais recentes: “Juras Secretas”; “O
poeta enquanto coisa”; e “Pátria A(r)mada”.
O Bandido que sabia latim - biografia de Paulo Leminski
Paulo Leminski, chegou aos anos 80 fixando sua marca poética em trabalhos assinados nas principais revistas e jornais do país, enquanto encantava com suas biografias e impecáveis traduções de poetas universais. Este livro resgata a insólita e conturbada vida deste artista que foi hippie, letrista, publicitário, judoca, professor, tradutor, redator e vários etceteras. O jornalista Toninho Vaz, conta os dramas e vitórias do “cachorro-louco”, “Tio Lema”, “Polaco-loco-paca”, gênio, doido, ídolo e mestre que deixou muita poesia e saudade para gerações de leitores.
Toninho Vaz é jornalista, biógrafo e vive no Rio de Janeiro. Publicou as biografias
de Paulo Leminski: “O bandido que sabia latim”; de Luiz
Melodia: “Meu nome é ébano”; de Zé Rodrix: “O fabuloso Zé Rodrix”;
de Torquato Neto: “Pra mim chega”; e do Solar da Fossa, a
história da mitológica pensão de Botafogo.
SERVIÇO
Evento: BALBÚRDIA POE´TICA 3”
Leminski + Torquato à + de 80
Sarau Multilinguagens e microfone aberto
Horário: 19-22h
Data: 24.Abr.2024 – Quarta-feira
Local: Bistrô Ernesto – Rua da Lapa, 41. Rio de
Janeiro - RJ
Realização: Fulinaima Multiprojetos, Fil Buc
Produções,
Revista Bric-a-Brac, Kino3 e Poesia Plural
Produção/Contatos: Artur Gomes (22) 9 9815-1268; Luis
Turiba (21) 9 8288-1825; Tchello d’Barros (21) 9 835-1978
Entrada franca
sábado, 6 de abril de 2024
Suor & Cio - Couro Cru & Carne Viva
Suor
& Cio
MVPB Edições 1985
*
A Poesia Liberada de Artur Gomes
Há uma passagem em Auto do Frade, de João Cabral, que me chamou a atenção:
“-Fazem-no calar porque, certo, sua fala traz grande perigo. –
Dizem que ele é perigoso mesmo falando em frutas passarinhos”.
Vislumbro aí uma espécie de definição do alto poder transgressor
da poesia , do poeta, da arte em geral: deixar fluir uma energia de protesto e
indignação, crítica e iluminação da existência, qualquer que seja o pretexto ou
o ponto de partida.
Por exemplo - : Suor & Cio, novo poemário de Artur Gomes.
Na sua primeira parte(Tecidos Sobre a Terra), temos um testemunho direto sobre
as misérias e sofrimentos na região de Campos dos Goytacazes, interior
fluminense. Não se canta amorosamente, as lavouras de cana de e grandes usinas,
os aceiros e céus de anil. Ao contrário. Ouvimos uma fala que “traz grande
perigo”, efetivamente ao denunciar – com aspereza e às vezes até com certo rancor – a situação
histórico-social, bruta e feroz, selvagem e primitiva, da exploração do homem
no contexto do latifúndio e da monocultura.
“usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
Mas esta poesia dura, cortante e aguda, mantém igualmente a
sua força de transgressão – continua revolucionária e perigosa – mesmo quando
tematiza (principalmente em Tecidos Sobre A Pele, segunda parte do livro), as
frutas, ou prazer sexual, os seios, o carnaval, o mar, e os impulsos eróticos.
Por detrás dos elementos bucólicos e paradisíacos (só nas aparências, bem
entendido), eis que explode o censurado o reprimido, o que não tem vergonha nem
nunca terá:
“arando o vale das coxas
com o caule da minha espada
no pomar das tuas pernas
eu plano a língua molhada”
Por isso, frequentemente os poemas se debruçam sobre o próprio
ofício do poeta, e sobre o próprio sentido do fazer artísticos. Ofício de artista,
experiência de poeta: presença e risco e da violação das normas injustas: carnavalizando,
desbundando a troup-sex, infernizando o céu e santificando a boca do inferno, denunciando
o rufo dos chicotes, opondo-se aos donos da vida que controlam, o saldo, o
lucro e o tesão.
Os versos de Artur Gomes querem ser lidos, declamados, afixados
em cartazes, desenhados em camisas. E vieram para ficar nas memórias das
bibliotecas da nossa gente, apesar do suor e do cio, graças ao suor e ao cio:
“com um prazer de fera
e um punhal de amante”.
Uilcon Pereira
são paulo, julho, 1985
QUASE
O poema brota da sombra da escuridão.
Dessa luz obscura do cotidiano
que nos toca de raspão
feito um vento obsceno.
Que a vida é só um risco
no nosso corpo
diante da imensidão do universo
ou da imensidão da Morte,
maior que a do céu e a do mar.
O poema se escreve sobre o que não se vê.
Não vemos a árvore a nossa frente,
nem a Lua,
nem o corpo assassinado,
nem o amor que beijamos;
vemos o que criamos sobre o real.
Nasce do símbolo e se alimenta dele.
Canibal.
O poema pendura a vida na língua.
Brota do tédio.
Uma espécie de melancolia. De esperança.
Ou quase.
O poema é sempre um quase.
(Tanussi Cardoso)
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quinta-feira, 4 de abril de 2024
embarcando na boa viagem
embarcando
na boa viagem
Ainda morava em Itabira em 1987 quando Gabriel de
La Puente me convidou para o Seminário – Brasil: Uma Cultura Em Questão, que
foi realizado naquele mesmo ano, cidade paulistana de Batatais.
Havia conhecido poucos meses atrás, em São Paulo, Carlos
Careqa e Hélio Letes em um culto da Igreja da Salvação pela Graça, na Casa de
Cultura Oswald de Andrade.
Em Batatais, Gabriel escafedeu-se, se intrometeu
com uma noiva e teve que fugir da cidade. Ficamos eu, Uilcon Pereira, Ricardo
Prereira Lima, Guilherme Almeida Prado e Artur Gomes, entregues a decoração dos
contos eróticos de Adalgisa, a ninfomaníaca mineira, que apareceu por Batatais,
numa noite de trovoadas nos recintos do Copo Sujo, o bar mais frequentado da
cidade.
Quando Batatais já era uma pedra que ficou no meio
do caminho, me mandei pra Curitiba, e por lá foram 45 dias de convivência com o
Hélio e com ele aprendendo as utilidades das coisas inúteis e aí pouco tempo
depois logo em 1990 já morando em Ouro Preto me torno o Mestre-Sala da Mocidade
Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta No Inconsciente
Coletivo.
Federico Baudelaire
https://fulinaimagemfreudelerico.blogspot.com/
terça-feira, 2 de abril de 2024
verão - Ronaldo Werneck - Balbúrdia Poética 3
verão
ah havia tanto
tanto joyce
no original reler
pound os gregos
os provençais
havia tanto
tanto tempo perdido
são duas horas
duas da tarde
o mar se esfrega
azul l´azur blue blau
por toda a costa
ocidental
é verão e as mulheres
espraiam belas
acidentais
suas costas
a areia as coxas
o colo reluzindo
é verão e são belas
duas horas de mar
e tarde o tempo
perdido
os gregos
os provençais
o sol sol solapando
os olhos trinta
trinta anos
de pão & pound
é verão e são
comoção belas
as mulheres
mas de que vale o poema
ante a mulher de ipanema?
Ronaldo Werneck
Rio, 1973
na carne da palavra
poema 10 meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos sensuais eróticos mordendo alguma história agora estão famintos cravad...
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LÍNGUA, À BRASILEIRA Luís Turiba* "Língua à brasileira" em homenagem aos poetas que escrevem em "brasileiro" , como o ...
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Ente/Vistas Concedendo entrevista ontem 15 de agosto 2025 a Raphael Fuly, licenciando em música no IFF Guarus, sobre a minha trajetória co...
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Balbúrdia PoÉtica Poesia Ali Na Mesa Dia 12 julho das 14 às 19h Casa da Palavra, Praça do Carmo, 171 Santo André-SP – Artur Gomes ...





































