Balbúrdia Poética - projeto de poesia e resistência criado por Artur Gomes em 2109 - 9 Edições já foram realizadas no Rio, São Paulo, Campos, Cabo Frio. e Santo André-SP
Aproveitando o tempo disponível para beber esse clássico da
Poesia Brasileira em busca de mais referências
para o Vampiro Goytacá que
conheci em Ouro Preto onde criei a Mocidade Independente de Padre Olivácio - A
Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo - Marília de Dirceu foi quem inspirou Gigi Mocidade a Rainha da
Bateria e Federika Bezerra a Porta/Bandeira do desfile de 1992.
*
Marília de Dirceu reúne a maior parte da breve produção
literária de Tomás Antônio Gonzaga. As liras que compõem esta obra, muito além
de um extravasamento amoroso, são um diálogo com os acontecimentos políticos,
sociais e artísticos testemunhados pelo poeta e foram compostas, em parte, em
seu período de cárcere, que antecedeu ao exílio.
Marília de Dirceu influenciou toda literatura brasileira
vindoura, prenunciou o Romantismo e tornou-se um dos mais importantes clássicos
de nossa língua.
Num período em que o Brasil era parte do Império Português e
em que literatura brasileira e portuguesa ainda não se distinguiam, o autor deu
alguns dos primeiros passos rumo a uma literatura nacional.
Tomás Antônio Gonzaga nasceu na cidade do Porto, Portugal.
Ainda criança, mudou-se com a família para Recife. Foi um poeta
luso-brasileiro. Ainda adolescente voltou ao país natal e cursou Direito.
Tornou-se juiz e retornou ao Brasil em 1782. Ocupou o cargo de ouvidor de Vila
Rica, atual Ouro Preto. Em 1789, foi acusado de envolvimento com a Inconfidência
Mineira.
Preso, condenado ao exílio em Moçambique, estava noivo de
Maria Doroteia, possivelmente a “Marília de seus versos. Gonzaga teve uma vida
rica e ponderada durante o exílio, tornando-se advogado. Ele morreu por volta
de 1810.
O lado B sempre conta uma história que mesmo sendo a mesma o lado A não tem coragem de contar assim como marisa pode ser mim mesma federico baudelaire também pode ser federika lispector euGênio mallarmé rúbia querubim todos serAfim do mesmo canibalismo tupiniquim desses templos trevosos que mostram escancaradamente onde foi parar a humanidade não apenas estes mas também os outros nove se debatem na estrada do desespero procurando a fresta alguma luz no fim do túnel nos telhados de assombradado ou nas vozes de lobisomens que ecoem dentro das paredes do hotel amazonas afogadas que foram nas águas do paraíba quando ainda império galvez passou por aqui
Artur Fulinaíma
Do livro Inédito: Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
Ler o Grande sertão: veredas, romance
fundamental da literatura brasileira escrito pelo mineiro-diplomata João
Guimarães Rosa, é prazer desafiante para quem ama, degusta e se deleita com a
linguagem de invenção e excelência textual que ele, livro, apresenta.
O poeta concreto-erudito
Haroldo de Campos afirma que Rosa criou com sua linguagem, um “barroco mulato
contemporâneo em um sertão metafísico e mitológico”. Ou seja, o “Grande Sertão”
interessa em especial a quem deseja enfrentar o “difícil” na sua travessia para
um amadurecimento literário, humano e cósmico. Por ser uma história cuja gênese
tem um pacto com o demo, segundo o próprio autor em conversa com Haroldo, o
romance se tornou uma obra universal, com traduções e destaque em inúmeros
idiomas. Na dúvida, leia nas entrelinhas o primeiro parágrafo.
No meu entender (e
experiência), estamos focando nosso olhar em uma obra imensurável a ser
enfrentada por quem tem pretensões nas áreas literárias, poéticas, culturais e
ecológicas. Fazer ou não fazer “a travessia” do Sertão, eis a questão! Escolhi
fazê-la.
O livro foi lançado em
1956 pela Livraria José Olympio e, até os dias atuais, continua ganhando novas
interpretações e assim recriando velhas polêmicas com novas releituras no
teatro, na dança, na TV e no cinema.
Recentemente, com o
lançamento do filme Grande Sertão,
estrelado por Caio Blat e Luisa Arraes e dirigido por Guel Arraes, a obra
voltou a causar um certo frisson entre os puristas “roseanos”, que o
consideraram uma espécie de “videoclipe” musical distante da realidade do
sertão profundo. O palco dos conflitos e guerras entre os jagunços foi trocado
por favelas urbanas, onde quadrilhas, milícias e bandos que atuam nas grandes
cidades brasileiras exercem seus podres poderes.
“Numa
grande comunidade da periferia chamada “Grande Sertão”, a luta entre policiais
e bandidos assume ares de guerra urbana e traz à tona questões como lealdade,
vida, morte, amor, coragem, Deus e o diabo, diz a sinopse do filme.
Fomos assistir, Rose e
eu, a Caio Blat e Luisa Arraes na telona. Antes, eu já havia aplaudido as
apresentações teatrais de ambos quando a peça lotou o CCBB no Rio. Diante do
nosso espanto, deixei o cinema totalmente impactado com as novas soluções
cenográficas e lances audiovisuais avançados na área da comunicação. A essência
do texto “roseano”, porém, continuou viva, desafiadora e humana, com todos os
seus desafios respondidos à altura.
Enfrentei minha
travessia livresca do Grande sertão:
veredas antes de completar 30 anos. Era um jovem jornalista
profissional e trabalhava em três diferentes frentes em Brasília. Na editoria
de Economia, cobria os grandes projetos de mineração na Amazônia durante o
governo militar, como por exemplo, o formigueiro de Serra Pelada. Na área
Política, acompanhei a campanha das Diretas Já e, posteriormente, a eleição de
Tancredo Neves para a presidência da República pelo Colégio Eleitoral.
Na Área Cultural, o
editor-geral do Jornal de Brasília na
época, o conhecido jornalista Oliveira Bastos, era amigo pessoal do presidente
José Sarney, que fora empossado no lugar do Tancredo, internado na véspera da
posse. Tancredo faleceu após passar mais de um mês em tratamento em vários
hospitais. O Bastos também era amigo do acadêmico Ferreira Gullar e dos irmãos
Campos. Daí, tinha um pé na poesia.
Na época, aproveitei a
passagem da poeta Cora Coralina por Brasília e fiz com ela um longo depoimento,
publicado em cinco páginas por cinco dias seguidos no JBr. A certa altura de
nossa conversa, Cora, curiosa, me perguntou:
– Você já leu o Grande sertão: veredas? Sua pergunta
era também um teste, um desafio. Envergonhado, lhe respondi que não. E
expliquei:
– Tentar, até tentei.
Mas a linguagem é muito complexa, e desisti na terceira página.
Cora, então, com quase
90 anos, não se corou e me desafiou:
– Posso te ensinar a
ler e entender bem a linguagem de Guimarães Rosa. É um momento literário
mágico. Topa?
Perguntei como, e ela
me explicou:
– O livro tem umas 400
páginas. Coloque ele à sua frente e se concentre, pedindo licença para sua
travessia. Em seguida, pegue o livro e abra em qualquer página mais ou menos no
meio dele. Inicie sua leitura em voz alta e, sem ter a mínima preocupação em
entender o que está lendo. simplesmente inicie a leitura pronunciando, da
melhor maneira possível, cada palavra lida. E vá seguindo e virando as páginas
tentando entender o ritmo da leitura, pois é um livro que possui um fluxo
próprio se o leitor seguir seu ritmo. Quando já estiver passando das
primeiras dez páginas, pare a leitura e feche o livro. No dia seguinte, com
tempo e paciência, abra o livro no capítulo inicial e comece a ler:
– “Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de
homem não. Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do
córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha
mocidade. Daí vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso,
os olhos de nem ser – se viu – ; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não
quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse
figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o
demo. Povo prascóvio. Mataram.”
Aí peguei gosto com o
aprendizado da poeta doceira de Goyás Velho e demorei uns dois meses mergulhado
naquela travessia de sustos, sabores e saberes. Quando perdia o ritmo, parava
tudo, respirava fundo e voltava umas páginas lá de trás.
Recentemente, recebi do
escritor César Manzolillo, colunista do portal ArteCult, um pequeno livro-guia
apresentando um “roteiro de leitura” para os que desejam se aventurar na
travessia do Grande Sertão. A autora do roteiro é a professora de Teoria
Literária Kathrin Holzermayr Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul; e a publicação é da Editora Ática. Logo na sua apresentação, o roteiro
nos dá dicas importantes. Diz a autora:
“As
sugestões deste livro conduzir-nos-ão em duas direções. Por um lado, elas
permitirão ao leitor que não dispões ainda de uma ampla experiência literária,
perceber a complexidade do trabalho poético posto em jogo pelo texto: jogos com
categorias básicas – tempo, espeço, personagem –; com gêneros – épico, lírico,
dramático -, com procedimentos – poesia e prosa -; com pontos de referências –
personagem, narrador, autor, interlocutor-leitor -; com discursos heterogêneos
– dizeres cotidianos, literários, teológicos, filosóficos, científicos etc.”
A professora preparou
seu livro-roteiro baseada em pesquisas que mostram que “a travessia” se
desdobra em vários processos. O livro-guia é a soma deles.
A aventura de Riobaldo,
personagem contador, aparece, no entanto, fragmentada e distorcida, a tal ponto
que “muitos leitores abandonam a leitura nas primeiras páginas”. O roteiro é
denso e tem serventia para aqueles que já fizeram a “travessia” pelo menos uma
vez, pois é comum leitores, leitoras e estudiosos refazerem suas leituras por
duas ou mais vezes.
Mas não foi só Cora
Coralina que me mostrou caminhos para a leitura da obra Roseana. Quando editei,
por vários anos, em Brasília a revista BRIC A BRAC, com poesias inventivas,
conhecimentos culturais e visuais, tive a oportunidade de entrevistar, em 1986,
o também poeta pantaneiro Manoel de Barros. Óbvio que a presença do autor de Grande sertão:veredas também foi destaque dessa
entrevista.
Manoel contou, com
riquezas de mimos, os meses que conviveu com Rosa, quando este era adido da
fronteira do Mato Grosso do Sul com países latinos. Manoel diz que Rosa queria
saber de detalhes da linguagem do Pantanal:
– Rosa
se aplica nas palavras com fundo indagar. Fica imaginando. Recorre a outras
línguas de raízes tupis. Faz desenho de letras no caderno. Excogita. Disse para
ele que o Pantanal quase teve um dialeto. Muitos anos os moradores ficaram
isolados. Isso faz uma ilha linguística. Palavras sofriam erosões morfológicas
ou semânticas. Outras foram criadas. E algumas sumiam por serem de cidade.
– Por
exemplo, Manoel, uma palavra que sofreu erosão…
– Pode
me dizer alguma expressão que ficou quase dialeto, alguma invenção?
Manoel dá uma de
professor em cima de Rosa:
– O
verbo clarear, por exemplo. Aqui ele tomou um outro significado. Assim: clarear
de uma pessoa é fugir dela. A expressão vem de quando, nas corridas de cavalo,
aquele que vai na frente, avança mais de um corpo, o cavalo faz luz dele para o
outro. Quer dizer, “clareia” do outro. Para dizer que deixou a namorada, se
fala: “clareei dela”.
A
aula de Manoel de Barros para o Rosa sobre a linguagem do Pantanal termina com
um exemplo poético
surpreendente da língua de invenção:
– Tenho
um amigo, Neto Botelho, que sabe das coisas, que informa que o nosso monumento,
ainda inacabado, de folklore, é o cavalo. Cavalo é nosso enfeite, nosso
instrumento de trabalho, nosso meio de transporte, nosso amigo, nossa arte. Com
ele se ganha o pão, com ele se vai namorar. Ofereço ao Rosa um poema do Neto
Botelho sobre o cavalo que teve:
“Tive um cavalo ruano
De nome
Balança-os-Cachos
De cheirar e mandar
guardar
Cavalo de confiança
Pegava em 40 metros
Galardão de cola e
ancas
Um ente desanormal
Coisa de prateleira
Ventava como o fedor
Não foi de ensebar
serviços
Não teve queda pra
cangas
Pastor de primeira
instância
Cavalo de putear delegado
Livre como as vertentes
Podia até lavar louças
Leve de patas que era
Só
faltava ir ao cinema.
E prossegue Manoel:
– Rosa
tomou nota. Gravou na caderneta. Anos atrás, fui ver, na Casa de Rui Barbosa,
uma exposição dos cadernos do Rosa. Mas lá não encontrei o poema.
O poema ofertado ao
Rosa por Manoel de Barros jamais permaneceria preso em cadernetas. Ele está
solto nos Sertões e nas Veredas. Nas
“Galáxias”, nos “Becos”, nos Cavalos, nos livros de invenções e invencionices.
Nos Machados, nos Joões e nas
Adélias. São tantos os “roteiros de leitura” que vale a pena escolher o seu e
fazer a fantástica “Travessia”.
*Luís Turiba é
jornalista aposentado, poeta com 3 livros editados pela 7 Letras do RJ, e
outros 8 livros no campo da poesia independente e/ou marginal.É editor da
revista anual de invenções poéticas Bric a Brac, criada em Brasília, em 1985. A
Bric a Brac 8, última edição, saiu em 2022, uma celebração ao centenário da
Semana de Arte Moderna de 1922 e ainda pode ser encontrada nas melhores
livrarias de Ramos
no porão da casa onde aprendi a enxergar clara/luz na escuridão quando seus olhos de vidro viraram espelhos para os meus numa madrugada 27 agosto 1948 datas também me acompanham desde que vi o primeiro clarão diurno quando o trem passou para dores de macabu quando estive na bolívia senti o cheiro de corumbá ali de perto em assunção do paraguai porto viejo canavarro o barro vermelho no carnaval pelas fronteiras cerveja com caldo de piranha a dona de um bordel no pantanal chamava os jacarés com nomes de jogadores de futebol quando perdi o avião pra boa vista
Obra poética necessária, tive a grata surpresa de ser convidada a realizar a leitura sensível e fazer o prefácio de “O Peito Perfurado da Terra”. YaraFers é poeta de repertório e capacidade para dar à luz este livro, que tem o diferencial de apresentar o humano como natural, perfurando uma chaga aberta com a potência dos versos.
A obra trata da conexão imbricada entre ser humano e meio ambiente, com foco nos danos queriam decorrentes da exploração do sal-gema pela mineradora Braskem, desde a década de 1970 em Maceió, capital das minhas Alagoas, danos que atingiram, principalmente, os bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto, em evidência a partir do abalo de terra de março de 2018.
O título é direto. Quem ler “O peito perfurado da terra” sabe que vai encontrar uma obra a despertar sua sensibilidade e tocar a racionalidade essencial ao pensamento crítico. Nada mais bem-vindo em tempos de discussões acirradas sobre mudanças climáticas, migrações causadas por alterações no meio ambiente e gradual escassez de recursos naturais que sustentam a vida – incluídos os seres humanos – há tantas gerações.
De início, destacam-se a pertinência e a relevância da obra, pela urgência do tema e recenticidade do evento específico que a motivou. O texto de abertura (“o afundamento”), sinaliza a que veio “O peito perfurado da terra”. Poema estruturante acerca da temática principal do projeto, o poema denuncia:
já havia relatório afirmando que o local era inapropriado.
relatório ignorado (...)
(...) a população não foi consultada,
a empresa se redime de responsabilizações futuras
e fica com a posse dos imóveis desabitados.
(...) já ganhou e ganhará mais ainda com a tragédia.
tudo feito com anuência e fiscalização dos órgãos públicos.
Entretanto, não se engane a pessoa leitora. A expansão do dizer chega a outras ações que alteram profundamente a natureza e a vida humana como parte dela. Os versos seguem ampliando a visão socioambiental, com a universalização da mensagem. O registro dos danos causados pelas guerras, por exemplo, escancara a conexão entre o bicho humano e o planeta.
A artesã das palavras, a autora sabe ser direta e sabe ser sutil. Recursos diversos desfilam em sua obra, com figuras de linguagem e estética impecáveis. A diversidade da letra poética de Yara brinda quem lê com toda uma gama de possibilidades, do poema mais narrativo ao metalinguístico, expandindo a função máxima da poesia: apresentar o mundo de outra forma.
A estética também é uma marca, desenhando a forma por trás do conteúdo lírico. É a dor da terra perfurada, os versos que escorrem como água-lágrima da lagoa envenenada, e também a tessitura-célula do “filé”, arte manual das rendeiras alagoanas, uma inspiração. Em “furo”, temos a completude, em “desestrutura do solo” e “fissura”, a especificidade e a forma apurada; “cidade-corpo” traz a ecopoesia manuelina, como já exibida em “tremor”, em que se reverá o buraco desse corpo-natureza atingido de morte:
e então
o oco do peito
ferido da cidade
inspirou fundo
um suspiro triste
sugando a superfície
o corpo que
eras atrás
ergueu músculos de falésias
(...)
Iniciei este prefácio tratando da boa surpresa sobre a obra. Contudo, o melhor, se é possível assim me referir à minha satisfação, confirmou-se ao final da leitura: há esperança. Na seara da poesia da natureza, mostram-se a reflexão de “refundação” e a reconciliação de “reverência”, um suspiro para o refazimento da natureza, além do humano.
ouvir as histórias
que as camadas sedimentares do solo
têm pra contar
(...)
reparar na sinfonia
que se compõe
entre o sabiá, as folhagens e o vento
(compreender que somos
parte da música)
(..)
Entre se restringir à dor ou apostar no futuro, por não sermos paisagem, mas fruto e semente, a poeta faz uma opção clara, porém consciente de que a natureza pode prescindir do bicho que a destruiu.
Yara Fers, é paulista de Ribeirão Preto, mora na Bahia. Vive de escrita e literatura, atuando como editora, professora e mentora de escrita. Criou a editora Apilhera, de livros artesanais. É editora de comunicação do Portal Fazia Poesia. Possui graduação em Comunicação Social e Especialização em Teoria da Literatura e Produção Textual.
recluso na estação 353 uso tempo para exorcizar o mal secreto
uilcon pereira me ensinou as sample/ações nas sagradas escriduras de jommard muniz de
britto um grito joaqum branco em sua zona de conflito:
“gigantes medonhos / arrastando a noite / clarenigma /
pássaros de sonhos / aparando os olhos / negrenigma”
genocidas no congresso aprovam leis para liberação de agrotóxicos e a gente se
ferra Yara Fers e seu peito perfurado da terra:
“enfio as mãos na terra
para escrever o poema
e as mãos não estão
sujas
remexo o barro
as pedras
sinto os grãos
enfiados nas unhas
em simbiose
e minhas mãos
não se sujam
é a terra que está
suja de mãos”
adeus sementes de abóbora in-natura que mastigo para aliviar a
profilaxia prostática nesse tempo estático
nada do que penso da estética sobre
a ética passeia entre meus olhos soturnos guima meu mestre guima em mil perdões
eu te peço o poema pode ser um beijo em tua boca por quê trancar as portas
tentar proibir as entradas ? te beijo vestida de nua comigo ninguém pode espada de são jorge ogum de cia
sputinik no quintal alegria a prova dos nove do meu cão experimental sei por onde vou não faço parte do outro lado
da parte dessa escória que enferruja a história que passou nem do diabo a
quatro quando muito cito Oswald e também cito Torquato neto do meu pai se chama
Dedé meu afilhado em Deus eu tenho fé um dente de alho sobre a mesa Carlos
Gurgel viajou de Natal pra Fortaleza antes do amanhecer um girassol riscado a giz o
dia ainda vai raiar um poema ainda vai nascer no vai e vem dos seus quadris Cazuza
pra desvendar na atual constituição qual é o nome da meretriz o homem com a flor
na boca ainda desfolha a bandeira com sua língua de trapo no pantanal desse país.